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Artigos de saúde

Mentalidade, Conflitos, e a Terceira Idade

A questão da mentalidade quanto à terceira idade também tem grande importância. Ao celebrar o jovem e a juventude, nossa sociedade mantém a idéia de rejeição à terceira idade agravando os aspectos negativos velhice, como a dependência, a improdutividade e a depressão. Há um ciclo vicioso que mantém continuamente a idéia de que é melhor ser jovem. O maior elogio que se pode fazer a uma pessoa é dizer-lhe que aparenta ser mais jovem do que sua verdadeira idade.

Está arraigado em nossa sociedade o culto pela juventude, gerando a idéia que se deve sempre aparentar-se mais jovem do que a verdadeira idade. “O jovem é que possui as verdadeiras qualidades”, é o que se pensa. Ao contrário de outras épocas em que o idoso era celebrado em detrimento ao jovem. Dentro deste ambiente favorável, a indústria do rejuvenescimento está em plena expansão, lançando no mercado vários medicamentos para o " combate à velhice ".

O preconceito contra a terceira idade é absolutamente cruel e inadmissível. A associação de terceira idade com doenças, problemas de comportamento e limitações as mais variadas não tem espaço no pensamento do mundo moderno. Nossa sociedade já demonstra alguma reação contrária a esta situação, com a criação de cursos, clubes e entidades voltadas para a Terceira Idade, mas ainda é muito pouco.

Além do crescimento da população de idosos está previsto também um aumento importante da renda per capita, que evidentemente será desigual quando compararmos países do primeiro com países do terceiro mundo. Isto permite prever que os recursos do terceiro mundo serão inferiores aqueles do primeiro, mas com uma população tão ou mais envelhecida que a do primeiro mundo.

A sociedade brasileira apresenta características conflitantes, recebendo influências do primeiro mundo, ao mesmo tempo convivendo dramaticamente com problemas do terceiro mundo.

O Brasil também apresenta, como o mundo desenvolvido, uma melhora na expectativa de vida do idoso. Entretanto nosso país sofre uma situação muito complicada: apresenta doenças típicas do primeiro mundo, como as suas principais causas de morte (moléstias cardíacas e câncer, por exemplo) sem ter erradicado os males do mundo subdesenvolvido (desnutrição, infecções, etc.). Esta situação gera um estado caótico nos setores de saúde e de previdência social, que somado à carência de dinheiro, agrava muito a perspectiva para o idoso.

O aumento previsto da população de idosos tende a agravar a situação, salvo ocorram profundas mudanças na política governamental tanto no que diz respeito à assistência medica quanto à previdência.

Em nosso país ainda não há uma política clara de assistência aos mais velhos. A nossa estrutura hospitalar ainda está voltada para a população infantil ou materno-infantil, estando mal aparelhada para receber doentes idosos e suas eventuais complicações, como o diabetes, câncer, etc. O modelo atual de Previdência Social é absolutamente inconsistente, pagando um salário mínimo para 70% dos aposentados. O sistema previdenciário atual compreende a relação absurda de dois contribuintes para cada beneficiário. Esta situação leva os idosos a procurar outras alternativas para melhorar seus baixos rendimentos, disputando vagas no mercado de trabalho.

Dr. João Roberto D. Azevedo

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