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Artigos de saúde

Gravidez Acima dos 35 Anos: Qual a Idade Ideal para Ser Mãe?

Gravidez acima dos 35 anos - Uma idade ideal para ser mãe? Quem responde a pergunta que hoje já está se tornando um assunto polêmico é a ginecologista/obstetra, Dra. Luciana Sereno França.

Ela afirma que em primeiro lugar, é preciso analisar o atual papel da mulher na sociedade e a revolução de fatores que mudaram e interferiram até no período de gestação de uma mulher.

Para a médica, o desenvolvimento da humanidade, o avanço tecnológico, a maturidade precoce dos jovens, a competitividade profissional, a necessidade de crescimento, a tumultuada e cansativa rotina, são conseqüências da evolução do mundo moderno, que nos envolve constantemente, e se não percebemos este processo, somos tão consumidos, que muitas vezes esquecemos a finalidade da nossa existência e deixamos nos abater por um furacão de turbulências.

A partir dos anos 50 e 60 surge a figura feminina de uma forma atuante no contexto das sociedades. A mulher entra no mercado de trabalho, começa a pensar, se coloca de forma firme, deixa de ser somente a “reprodutora” e passa a ser atuante, economicamente ativa. Começa a ocupar cargos, que antes, só eram ocupados por homens. Cresce, dentro do “ser” mulher, a vontade de ir mais longe, e então ela também entra no mundo competitivo, no tumulto da modernidade.

No passado, a mulher era educada para estudar, (as que tinham alguma condição financeira), casar, cuidar dos afazeres da casa, do marido, e dos filhos. Hoje esta mesma mulher, é preparada para estudar, trabalhar, casar, ter filhos e continuar a sua vida.

Nas sociedades desenvolvidas, a mulher está cada vez mais ganhando espaço no mercado de trabalho, sendo algumas vezes, o “pai de família”. Como conseqüência normal, a gestação está cada vez mais sendo adiada, ocorrendo em muitas mulheres acima dos 35 anos, ficando em segundo plano, pois em primeiro lugar busca-se a estabilidade profissional e até mesmo a financeira, é o que chamamos de gravidez de alto risco.

Ainda há uma outra hipótese, a da gestação indesejada neste período de vida ou ainda em idades mais avançadas. Apesar do envelhecimento normal do ser humano, dificultando a fertilização com o avançar da idade, temos como fator favorável, as técnicas de reprodução assistida, permitindo a viabilidade da fecundação numa fase considerada mais madura da vida.

Riscos e Cuidados

Segundo a especialista, para uma mulher que gesta aos 35 anos, a gravidez é desejada, o que nos dias de hoje é o mais comum e o mais encontrado nas mulheres profissionalmente ativas, temos alguns fatores a serem relevados como risco para estas gestações.

Consideramos todos os fatores de igual importância, do ponto de vista clínico, tendo cada um seu papel diferenciador e merecedor de atenção. Avaliamos ainda se estamos tratando de uma primeira gestação ou se esta paciente já engravidou outras vezes.

Dentre as alterações maternas que podem acarretar alterações no decurso da gestação, salientamos as doenças crônicas, que aparecem com o evoluir da vida e freqüentemente, algumas delas atingem não só a mãe, como também ao feto; como as doenças que surgem com o decorrer da gravidez, e as que são agravadas pela gestação.

Dentre as doenças pré-existentes, explica Dra. Luciana, é preciso ressaltar as principais; que são as cardiopatias, a hipertensão, o diabetes, as alterações circulatórias, entre outras.

Consideram-se hoje as síndromes hipertensivas, pré-eclâmpsia, como principal complicação das gestações de alto risco, sendo a maior causa de mortalidade marteno-fetal. A pré-eclâmpsia é uma afecção exclusiva da gestação, enquanto a hipertensão arterial sistêmica pode ser uma doença pré-existente e ser agravada pela gravidez.

Outra doença agravada pela gestação seria o lúpus eritematoso sistêmico, porém este agravamento se dá em qualquer idade que a paciente possa ter, sendo a gestante lúpica uma gestante de alto risco independente da sua idade.

Nos casos de alterações circulatórias, essas têm repercussões diretas nos vasos do útero, alterando de forma efetiva a perfusão útero-placentária, diminuindo o fluxo sangüíneo para o feto, devido à obstrução dos vasos deste órgão. Em nível de órgão alvo, útero, ainda resta salientar que com o passar da idade, doenças deste órgão podem surgir, como leiomiomas e adenomiose.

A mortalidade materna aumenta com o evoluir da idade, principalmente quando a gestante não tem acompanhamento pré-natal adequado, por equipe multidisciplinar, exemplifica.

Do ponto de vista obstétrico, as repercussões da idade são também bem evidentes, sendo as apresentações fetais mais comuns as pélvicas, e as defletidas. As induções do trabalho de parto e a normalidade das contrações são também alteradas, aumentando o número de partos cesarianos.

Qual o tipo mais adequado de parto?

A médica responde afirmando que a indicação da cesariana, como via de parto, muitas vezes não é por nenhuma condição materna, nem alteração das condições fetais, e nem tão pouco por complicações obstétricas, e sim pela ansiedade dos pais, por haverem tantos mitos quando se trata de uma gestação em idade avançada.

Os quadros hemorrágicos do terceiro trimestre, também são freqüentes, principalmente o descolamento prematuro da placenta, a placenta prévia, havendo também maior probabilidade de ruptura prematura das membranas (bolsa).

Em se tratando do feto, que é o “outro paciente” de tamanha importância quanto a mãe, aumenta-se com o avançar da idade materna na gestação, a incidência de retardo no crescimento fetal, recém-nascido de baixo peso, a prematuridade, o sofrimento fetal agudo, sendo este a maior causa de internação de recém-nascidos em unidade de terapia intensiva.

No entanto o fator idade é de menor relevância para o comprometimento fetal quando comparado às alterações clínicas da gestante; como hipertensão e outras. Neste caso, aumenta-se ainda o risco de abortamento espontâneo, anormalidades cromossômicas nos produtos de abortamentos, de alterações cromossômicas fetais; como a síndrome de Down e outras síndromes, acrescenta a Dra. Luciana.

Controle e Prevenção

O controle da gestação numa idade materna avançada, além de um pré-natal minucioso, deve ser voltado para detectar precocemente doenças maternas, e avaliar o desenvolvimento fetal.

Para esta segunda preocupação, podemos lançar mão de recursos técnicos adequados, como por exemplo, os exames não-invasivos, como também os métodos invasivos, como a biópsia de vilo corial e amniocentese que é a punção intra-útero de líquido amniótico com exames deste líquido. Além disso, é preciso avaliar principalmente, quando indicar estes exames invasivos, pois como todo procedimento, também tem os seus riscos, destaca a médica.

Como a evolução das técnicas de reprodução assistida, os diagnósticos cada vez mais precoces de doenças crônicas maternas, os métodos propedêuticos cada vez mais aprimorados e fidedignos para a avaliação fetal e detecção de alterações cromossômicas, os resultados das gestações acima de 35 anos estão sendo muito positivos, tendo como resultado, recém-nascidos saudáveis.

A idade isoladamente não é um fator determinante de risco para a gestação, ratifica a médica, o que é preocupante, e que nos leva a ficar sempre atentos, é para o fato de poder estar associada, alguma doença materna decorrente da idade avançada.

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