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O Século XXI deve Irradiar Felicidade Feminina

Traçando um paralelo entre a situação sócio-jurídica da mulher panamenha, francesa e brasileira, a médica Claude Verges de López, membro do Instituto da Mulher da Universidade Nacional do Panamá, afirma: tanto em seu país quanto no Brasil há uma grande dificuldade na aplicação das leis que regulamentam os direitos femininos. "Somente a partir do acesso à informação é que a mulher pode fazer valer seus direitos", preconiza.

"No que diz respeito ao aspecto jurídico, atualmente a situação mais avançada está na França, onde as leis reconhecem às mulheres o direito ao trabalho, ao descanso; à proteção à maternidade, à segurança do emprego; ao programa de contracepção e ao aborto, afirma López, para quem, tanto no Brasil quanto no Panamá existem leis que protegem a mulher com relação ao trabalho e à maternidade, mas, "dependendo de sua situação social nem sempre tais leis são aplicadas".

Como resultado do incipiente e difícil acesso das mulheres à informação - constatado nos três países - Verges cita o crescente número de adolescentes que engravidam sem planejamento e destaca a importância da educação na formação da mulher. "A informação pode proporcionar uma sexualidade segura e harmoniosa. Entretanto, há um grande atraso em seu desenvolvimento tanto no Brasil, quanto na França e Panamá, onde cada vez mais adolescentes se tornam mães", observa.

Para a pesquisadora, esse tipo de gravidez muitas vezes está ligado ao fato de a mulher abandonar a escola e, assim, ter dificuldades em prosseguir com sua formação universitária. A superação desta realidade passa ainda pelo desenvolvimento de novos projetos de educação sexual. Lembrando que "cabe aos governos o papel de estabelecer o marco legal para que as mulheres tenham seus direitos garantidos", Verges ressalta a importância dos veículos de comunicação de massa. Segundo ela é necessário dar visibilidade à nova mulher que vive nestes tempos globalizados e reverter sua imagem negativa que a própria media ajudou a construir junto à sociedade.

O maior desejo da Dra. López é a plena realização da mulher do século 21: "uma mulher capaz de decidir e viver, junto com seu companheiro ou companheira, o que realmente quer. Que venha a ser uma mulher tão feliz que possa irradiar esse estado de espírito a seu redor". Para tanto, ela sugere a participação dos meios de comunicação, que, conscientes de seu papel social, deveriam promover a informação de forma objetiva. "Guardados os preceitos éticos, sem lesar a dignidade de ninguém, a imprensa tem o poder de incentivar a devida participação das próprias mulheres e dos diversos profissionais a essa ligados, como os da área da saúde, sociólogos, psicólogos, historiadores", orienta.

Uma outra preocupação da médica envolve a concepção que a sociedade criou sobre a beleza, explorada maciçamente pela indústria. "Se uma pessoa se sente bem por estar realizada em seu corpo, trabalho, família e amores, ela é linda; é bela. É claro que eu não sou contra falar de beleza. Sou contra a exploração desse conceito em produtos comerciais. Primeiro porque exige gastos por parte da pessoa, que pode até comprometer seu bem estar geral por essa causa. Segundo, porque só se focaliza o aspecto físico da beleza", critica Claude.

Autora de "Mujer Ngobe: Salud y Enfermedad", Claude também considera fundamental uma mudança da forma como o meio médico vê o feminino. "A medicina tem que deixar de ver a mulher como uma pessoa doente. É extremamente necessário a prevenção de doenças e a promoção da saúde; devendo-se não só saber curar, como também reabilitar o ser humano", desafia. Considerando-se ainda o fato de os médicos terem acesso ao conhecimento científico sobre o corpo feminino, Claude propõe que a categoria - junto com outros profissionais como psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais e enfermeiras - deva participar ainda levando informação às mulheres e, assim, propiciar a essas maior condição de optar pelo que é melhor para suas vidas.

Claude de López, que esteve no Brasil para debater a questão do Corpo das Mulheres, durante o Encontro realizado pela Universidade Federal do Estado de Minas Gerais, no Brasil, avalia: "este foi um momento rico e muito interessante, pois possibilitou o intercâmbio de experiências e disciplinas entre profissionais de vários países. Nos reunimos com professores de história, médicos, sociólogos, e outros profissionais; o que garantiu um proveitoso intercâmbio entre todos. Ademais, as intervenções do público demonstrou seu alto poder crítico e interesse pelas exposições", analisa a panamenha.

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