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Corticóide: Você Já Usou Esse Remédio sem Acompanhamento Médico?

Neste Artigo:

- Introdução
- O que é o "Corticóide" e quais são suas Ações?
- O que é a Síndrome de Cushing?
- Quais são as Causas da Síndrome de Cushing?
- Como se faz o Diagnóstico dessa Síndrome?
- Tratamento
- Alerta
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"Corticóides são substâncias naturalmente produzidas pelo corpo humano. Possuem diversas ações que visam manter o organismo em equilíbrio entre o gasto e armazenamento de energia, assim como o volume de água corpórea e tensão da parede dos vasos sangüíneos. Seu excesso pode ser devido ao seu uso indiscriminado em forma de remédios ou por doenças que levam a um aumento de sua produção. As alterações decorrentes deste excesso levam à Síndrome de Cushing, que se caracteriza por diversos sinais físicos. Essas mudanças podem levar a quadros graves de desequilíbrio nesses sistemas além de possibilitar infecções oportunistas. Por outro lado, quando uma pessoa que está usando tais remédios pára subitamente de tomá-los, ela pode morrer repentinamente devido a um colapso dos sistemas endócrino-metabólico e circulatório. Por isso, a importância de se manter um acompanhamento médico adequado quando em uso desses medicamentos".

Introdução

O uso indiscriminado de medicamentos pode levar a diversos problemas, muitas vezes causando a risco de vida. Um desses medicamentos é o "corticóide". Esse medicamento é utilizado em diversas situações clínicas, devido às suas várias ações. Entretanto, seu uso abusivo, sem orientação médica, ou indicado por profissionais não médicos e por isso, sem capacidade para tal, pode levar a um quadro grave chamado de Síndrome de Cushing. Ao mesmo tempo, pessoas que o utilizam diariamente em doses significativas e que param repentinamente de usá-lo, podem chegar ao óbito com extrema rapidez.

Com o intuito de rever a Síndrome de Cushing no que diz respeito às suas causas, manifestações, complicações e tratamento, o Dr. Robert B. Hash e colaboradores produziram um estudo de revisão sobre o assunto, abordando todos os aspectos acima mencionados e atualidades inerentes aos mesmos. Um resumo de tal estudo foi publicado na revista médica American Family Physician deste ano.

O que é o "Corticóide" e quais são suas Ações?

Corticóides são hormônios produzidos pela glândula supra-renal. Sua produção é incentivada por um outro hormônio chamado de ACTH que é produzido na hipófise (glândula localizada na base do cérebro). Existem basicamente dois grandes grupos de corticóides: mineralocorticóides e glicocorticóides. Os primeiros têm uma função específica na regulação do volume de água do organismo através do controle da excreção e reabsorção do sódio nos rins. O segundo grupo tem amplas funções metabólicas e é esse grupo que será enfatizado nesse texto. Por isso, toda vez que for falado corticóide, leia-se glicocorticóide.

Os corticóides são responsáveis por diversos mecanismos regulatórios que proporcionam, em última análise, um equilíbrio orgânico diante das diversas situações de estresse que o organismo se depara no dia-a-dia. Assim resumindo, suas funções são:

- Metabolismo intermediário dos açúcares, gorduras e proteínas: eles aumentam a quebra de proteínas para que sejam transformadas em glicose pelo fígado, produzindo assim, a melhor fonte de energia utilizada pelo organismo. Levam, por isso, a um aumento da glicose sangüínea. Levam também a um aumento das gorduras sangüíneas, para que possam ser utilizadas pelos tecidos na produção de energia. Ou seja, ele disponibiliza ingredientes ao corpo humano, para produção de energia.

- Mantém o tônus dos vasos sangüíneos:sem eles, os vasos se dilatam e o sangue não consegue chegar aos órgãos levando a um colapso circulatório, parada cardíaca e morte;

- Tem também uma ação no volume de água corporal que é menor que os mineralocorticóides.

- Têm um efeito inibidor das células de defesa do organismo o que leva a propriedades antiinflamatórias. Esse é o principal efeito utilizado no seu uso exógeno (através de remédios).

Enfim, é um hormônio que propicia condições para que o organismo responda estresses de diferentes causas (infecções, lesão traumática, queimaduras, hemorragias, dor, situação de medo e luta, etc). Sua ausência nessas situações pode levar ao colapso circulatório ou endócrino-metabólico (falta de energia) e morte subseqüente.

O que é a Síndrome de Cushing?

É um distúrbio causado pela presença de altas doses de corticóides no organismo levando a várias alterações que devem motivar a suspeita diagnóstica:

- diminuição das reservas protéicas o que leva a: diminuição da espessura da pele e tecido subcutâneo, diminuição da massa muscular, fragilidade do tecido conjuntivo levando a dificuldade de cicatrização e facilidade de lesões cutâneas;

- redistribuição de gordura corporal: região central do abdome (obesidade central), face (em lua cheia) e nuca (giba) – são os sintomas mais comuns. O aumento de gordura subcutânea na pele e tecido conjuntivos fracos leva à presença de estrias abdominais avermelhadas;

- aumento da glicose sangüínea podendo levar a diabetes mellitus tipo 2;

- aumenta a absorção de água e sódio levando a um aumento da água corporal e um aspecto pletórico do corpo, a diminuição de potássio pode levar a fraqueza muscular;

- cerca de 85% dos pacientes têm hipertensão arterial devido aos efeitos vasoconstritores nos vasos sangüíneos;

- há aumento da retirada de cálcio dos ossos o que pode levar a osteoporose grave e assim, fraturas das vértebras e membros;

- alterações mentais: aumento de apetite, euforia, insônia e psicoses tóxicas;

- ação antiinflamatória levando a um estado de imunossupressão o que propicia a infecções sérias por germes normalmente banais;

- diminuição da libido e impotência sexual.

É importante lembrar que depressão, alcoolismo, medicações e desordens alimentares além de outras condições podem levar a alterações leves similares chamadas de Pseudo Síndrome de Cushing. Tais alterações desaparecem após a retirada do agente causal.

Quais são as Causas da Síndrome de Cushing?

Pode-se dividir as causas em endógenas (de dentro do organismo) e exógenas (de fora do organismo) sendo que as últimas são devido ao uso de medicações à base de corticóides. Abaixo estão relatadas as causas endógenas mais comuns:

- Doença de Cushing: é uma doença causada por um aumento na produção de ACTH devido a um tumor da hipófise. Mais comum em mulheres na idade fértil. É responsável por dois terços dos casos por causas endógenas. São geralmente tumores pequenos com cerca de 10 mm de diâmetro, não causando por isso, sintomas por efeito de massa (compressão de estruturas vizinhas). Alguns tumores, no entanto, podem ter efeito de massa o que pode levar à diminuição dos campos visuais e alterações neurológicas;

- Tumores levando à produção ectópica (em outros locais que não a hipófise) de ACTH ou de HC (hormônio corticotrópico);

- Tumores da glândula adrenal produtores de corticóides(raros).

Como se faz o Diagnóstico dessa Síndrome?

Deve se pensar sempre que houver alterações sugestivas no exame físico. Caso presentes, o primeiro passo é descartar o uso de corticóides como remédio. Caso seja descartada tal hipótese, deve-se passar para os exames laboratoriais. Existe uma bateria de exames que são realizados para se chegar desde o diagnóstico de hipercortisolismo até a causa específica da alteração. A exposição de tais métodos foge dos interesses deste texto, além de serem desinteressantes, pelo seu alto teor técnico para aqueles que não dominam o assunto. Por isso, tal conduta deve ser realizada por um médico experiente.

Tratamento

Os pacientes com diagnóstico de Doença de Cushing devem ser submetidos à neurocirurgia para retirada do tumor, tratamento esse, que em centros especializados, tem um alto índice de sucesso. Caso seja diagnosticado um tumor extracerebral, deve também ser retirado. Aqueles pacientes que não mantiverem níveis normais de "corticóide" no sangue deverão fazer uso indefinidamente de medicamentos e orientados sobre as condutas perante situações de estresse, quando as doses deverão ser ajustadas.

Alerta

Para os pacientes que fizeram uso abusivo de corticóides, o tratamento é a retirada da droga. No entanto, a retirada deve ser vagorosa, caso contrário pode haver um colapso endócrino-metabólico e circulatório levando o indivíduo à morte em pouquíssimo tempo. Procure um médico para fazer essa diminuição das doses até retirar totalmente a medicação.

Comentários

A ênfase dada no texto acima foi focalizada na exposição da importância e complexidade das ações desses hormônios. O número de pessoas que fazem uso dos corticóides através de medicações é extremamente maior do que aquelas que têm uma doença relacionada com produção endógena dos mesmos. Como exemplo de situações nas quais eles são utilizados: doenças reumatológicas, doenças inflamatórias (renais, intestinais, pulmonares, cardíacas, neurológicas), alergias, asma, certos tipos de infecções, pacientes transplantados, pacientes com tumores, sinusites, doenças ortopédicas, doenças de pele, etc. Devido ao fato de serem drogas que têm um alívio da dor importante, o seu abuso por pessoas que sofrem de quadros dolorosos não é incomum. Espera-se que as informações contidas nesse texto sirvam como um alerta para as sérias complicações que o uso inadequado ou a retirada súbita desses medicamentos podem causar.

Referência Bibliográfica:

Am Fam Physician 2000;62:1119-27,1133-4.

Copyright © 2000 eHealth Latin America             26 de Setembro de 2000


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