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Artigos de saúde

Candidíase Vulvovaginal

Especialista detalha aspectos da doença e orienta sobre cuidados

A candidíase vaginal encontra-se no rol das vaginites não sexualmente transmissíveis (mais de 85% dos casos são de origem endógena) e, devido a sua grande incidência, merece lugar de destaque na ginecologia.

Segundo o ginecologista/obstetra, Dr. Adalberto de Carvalho Valle Netto, a cândida é um fungo que coloniza habitualmente alguns locais do organismo, podendo, em condições especiais tornar-se patológico. Ela pode trazer infestações em cavidade oral e pulmões, e é mais comum em pacientes imunodeprimidos, como pacientes aidéticos, transplantados que fazem uso de drogas imunossupressoras para evitar a rejeição, etc.

O tratamento dessa patologia nem sempre é tão simples e, de acordo com o médico, pode exigir, às vezes, o uso prolongado de medicação para obter a sua cura. Isso se deve ao fato de muitas vezes as pessoas considerarem a candidíase um problema corriqueiro. "Muitas vezes, negligenciada por profissionais não-médicos que se julgam habilitados a prescrever alguma medicação para o tratamento da cândida - uma conseqüência da auto-medicação" diz o especialista.

Com isso, normalmente aparecem casos rebeldes ao tratamento, trazendo grande angústia, tanto para a paciente quanto para o seu médico, destaca.
O Dr. Valle informa que o quadro clínico da candidíase vaginal é bastante típico. Normalmente este problema se apresenta como um corrimento genital branco, gomoso (aspecto de requeijão), prurido genital intenso, hiperemia vulvar, dor à micção. No entanto, apesar da tipicidade deste quadro clínico somente estará habilitado a realizar tal diagnóstico, o ginecologista após realizar minucioso exame local e da secreção.

O exame da secreção é de grande importância pela simplicidade na sua realização, podendo ser feito no próprio consultório, bastando para isso que se tenha um microscópio, uma lâmina e solução fisiológica a 0,9%. O exame é feito através da coleta de uma pequena quantidade de secreção com uma espátula usada para colher citologia, conhecida como espátula de Ayre, e, coloca-se a mesma sobre uma lâmina. Basta pingar uma gota de soro fisiológico e levarmos ao microscópio, onde poderemos identificar as pseudo-hifas, imediatamente.

Além do exame da secreção, outro exame de grande importância e, também, de fácil e rápida execução é a determinação do pH vaginal, que é possível de ser realizado através do uso de uma fita apropriada. A determinação do pH é importante porque a cândida não sobrevive em pH alcalino.

Diagnóstico

O ginecologista frisa que somente o exame clínico, seguido de exame fresco da secreção é suficiente para se formular o diagnóstico de candidíase. Os exames mais complexos na sua execução, conseqüentemente de maior custo, implicam na necessidade de pessoal treinado e ambiente propício para a sua realização (laboratórios de análises clínicas e microbiologia), como o exame de cultura. "Isto para os casos específicos, rebeldes ao tratamento, por exemplo".

O tipo mais comum de cândida, de acordo com o médico, está relacionado com a vulvovaginite, sendo conhecida como cândida albicans, porém, além dela existem outros tipos, também relacionados com a vulvovaginite como a cândida glabrata.

A candidíase é uma patologia que apresenta maior incidência no período do verão, principalmente devido ao uso de vestuário inadequado como calças apertadas, roupas íntimas de lycra, o que mantém alta a umidade local favorecendo o crescimento desse fungo. Outros fatores importantes envolvidos com o aparecimento da candidíase são o uso de pílulas anticoncepcionais, principalmente com alta dose de estrogênios, o uso de antibióticos, o estresse, gravidez, doenças e drogas imunossupressoras, entre outros.

Existe uma classificação, chamada de classificação de Omaha da candidíase vulvovaginal. A primária se divide em vulvovaginite com envolvimento predominantemente vulvar e vaginite com envolvimento vulvar relativamente pequeno. Na candidíase vulvovaginal induzida por antibióticos, ela pode ser secundária à terapia sistêmica para uma condição não vulvovaginal e vaginite recidivante (que volta). Na candidíase vulvovaginal influenciada sistemicamente, ela pode acontecer durante a gravidez através de altas doses de contraceptivos estrogênicos, pelos esteróides, diabetes mellitus e na disfunção das células T, na forma congênita e adquirida.

Tratamento

O médico informa que o tratamento deve ser diferenciado, dependendo de cada caso, evitando sempre a universalização do tratamento, como "receita de bolo". Para isso devemos conhecer a história mais completa possível durante a anamnese, pois isto vai permitir identificar e diferenciar com mais precisão os casos mais simples, como por exemplo, um primeiro episódio, como também, os casos mais complicados, como as situações de candidíase de repetição ou ainda aqueles relacionados com outras patologias e que não responderam a tratamentos anteriores, etc.

Para o tratamento da candidíase vulvovaginal, o médico explica, que é possível fazer um tratamento exclusivamente oral, local ou a associação deles dois. No tratamento oral da candidíase não complicada, geralmente é adotada , a dose única diária ou fracionada por um único dia. Tal medida encontra respaldo em dois fatores principais, através de maior adesão ao tratamento de um dia, se comparado com tratamentos mais prolongados e na sua eficácia, pois tais drogas apresentam concentrações inibitórias mínimas por um período suficiente para erradicar a cândida, exemplifica.

Os principais sais usados para tratamento de um dia são o Fluconazol e o Itraconazol - medicamentos que mostraram um bom resultado com melhora acentuada dos sintomas em apenas vinte e quatro horas.

Para o tratamento tópico, indicamos os cremes vaginais a base de Nitrato de Miconazol que poderão ser usados por sete dias consecutivos, preferencialmente à noite através de aplicadores vaginais descartáveis, facilitando o seu uso e tornando-o mais higiênico. Existem ainda no mercado, óvulos intravaginais, para uso em dose única, a base de Nitrato de Isoconazol que reservamos para uso em pacientes jovens, pois nessas pacientes o uso de tratamentos tópicos por tempo prolongado leva a uma queda da auto-estima, gerando a interrupção precoce do tratamento e, conseqüentemente ao tratamento inadequado.

Na gravidez, recomendamos apenas o tratamento tópico, pois os antifúngicos orais não são recomendados. Além do tratamento medicamentoso, é importante frisar o cuidado com algumas medidas comportamentais, como uso de roupas íntimas de algodão e roupas mais largas, principalmente em um país tropical como o nosso.
O ginecologista recomenda ainda que é sempre aconselhável procurar um médico diante de alterações genitais como os corrimentos, tão comum na vida das mulheres. "Somente um médico poderá fazer um diagnóstico correto para que o tratamento seja eficaz evitando, com isso, gastos desnecessários com medicações que não farão efeito", finaliza.

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