Publicidade

Artigos de saúde

Jovens Agressivos Tem Maior Tendência a Doenças Coronárias

Diversos fatores, incluindo psíquicos e sociais, e características específicas da personalidade, podem estar relacionadas com o surgimento das doenças das artérias coronárias.

Entre estes fatores conhecidos, a hostilidade é um fator preditor previamente associado com a calcificação coronária, uma entidade ligada à aterosclerose subclínica.

A hostilidade apresenta vários componentes entre eles o cinismo e a desconfiança, a raiva, e a agressão reprimida. Além disso, estudos anteriores demonstram que pessoas hostis têm uma propensão a apresentar respostas endócrinas prolongadas ao estresse crônico ou psicológico, associados a episódios recorrentes e prolongados de raiva.

Assim, por exemplo, em um trabalho publicado em janeiro de 2000 na revista do Journal of Health Psychology, verificou-se que pessoas que relataram níveis mais altos de raiva ou irritabilidade eram mais propensos a apresentar isquemia (quadro de diminuição da circulação no coração) durante o teste ergométrico; e ainda, o fato de ter uma personalidade dominante, poderia relacionar-se a doenças do coração, segundo publicado na revista Psychosomatic Medicine em março do ano 2000.

E em maio deste ano, pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte informaram que pessoas que ficam com raiva facilmente, têm o dobro de propensão de ter um ataque cardíaco ou morrer subitamente por doença cardíaca do que pessoas mais calmas, em artigo publicado na revista Circulation.

A aterosclerose

A aterosclerose tem início insidioso, através da presença de uma ou mais placas ateromatosas em determinado ponto de uma artéria, provocando estreitamento de sua luz. Na fase inicial, o exame físico do paciente é normal.

Com a evolução da doença e na medida em que aumenta o volume da placa ateromatosa e, portanto, o efeito da estenose, começam a surgir os sintomas, manifestados no coração através de angina, que surge inicialmemente aos maiores esforços.

À medida que aumenta a placa, a angina também aumenta, surgindo a esforços cada vez menores, e finalmente até mesmo durante o repouso (em repouso, há necessidade da presença de estenose de 85 a 95% de um vaso de grande calibre para haver limitação do fluxo). O quadro final seria a obstrução completa da artéria e a ocorrência de um infarto do miocárdio, algumas vezes seguido de morte súbita.

Em alguns casos, o paciente apresenta obstruções coronarianas mas não sente dores no peito, características da angina: é a chamada isquemia silenciosa do coração, fato conhecido há quase meio século, mas que até hoje permanece não elucidado quantos aos possíveis mecanismos responsáveis pela não percepção do sofrimento isquêmico.

O surgimento da aterosclerose depende de uma seqüência de eventos, resultantes da interação de elementos sangüíneos com a parede arterial e modificados por fatores de risco. O transporte de gorduras, alterações do fluxo sangüíneo, a interação das diferentes células sangüíneas com a parede arterial, a liberação local de substâncias e de hormônios seriam capazes de desempenhar funções importantes nessa seqüência.

Especula-se, no momento, se a hostilidade e a agressividade acentuadas não teriam um papel na gênese da aterosclerose, causando uma lesão direta na parede interna das artérias através da liberação de substâncias hormonais, que acabariam por causar a aterosclerose.

A pesquisa

Assim, muitos mecanismos foram propostos para explicar porque a hostilidade aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Pesquisadores do Kaiser Permanente Medical Care Program, Northern California Region, em Oakland, California, sob a liderança do Dr. Carlos Iribarren, estudaram 347 pessoas com idades variando entre 18 a 30 anos, e de ambos os sexos.

Os níveis de hostilidade foram medidos através das respostas dadas pelos pacientes a 50 questões do tipo verdadeiro-falso. O endurecimento das artérias foi determinado através da obtenção de imagens computadorizadas do coração.

Exames de seguimento tardio foram realizados 5 e 10 anos após a o início do estudo. o estudo recebeu o nome de Coronary Artery Risk Development in Young Adults - CARDIA - ("Risco de desenvolvimento de lesões em artérias coronárias nos adultos jovens"). Os resultados da pesquisa foram publicados na revista JAMA ( Journal of the American Medical Association) no dia 17 de maio de 2000.

Nos resultados obtidos, as pessoas que atingiram altos níveis de hostilidade no questionário, apresentaram uma possibilidade duas vezes e meia maior de evoluírem com quadros de aterosclerose (deposição de placas de gordura nas artérias que levam ao seu endurecimento e posterior classificação), do que aqueles com menor hostilidade em suas respostas.

Uma outra observação feita foi a de que pessoas com caráter cínico de desconfiança estão também muito relacionadas à aterosclerose, porém em grau um pouco menor do que aquelas pessoas com hostilidade.

Os autores verificaram ainda que a hostilidade constante se relacionou a um grande número de variáveis, tais como sexo, raça, idade, nível educacional, consumo de álcool, o fato de ser um fumante, e a alterações na pressão arterial sistólica.

Entretanto, ao se ajustarem estes itens na análise estatística, os pacientes com alta hostilidade mantinham a maior tendência de calcificação das artérias coronárias.

Uma das limitações do estudo foi que não teve possibilidade de avaliar estatisticamente as interações relacionadas aos níveis de hostilidade ao sexo, e entre os níveis de hostilidade às raças branca e negra.

Devido a isso, os cientistas questionam ser a hostilidade tem um papel igual no surgimento da aterosclerose em grupos de raças e sexo diferentes; segundo os autores, este pormenor exige mais estudos no futuro.

A conclusão final dos pesquisadores é de que os seus resultados são consistentes com a hipótese de que a hostilidade pode contribuir para o desenvolvimento da aterosclerose coronária, não apenas através de maus hábitos de saúde, como por exemplo o uso abusivo do álcool e do cigarro, mas também através de outros mecanismos fisiológicos.

Estes mecanismos seriam uma hiperreatividade cardiovascular, picos de hipertensão arterial pela manhã, aumento da atividade das plaquetas (células responsáveis pela formação de coágulos no sangue), e diminuição da resposta dos receptores beta adrenérgicos (que respondem a determinados medicamentos diminuindo a pressão do sangue), permitindo que a pressão arterial aumente nestas pessoas hostis e agressivas.

Fonte: JAMA 2000;283:2546-2551

Copyright © 2000 eHealth Latin America



Publicidade

Dicionário Médico

Digite o termo desejado

buscar

Ou clique na primeira letra do termo: