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Reposição Hormonal: Pode Ela Prevenir o Infarto do Miocárdio em Mulheres?

Neste Artigo:

- Introdução
- O estudo
- Resultados
- Comentários
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As doenças cardiovasculares incluindo o derrame cerebral são a principal causa de morte nas mulheres dos EUA e também nos países desenvolvidos. Pode-se dizer que dentre essas, a principal doença é a aterosclerose, especialmente das artérias que levam sangue para o coração, que são chamadas de coronárias. O acometimento das mesmas pelas placas ateroscleróticas leva à diminuição do seu diâmetro (Insuficiência Coronariana) e à sua oclusão levando ao infarto cardíaco, sendo esse e suas complicações a principal causa de morte nas mulheres pós-menopausa. Em 1997, tais doenças foram responsáveis por 43% de todas as mortes em mulheres norte-americanas. Assim, os principais dilemas em se tratando de saúde feminina a partir do ano 2000 são o manuseio das doenças cardiovasculares e do câncer.

Introdução

Diante de uma doença qualquer, fala-se em prevenção primária quando se utilizam meios de se prevenir o início da doença e prevenção secundária quando são utilizados meios de impedir ou diminuir a evolução de uma doença já instalada ou estabelecida.

Com respeito aos fatores de risco comportamentais para a doença coronariana, tem-se conseguido cada vez mais indícios da importância dos mesmos na sua prevenção tanto primária quanto secundária. Um estudo que acompanhou cerca de 85.000 enfermeiras num período de 14 anos, após correlacionar tais fatores em relação ao índice de doenças coronarianas e de mortes por infarto cardíaco, demonstrou que aquelas mulheres com poucos fatores de risco (tabagismo, sedentarismo, dieta desbalanceada e sobrepeso) tiveram 83% menos risco que as outras mulheres. Assim, 82% dos infartos cardíacos ocorreram devido à não utilização de um estilo de vida saudável.

Um outro fator que tem sido amplamente relatado e utilizado nas prevenções primária e secundária de doença coronariana em mulheres é a reposição de estrogênio após a menopausa (última menstruação). Entretanto, alguns estudos não têm conseguido resultados satisfatórios com o uso de estrogênio nessas situações para a prevenção secundária de insuficiência coronariana. Um desses estudos estará sendo exposto abaixo, tendo sido realizado pelo Dr. David M. Herrington da Wake Forest University School of Medicine – NC – EUA e colaboradores de várias outras escolas médicas. Tal estudo foi publicado na revista médica The New England Journal of Medicine de agosto deste ano.

O estudo

Foram selecionadas 309 mulheres na faixa etária média de 65 anos sabidamente com doença coronariana prévia confirmada por angiografia cardíaca (o melhor exame na atualidade para diagnosticar a presença de placas ateroscleróticas nas artérias coronarianas). Tais mulheres foram dividas aleatoriamente em três grupos: 1) recebendo estrogênio e progesterona; 2) recebendo somente estrogênio; 3) recebendo placebo (comprimido sem nenhum agente químico terapêutico). É importante frisar que nenhuma das mulheres sabia em qual dos grupos ela se encaixava. Tais grupos foram acompanhados durante 3,2 anos. Após esse período, foram realizadas novas angiografias para documentar alguma alteração na evolução das placas ateroscleróticas prévias.

Resultados

A princípio, percebeu-se um efeito importante e já esperado sobre o perfil lipídico naquelas mulheres que usaram o estrogênio, tendo havido uma diminuição dos níveis de LDL ("mau colesterol") e aumento dos níveis de HDL ("bom colesterol").

As angiografias não detectaram diferenças no diâmetro das placas ateroscleróticas das artérias coronárias entre os três grupos. Não houve diferença também quando se comparou diferentes lesões em relação ao seu grau de acometimento vascular: 0% a 24%, 25% a 49% e mais de 50% de entupimento do vaso. O desenvolvimento de novas lesões ocorreu com a mesma freqüência em ambos os grupos estudados.

Comentários

De acordo com os resultados explícitos acima, não houve efeitos favoráveis do uso de estrogênio em mulheres pós-menopausa com doença coronariana prévia, no intuito de reduzir ou diminuir a progressão da doença.

Várias linhas de evidência sugerem ser o estrogênio um fator importante em mulheres pós-menopausa. Entretanto, os resultados acima demonstraram que seu uso por um tempo de 3,2 anos não levou a tais efeitos esperados. Tais dados são consistentes com um outro estudo realizado anteriormente que demonstrou inclusive um aumento de risco de problemas cardiovasculares no início da reposição hormonal o que não foi demonstrado nesse estudo.

Como poderia então ser explicada a falta de efeito do estrogênio demonstrada por esse estudo visto ser sabidamente comprovada a sua atuação no metabolismo de lipídeos, na função de revestimento dos vasos, e outros fatores envolvendo a promoção e progressão da aterosclerose? Uma possibilidade seria os efeitos pró-inflamatórios dos estrógenos que contrabalançariam seus efeitos benéficos. Outra possibilidade seria a de que os estrogênios seriam mais eficazes na prevenção do desenvolvimento da aterosclerose do que na diminuição de sua progressão quando já instalada. Em animais, a habilidade do estrógeno em prevenir o acúmulo de colesterol na parede dos vasos parece estar relacionada com um revestimento interno do vaso saudável. Outros fatores a serem considerados seriam a época de início de tratamento e o tempo de tratamento. Talvez, o fato de o tratamento ter sido iniciado já algum tempo após a menopausa poderia diminuir sua eficácia em relação a um tratamento começado logo no início do climatério. Será que seria necessário um maior tempo de ação do estrógeno para que seus efeitos benéficos nos vasos acometidos pelas placas pudessem surgir?

Sem dúvida, mais estudos são necessários e já estão sendo feitos. No que se refere à atual conduta frente a esses casos fica por enquanto, contra-indicado o uso de estrogênios por mulheres na pós-menopausa com doença coronariana com o intuito de se diminuir a progressão da doença. É de extrema importância salientar que os outros efeitos benéficos do estrogênio como a diminuição de rarefação óssea dentre outros já foi comprovada.

O uso de estrogênios na prevenção primária de aterosclerose pode ser eficaz, mas ainda não foi comprovado com estudos clínicos. Dessa forma, cabe aos médicos e aos serviços públicos de saúde a promoção dos meios comportamentais de prevenção dessa enfermidade que tanto aflige a população mundial.

Fonte: The New Eng J Med 2000; 343(8): 522-529.

Copyright © 2000 eHealth Latin America           05 de Setembro de 2000


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