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Artigos de saúde

A Prescrição de Drogas Anti-Hipertensivas entre Profissionais de Saúde

A hipertensão arterial é conceituada como uma síndrome caracterizada pela presença de níveis altos da pressão do sangue dentro das artérias, associados a alterações do metabolismo, dos hormônios e do aumento principalmente dos vasos sanguíneos e do coração. E traz, como conseqüências, alterações em vários órgãos: para o coração, o aumento do risco de infarto; para o cérebro, o aumento das possibilidades de ocorrência de um derrame cerebral; para os rins, o risco de insuficiência renal, dentre várias outras doenças.

O número de pessoas com hipertensão arterial é elevado, estimando-se que mais de 50 milhões de norte-americanos adultos possam ser rotulados como hipertensos. Cerca de 40% da população negra e mais da metade de toda a população maior de 60 anos de idade têm pressão alta. Embora seja mais comum em adultos, o número de crianças e de adolescentes que apresenta esta doença não é desprezível.

Como a hipertensão é considerada um dos principais fatores responsáveis pelo aumento dos casos de invalidez e de morte, ela tem sido alvo de atenção a nível mundial, estando os profissionais da área de saúde interessados em ampliar e aperfeiçoar os métodos de diagnóstico e de tratamento da hipertensão arterial.

Além da hipertensão, há vários outros fatores de risco para doenças cardiovasculares, tais como o hábito do fumo, o diabetes mellitus, níveis elevados de colesterol no sangue, a idade acima de 60 anos, homens, mulheres após a menopausa, historia familiar de infarto, obesidade, sedentarismo e estresse.

O tratamento da hipertensão envolve o uso de drogas anti-hipertensivas unido a um tratamento não medicamentoso, em que se indica uma redução do peso corporal, uma redução do uso de sal, uma redução da ingestão de bebidas alcóolicas, a prática regular de uma atividade física, o abandono do tabagismo, o controle do colesterol com a diminuição do consumo de alimentos gordurosos, o controle do diabetes e medidas anti-estresse. Essas medidas não medicamentosas envolvem uma mudança no estilo de vida de forma permanente, o que para muitos pacientes é extremamente difícil. Cabe aos profissionais da área de saúde esclarecer os possíveis riscos que os pacientes estão sujeitos enfatizando a necessidade do controle destes riscos.

Apesar de ser conhecido o fato de que a hipertensão é um fator importante para o aparecimento de doenças cardíacas e outras, a adesão dos pacientes ao tratamento é baixa. Contraditoriamente, mesmo os pacientes que recebem informações mais acuradas sobre os riscos que esta patologia envolve, parecem não aderir ao tratamento. Por outro lado, parece que os médicos que estimam os fatores de risco dos pacientes como um conjunto e com mais profundidade, recomendam com menos freqüência o início do tratamento.

O estudo

Tentando estabelecer se a adesão ao tratamento depende do conhecimento ou não pelo hipertenso dos reais transtornos que a pressão alta pode trazer para sua saúde, e se a prescrição médica está ou não baseada em uma procura mais acurada dos riscos de cada paciente, um pesquisador norueguês, Dr Nick Steel (da School of Health Policy and Practice, University of East Anglia) estabeleceu um estudo comparando o limite com que os especialistas, os clínicos gerais, as enfermeiras e a população em geral dariam início ao uso de drogas anti-hipertensivas. Para isso, ele enviou um questionário para esses profissionais e para um grupo de pessoas leigas, todos escolhidos aleatoriamente. Nesse questionário, o pesquisador formulou várias situações hipotéticas de risco, ou seja, ele criou pacientes fictícios que apresentavam graus variados de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, nos quais o tratamento traria benefícios diferenciados, de forma que, em alguns desses pacientes, o tratamento diminuiria muito a chance de complicações, e em outros (aqueles sem outros fatores de risco associados, por exemplo), nos quais o tratamento não teria um efeito protetor.

Resultados e conclusões

O trabalho mostrou que os especialistas indicariam o tratamento para mais pacientes e que os clínicos gerais indicariam em cerca da metade dos indicados pelos especialistas, e que as enfermeiras e a população em geral só indicariam tratamento em apenas um terço desses pacientes.

O pesquisador acredita que o tratamento da hipertensão está sujeito ao julgamento dos riscos que cada pessoa faz sobre si mesma. E o estudo mostrou também que o julgamento sobre os riscos difere muito de pessoa a pessoa.

O autor acredita que apesar do fato das situações serem hipotéticas, este estudo representa uma situação real. O questionário se referia mais à redução do risco de morte do que à do risco de doenças que podem surgir com a hipertensão, sem, no entanto, causarem morte. Ele acredita que as pessoas entendem melhor o risco de morte do que o risco de uma doença não-fatal, e nessas situações de risco de morte a adesão ao tratamento é maior.

Já é sabido que nos pacientes com 60 anos de idade, ou mais, o tratamento reduz o risco de morte e de doenças não fatais, enquanto que em adultos jovens, há poucas evidências de que o tratamento reduza a mortalidade, mas parece que tem um efeito protetor em relação ao risco de derrame cerebral.

No último consenso da sociedade inglesa de hipertensão, ficou estabelecido que o tratamento da hipertensão deveria ser baseado no risco de desenvolvimento de doenças e de morte, e não propriamente nos níveis da pressão arterial. Esta nova tendência faz com que os médicos julguem livremente os riscos de cada paciente. Portanto, o autor acredita que principalmente os especialistas devam aceitar que os pacientes e que seus colegas profissionais participem da decisão sobre o início do tratamento, e se o mesmo vai ou não valer a pena.

Fonte: BMJ 2000;320:1446-1447 ( 27 May )

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