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Omeprazol e seu Uso na Prevenção do Sangramento Recorrente das Úlceras Pépticas

Neste Artigo:

- Introdução
- O estudo
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"As úlceras pépticas são defeitos na parede de alguns órgãos do aparelho digestivo, que às vezes podem ser muito profundos, a ponto de causarem sangramentos importantes. As úlceras ocorrem principalmente no estômago e no duodeno e causam sintomas como dor em queimação na região estomacal, que piora durante o jejum e melhora com a alimentação."

Introdução

Alguns pacientes podem apresentar perda do apetite e emagrecimento. Outras queixas comuns são a "sensação de vazio no estomago", o "estufamento", a "azia" ou o "enjôo". Muitas vezes, a primeira manifestação pode ser uma complicação, como o próprio sangramento ou a obstrução ou a perfuração intestinal.

Antigamente, acreditava-se que todas as úlceras fossem causadas pela ação agressiva do ácido clorídrico e das enzimas estomacais. Hoje, sabe-se que alterações nesses fatores são decisivas, pois são eles que favorecem a infecção pelo Helicobacter pylori, que hoje é considerada o principal fator causal.

O diagnóstico precoce com a endoscopia digestiva alta, o desenvolvimento de drogas que diminuem a secreção ácida do estômago, como a cimetidina (antagonistas dos receptores de H2) e o omeprazol (bloqueadores da bomba de prótons) e o uso de antibióticos para a eliminação da bactéria estão diminuindo a necessidade de cirurgias em muitos casos. Mas, apesar desses avanços, as hemorragias das úlceras gástricas e duodenais continuam sendo causas comuns de hospitalização. Nos Estados Unidos, mais de 250.000 pacientes são internados com sangramento do trato digestivo superior, a cada ano, e cerca da metade desses casos é causada pelas úlceras pépticas.

A maioria das hemorragias cessa espontaneamente, como resultado dos mecanismos intrínsecos de hemostasia. Mas, em um de cada cinqüenta casos, esses mecanismos falham, e o sangramento continua, aumentando a gravidade do quadro.

O tratamento da hemorragia digestiva alta inclui a restauração do volume sangüíneo e a correção de alguns distúrbios da coagulação. A endoscopia é uma importante parte do tratamento, para a maioria dos casos. Os pacientes que apresentam os maiores riscos são aqueles que evidenciam, à endoscopia, um sangramento abundante ou aqueles que apresentam sangramento sem um vaso sangüíneo visível. O tratamento feito com aplicação de adrenalina local ou com a termocoagulação reduz consideravelmente as chances de um sangramento subseqüente. Contudo, cerca de 20% dos pacientes tornam a sangrar, após 72 horas da aplicação do tratamento endoscópico.

A acidez estomacal é o principal fator envolvido na recidiva de sangramento das úlceras pépticas, sendo que o uso de drogas inibidoras da secreção ácida é uma das soluções para diminuir as chances de novas hemorragias. O uso dos antagonistas dos receptores H2 suprime a secreção de ácido clorídrico do estômago e tem um importante papel na cicatrização das úlceras. Porém, estudos que analisaram o papel desta droga no controle da hemorragia recorrente apresentam resultados desapontadores.

A introdução dos bloqueadores da bomba de prótons traz grande expectativa e pode ser um importante meio para a inibição dos sangramentos recorrentes. Mas, ainda existem poucos trabalhos mostrando o verdadeiro papel destas drogas, nos pacientes com hemorragia aguda gastrointestinal.

Com o objetivo de mostrar o efeito do Omeprazol sobre as úlceras com sangramento recorrente, Lau e col. conduziram um estudo, no qual eles compararam pacientes que fizeram o uso do bloqueador da bomba de prótons com aqueles que não usaram, e avaliaram o grau de sangramento em ambos os grupos. Este estudo foi publicado na revista The New England Journal of Medicine em agosto de 2000.

O estudo

Este estudo foi realizado em Hong Kong. Foram selecionados dois grupos de pacientes (um grupo caso e outro controle) que haviam se submetido à terapia endoscópica. Todos os pacientes apresentavam sangramento abundante ou sangramento sem vaso visível à endoscopia. O grupo caso recebeu altas doses de omeprazol intravenoso e o grupo controle recebeu placebo, ambos por 72 horas.

O sangramento recorrente ocorreu em 6,7% dos pacientes do grupo caso e em 22,5% dos pacientes do grupo controle. Os pacientes que receberam o omeprazol intravenoso permaneceram por menos tempo no hospital e necessitaram de menos transfusões do que os pacientes que receberam placebo. A taxa de mortalidade e o número de pacientes que necessitou de cirurgia também foi menor, mas os cientistas lembram que nenhum desses resultados foi estatisticamente significativo.

Comprovou-se que o omeprazol intravenoso mantém o PH do estômago em torno 6.0, dentro de um período de três horas, e por isso diminuem as chances de novo sangramento, pois o coágulo sangüíneo (que estanca o sangue) se estabiliza com esse valor de PH e se dissolve em valores menores que 5.0. As drogas que agem nos receptores de H2 elevam o PH estomacal em torno de 3.0 a 5.0, em um intervalo de 24 horas, independente da infusão contínua, por isso não protegem contra a hemorragia recorrente. Por outro lado, o uso do omeprazol oral também não impede o sangramento, pois demora cerca de três dias para elevar o PH em torno de 6.0.

Outro achado foi que os pacientes de sangramento moderado ou que não apresentavam vasos visíveis não foram beneficiados pelo uso do omeprazol intravenoso.

Os pesquisadores acreditam ter o estudo indicado que a supressão agressiva da acidez estomacal pelo omeprazol intravenoso reduz significativamente as taxas de recorrência de sangramento das úlceras pépticas em pacientes com alto risco, após tratamento endoscópico bem sucedido.

Fonte: The New England Journal of Medicine – August 3, 2000 – Vol. 343. No.5.

Copyright © 2005 Bibliomed, Inc.            18 de Julho de 2005.




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