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As Cirurgias de Adenóides e de Amígdalas Tem Um Valor Limitado no Tratamento de Crianças com Otites de Repetição

A cirurgia para remover os tecidos adenóides deveria ser um último recurso para crianças que têm infecções de repetição nos ouvidos (otites).

É o que dizem pediatras do Hospital of Pittsburgh, Estados Unidos, em estudo publicado na última semana no Journal of the American Medical Association - JAMA.

A otite média é uma preocupação importante para os pais, pois se trata de uma das mais comuns doenças em crianças.

Esta infecção pode causar dores de ouvido intensas, uma perda temporária de audição, zumbido, febre, secreção purulenta. Algumas crianças têm infecções de repetição. As adenóides são nodos linfáticos localizados na parte de trás do nariz, que podem causar infecções reincidentes quando estão aumentadas.

A adenoidectomia (retirada das adenóides) e a adenotonsilectomia (retirada das adenóides e das amígdalas) são cirurgias comumente em crianças para reduzir a ocorrência de otites médias persistentes ou reincidentes, mas as evidências que apóiam a eficácia destas operações é limitada.

Em 1994, o último ano para o qual estatísticas estão disponíveis, ocorreram 140.000 adenoidectomias e 286.000 adenotonsilectomias em crianças americanas com menos 15 anos.

Para saber se o tratamento cirúrgico era apropriado para crianças com otites médias, 461 crianças com otite média persistente dividiram as crianças em grupos: em um deles, foram removidas as adenóides; em outro, as adenóides e as amígadalas, e em outro, nenhuma delas (grupo controle).

Nos resultados, foram encontrados alguns dados benéficos que favoreceram a cirurgia: no primeiro ano, as crianças operadas tiveram uma média de 1,4 infeções do ouvido, contra 2,1 para aquelas no grupo de controle. Percentualmente, isto representou 18,6 % de infeções nas crianças operadas contra 29,9% no grupo de controle.

O ponto negativo foi que quase 15 por cento das crianças que se operaram tiveram complicações cirúrgicas. A complicação mais comum foi a hemorragia, e a mais perigosa foi a hipertermia maligna, um aumento súbito da temperatura que pode ser fatal.

Avaliando os dados obtidos, os autores concluíram que ambas as operações parecem ter eficácia limitada, e que devido à existência de riscos inerentes ao procedimento cirúrgico, morbidade e custos, a cirurgia não deveria ser considerada como uma intervenção inicial em crianças.

Ao invés da cirurgia, deveriam ser usados antibióticos e outros tratamentos não-cirúrgicos para controlar infecções reincidentes de ouvido, como uma primeira medida. A cirurgia para remoção das adenóides estaria justificada segundo os autores se, após a inserção de tubos no conduto auditivo, a criança mantivesse quadro persistente de otite.

Fonte: JAMA 1999;282:945-953

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