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Medicina Particular na Colômbia: Para Entender o Quebra-Cabeças da Saúde

Até o início da década de noventa, a medicina na Colômbia estava baseada em uma clara divisão entre serviços públicos e privados. No primeiro setor estava a previdência social, um monopólio do Estado, no qual a afiliação de empresas e empregados era obrigatória e que constituía o epicentro do atendimento de saúde para os colombianos.

No segundo setor se encontrava a medicina privada, administrada por entidades e profissionais e utilizada pela minoria da população, com poder aquisitivo para arcar com os altos custos.

No início da década dos anos noventa houve uma modificação substancial neste esquema dicotômico, devido a dois fatores fundamentais. Em primeiro lugar, o final do monopólio estatal da previdência social, em 1993, e em segundo lugar, a globalização da medicina possibilitou a entrada de competidores estrangeiros no setor de medicina privada, ocasionando uma pressão para que as empresas nacionais formassem as suas próprias alianças comerciais para poder competir pela preferência de seus clientes.

Para Compreender o Quebra-Cabeça

O simples sistema de saúde colombiano evoluiu em uma velocidade inusitada nos últimos 10 anos, originando tantas siglas e entidades que a maior parte dos colombianos ainda não entendem qual é a diferença entre uma e outra, afirma Felipe Bapstiste, diretor financeiro e administrativo da entidade privada de maior capacidade do país, a Clínica del Country em Bogotá.

Segundo Bapstiste. A existência de EPSs, ARPs, IPSs e Medicina Particular acabou por confundir aos colombianos e chegou até mesmo a ocasionar, em alguns casos, a sua afiliação – e pagamento – a mais de um serviço de saúde.

Se antes da década de noventa havia uma divisão entre a medicina pública e a privada, atualmente existe uma dicotomia entre planos de saúde obrigatórios e voluntários.

POS: Plano Obrigatório de Saúde

As empresas têm a obrigação de oferecer aos seus trabalhadores (e famílias) a afiliação a um POS. Por sua vez, são os próprios empregados (e não as companhias, como acontecia anteriormente) quem elegem a empresa com a qual querem afiliar-se, utilizando entidades denominadas EPSs, Entidades Promotoras de Saúde, firmas encarregadas de assegurar a cobertura de serviços de saúdes para os trabalhadores.

As EPSs não prestam serviços de atendimento de saúde. Tais empresas contratam IPSs, Instituições Prestadoras de Saúde (clínicas, hospitais, centros de diagnóstico, etc.), encarregadas do atendimento aos pacientes. Entre as EPSs se encontram entidades privadas e públicas (Instituto de Seguro Social - ISS).

A Medicina Voluntária

A medicina não obrigatória é denominada na Colômbia de Medicina Particular. É um sistema mais caro e de maior cobertura dos que o oferecido pelas EPSs. Segundo Baptiste, em termos gerais existem diferenças entre as EPSs e a Medicina Particular, ou Pré-Paga, embora os serviços sejam prestados pelas mesmas instituições.

Um exemplo será útil para se compreender este cenário. A medicina na Colômbia é como a aquisição de um carro. Usuários podem adquirir o mesmo modelo básico, sem acessórios, ou adquirir um modelo de luxo, com todos os opcionais. No caso da medicina, empresas como Colsánitas ou Salud Colpatria operam em ambos os setores de EPSs e entidades de Medicina Particular.

Nas palavras de Luis Fernando Arcila, Assessor do Ministro da Saúde, é importante que os cidadãos compreendam as diferenças entre os dois sistemas. Condições pré-existentes (ou seja, quadros clínicos anteriores a inscrição), assim como a qualidade da cobertura, são mais flexíveis e eficientes no sistema Pré-Pago do que nas companhias do setor EPS.

Os Truques

Muitas famílias colombianas, comenta Santiago Murgueitio, de Ciudadela Salud, contribuem em seus escritórios para as EPSs, mas também adquirem coberturas através do sistema de Medicina Particular, com o objetivo de obter uma cobertura de maior qualidade. E algumas das companhias não informam a estes empregados que eles estão realizando um pagamento dobrado.

Esta é uma questão muito sensível, argumenta Murguitio. Obviamente não se pode utilizar ambos os programas através de um único pagamento. Mas se o convênio de EPS e de Particular é realizado na mesma instituição, as empresas oferecem importantes descontos para as famílias.

A Dimensão da Medicina Paricular

Em um país com uma limitada capacidade econômica e boa prestação de serviços obrigatórios de medicina, segundo a Organização Mundial de Saúde, OMS, o tamanho da medicina Particular ainda é reduzida. Durante a última década, 15 milhões de novos usuários foram incorporados ao sistema, convertendo o atendimento no mais amplo da América Latina, superando o mito cubano, de acordo com um relatório da própria OMS.

Apesar deste fato, as possibilidades de crescimento são interessantes. Segundo Baptiste, até dois anos atrás, a quantidade de usuários do sistema Particular era mínima, enquanto, atualmente, dos trezentos leitos que possui, cerca de 60% da ocupação é utilizada por este tipo de afiliados.

Este mercado é liderado pela companhia espanhola Colsánitas, cujo sucesso se explica pela sua atuação no ramo de Medicina Particular, Empresa Promotora de Saúde e Instituição Prestadora de Saúde, contando com a sua Clínica e Centros de Atenção de Saúde próprios. Também existem outras empresas que registram grandes lucros: Susalud, Colmena, Colpatria y Coomeva, por exemplo.

Fonte consultadas por Boa Saúde afirmam que o fato de que um terço das atuais companhias apresenta perdas em seus balanços operacionais é um claro indicador de que a situação deverá se modificar durante os próximos anos. Um dos grandes problemas, argumenta Murgueitio, se encontra no fato de que a intermediação das EPSs e o setor de Medicina Particular se encontram no centro do sistema, enquanto os médicos e as clínicas, assim como o interesse dos pacientes, são excluídos do sistema.

O oftalmologista colombiano Luis Guillermo Isaza, que está cursando um mestrado em Miami (EUA) afirma que para ele e sua família é mais rentável viver de uma bolsa de estudos do que trabalhar na Colômbia, pois para poder manter o seu poder aquisitivo, o médico trabalhava em 5 diferentes companhias. Desta forma, agrega Isaza, o tempo que podia se dedicar ao estudo e pesquisa era mínimo, debilitando a qualidade de seus serviços.

O Futuro

Quanto ao futuro, a globalização mundial pressionará as entidades a serem mais competitivas para poder competir por clientes em diferentes lugares do mundo. Murgueitio e Baptiste concordam na afirmação de que a Internet, assim como a integração regional na América Latina, farão com que a medicina seja diferente.

A possibilidade de realizar alianças estratégicas entre entidades de diferentes países, o envio de resultados de avaliações aos usuários através da Internet, entre outros aspectos, farão da medicina colombiana uma das mais competitivas da região.

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