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Artigos de saúde

Maior Uso de Café Diminui a Incidência da Doença de Parkinson

Nas próximas décadas, o aumento da população de idosos, sob risco de desenvolver a doença de Parkinson, torna importante a identificação de fatores que promovam ou previnam o surgimento da doença.

Várias pessoas famosas, em diversas áreas de atuação, são portadoras desta doença como, por exemplo, o papa John Paulo II, o Michael J. Fox e o boxeador Muhammad Ali.

Um novo estudo acaba de revelar uma interessante associação na prevenção do problema: aquelas pessoas que saboreiam com freqüência sua xícara de café podem estar na verdade, se protegendo contra a doença de Parkinson.

Esta foi a conclusão a que chegaram pesquisadores do Department of Veterans Affairs de Honolulu, no Havaí; os resultados do estudo foram publicados no exemplar de 24 de maio de 2000 da revista JAMA - Journal of the American Medical Association.

A doença

Desde a sua descrição pela primeira vez por James Parkinson, no ano de 1917, a doença de Parkinson se tornou reconhecida como um dos distúrbios neurológicos mais comuns em pessoas idosas. Uma variedade de tipos inclui (1) pós-encefalítica, (2) arteriosclerótica, (3) induzida por medicamentos, e (4) idiopática.

Aproximadamente um milhão de indivíduos são afetados pela doença de Parkinson nos Estados Unidos, e cerca de 40.000 a 50.000 novos casos são identificados anualmente. isto corresponde a 3% da população com mais de 65 anos; o mal de Parkinson é uma fonte significativa de morbidade e de uso de serviços médicos.

Esta condição se estabelece mais comumente entre as idades de 55 e 60 anos. Ela pode ocorrer em idades mais jovens ou mesmo aos 80 anos de idade. A doença é igualmente comum em homens e mulheres. Ela tem sido identificada em todas as raças, nas quais esta doença neurológica tem sido cuidadosamente estudada e nas quais a duração de vida de cada indivíduo é longa o bastante para que a doença se manifeste.

Em relação à origem do problema, a maioria das pessoas com doença de Parkinson está incluída na categoria idiopática, ou seja, deconhecida. Geralmente não existe um ponto claro de quando a doença tem início.

O sintoma inicial mais comum que os pacientes se lembram de relatar é o desenvolvimento de tremores, geralmente começando em um lado do corpo e, mais freqüentemente, no membro superior. Os tremores normalmente se estendem para envolver ambos os lados.

A maioria dos pacientes se lembra de que, quando começou a ter tremores, percebeu uma tendência à lentidão, com as atividades da vida diária se tornando cada vez mais difíceis de executar. Os pacientes geralmente descrevem este fenômeno de lentidão como "rigidez" ou "fraqueza".

Os médicos acreditam que a degeneração cerebral que ocorrem na velhice leva à perda de uma substância cerebral chamada de dopamina. Este seria um fator básico desencadeante do mal de Parkinson.

O estudo

O objetivo da pesquisa foi avaliar associação entre o uso de café na dieta e o risco de desenvolver o mal de Parkinson.

O novo trabalho foi liderado pelo Dr. G. Webster Ross, e consistiu na análise da informação obtida de 8.004 homens de origem japonesa- americana, com idades entre os 45 a 68 anos (idade média de 53 anos) quando estudados. Estes dados foram obtidos ao longo de trinta anos de pesquisas; tratavam-se de pessoas listadas no acompanhamento do Honolulu Heart Program.

Os participantes foram perguntados acerca de seu hábito em consumir café. Deste grupo de 8.004 entrevistados,102 homens acabaram por desenvolver a doença da Parkinson ao longo do tempo.

Nos resultados obtidos, verificou-se que os homens que bebiam café apresentavam uma incidência significativamente menor da doença, em relação aos homens que não bebiam café. A cada retorno dos pacientes, o aumento da quantidade de café consumido foi associado com uma diminuição da incidência da doença da Parkinson.

A diferença observada entre os dois grupos (cafeístas e não-cafeístas) foi tão grande que os homens que não consumiam café apresentavam uma probabilidade de desenvolver o mal de Parkinson cinco vezes maior do que aqueles que bebiam de 4 a 5 xícaras de café por dia.

A dúvida

Porque uma bebida, que em geral excita as pessoas, seria capaz de reduzir o risco de uma doença caracterizada tipicamente por tremores? Os pesquisadores parecem concordar que o uso regular da cafeína pode acabar por contrabalançar o processo de degeneração cerebral existente no mal de Parkinson, e que se relaciona com a baixa da substância dopamina. Não se sabe ainda se o café exibiria este mesmo tipo de efeito no sexo feminino.

Segundo os autores, este é o primeiro estudo prospectivo que demonstra uma associação inversa significativa entre o consumo de café e a incidência da doença de Parkinson.

A possibilidade de que a cafeína venha a apresentar um efeito protetor contra esta doença deve ser mais investigada, relatam os pesquisadores, com mais pesquisas epidemiológica se, clínicas, e de ciências básicas.

Fonte: Geriatria Prática - 2ª Ed. - 1997.
JAMA 2000;283:2674-2679

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