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Artigos de saúde

Pacientes Começam a Ter Acesso a Informações Médicas pela Internet

A cada dia, um número crescente de pacientes nos Estados Unidos está usando a internet e o e-mail para procurar informações de saúde e comunicar-se com médicos e hospitais.

Porém esse uso ainda é muito limitado e deixa muito a desejar, apesar do número de pessoas que usam a internet estar aumentando dramaticamente em todo o mundo. Essa limitação decorre principalmente da existência de diferenças sociais, econômicas e raciais.

Muitos sistemas de saúde, hospitais e médicos já oferecem serviços pela internet, mas estes precisam saber quantas e quais as pessoas que têm acesso a essa tecnologia, pois muitos pacientes, por suas condições financeiras, não podem ter computador e nem acesso a este, sendo dessa maneira excluídos dos benefícios da medicina pela internet.

Portanto, faz-se necessário um estudo para análise do acesso a informações de saúde via internet, e para isso o conhecimento do número de pessoas que usam ou que podem ter acesso à internet, em casa, no trabalho ou na escola.

O estudo

Para tentar estudar as formas como se dá esse acesso, pesquisadores dos Estados Unidos (da Divisão de Medicina de Urgência e Endocrinologia do Children’s hospital of Havard medical School), liderados pelo Dr. Kenneth D. Mandl, conduziram um estudo que tinha como objetivos: medir a taxa de acesso e uso regular da internet e e-mail, determinar os aspectos sociais, econômicos e raciais desse acesso e medir a mudança do uso e acesso da internet durante um ano, comparando os dados obtidos nesse trabalho com um outro trabalho similar realizado em 1998.

Os resultados dessa pesquisa foram publicados na revista Arch Pediatr Adolesc Med de maio de 2000. Os pesquisadores avaliaram pacientes do centro de pediatria de urgência do Havard medical School, entrevistando seus pais ou os próprios pacientes maiores de 16 anos.

Os estudos foram realizados de 12 de fevereiro a 21 de abril de 1999. Esse hospital atende cerca de 50 mil pacientes por ano e cobre 60 % da população infantil de Boston. Foram excluídos desse estudo as crianças com quadros agudos, as que necessitavam de atendimento de emergência e as que não falavam inglês ou espanhol.

Os participantes tinham que informar sua renda familiar anual, raça, nível de escolaridade de seus pais e acesso ou uso da internet e e-mail. Foram entrevistados 214 pacientes, e desses menos de 5% falavam espanhol; a grande maioria estava acompanhada pela mãe e mais da metade dos entrevistados eram brancos. Os resultados foram considerados significativos e foram ajustados de acordo com a raça, a renda familiar e o nível de escolaridade dos pais.

Resultados

Por volta de três quartos da população estudada relataram acesso à internet ou e-mail, o que representou um aumento de aproximadamente 40% em relação ao estudo de 1998. O número de pacientes que usavam de forma regular a internet ou e-mail se manteve quase inalterado em relação ao estudo anterior.

O acesso fora de casa era a grande maioria, sendo feito em geral no trabalho, bibliotecas públicas, escolas e casas de amigos e familiares, respectivamente. O estudo também mostrou que o uso e o acesso à internet era diretamente proporcional à renda familiar anual.

Mais da metade dos pacientes, com renda anual de 20 mil dólares ou menos, relatou acesso à rede (um número um pouco maior do que o encontrado no ano retrasado) e praticamente toda a população com renda anual maior que 60.000 dólares, tinha acesso à internet. Os pacientes brancos tinham mais acesso do que os negros e asiáticos, mas os pacientes hispânicos eram os que menos a acessavam.

Portanto, o estudo mostrou que a conectividade está diretamente correlacionada com a renda familiar e está distribuída desigualmente entre as raças e etnias. E que, apesar do grande aumento do número de pessoas com acesso à internet, muitas pessoas economicamente ativas permanecem ainda desconectadas.

Mas os autores acreditam que isso pode mudar, pois o preço dos computadores está caindo, permitindo que um número cada vez maior de pessoas tenha alcance a eles; novas tecnologias estão sendo criadas, como o equipamento que irá permitir a conexão com a rede através da televisão a cores e, além do mais, se um efetivo serviço de saúde via rede for providenciado, facilitar a aquisição de equipamentos pela sociedade, representa uma relação custo-benefício melhor do que sobrecarregar o atendimento em hospitais e órgãos de saúde.

Esta pesquisa também mostrou que a taxa de acesso revelou-se maior que a taxa de uso regular. Dentre os pacientes com acesso, cerca de dois terços usam a internet regularmente e consultam seus e-mails pelo menos uma vez ao dia.

Esse fato mostra que o uso da internet na saúde poderia ser prático, se mais pessoas que têm acesso à internet a usassem regularmente. Isso poderia ser conseguido, por exemplo, através de cursos básicos sobre a internet, ensinando os pacientes como usar seus serviços fora e dentro de casa.

Os autores acreditam que os resultados desse estudo podem ter sidos generalizadamente limitados, mas a população estudada representa bem a população norte-americana.

Por fim, concluíram que durante o último ano muitos pacientes obtiveram acesso à internet e e-mail, mas as taxas de uso regular mantiveram-se inalteradas. O acesso é na sua maioria feito fora de casa, além disto este acesso é desigualmente distribuído entre as diversas classes sociais e grupos étnicos.

Fatores sociais como, a renda familiar, limitam o acesso de certos grupos e isso pode provocar disparates em relação à provisão de serviços de saúde pela rede.

Portanto, os provedores de saúde pela internet e os engenheiros que criam os softwares deveriam reconhecer que o acesso à internet é feito quase sempre fora de casa, e por isso os aplicativos para serem efetivos deveriam ser criados de modo que os usuários nômades pudessem fazer uso dessa tecnologia.

Fonte: Arch Pediatr Adolesc Méd. 2000; 154:508-511

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