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Endometriose: Uma Causa de Infertilidade que Pode ser Tratada

Uma grande preocupação dos casais que não podem ter filhos é como fazer driblar a natureza e alcançar o posto da paternidade e maternidade. Como uma das possíveis causas de infertilidade, a endometriose era tida até bem pouco tempo, como um problema que atingia na sua maioria mulheres melhor colocadas sócio-culturalmente. Mas as coisas não são bem assim como esclarece a mestre em ginecologia e obstetrícia, Cláudia Navarro Carvalho Duarte Lemos, que nos mostra um pouco mais além dessa perspectiva, levando-nos a conhecer mais detalhadamente o real problema da endometriose, suas causas, tratamento e principalmente sua relação com a infertilidade.

A médica esclarece que a endometriose é a presença do tecido endometrial fora do seu local normal, que seria a cavidade uterina. Clinicamente ela se manifesta pela presença de dor pélvica, principalmente no período menstrual (dismenorréia). Esta cólica não é aquela comum desde a primeira menstruação, mas sim, uma dor que vem aumentando progressivamente. Outros sintomas são a dispareunia - dor durante a relação sexual -, perda de sangue na urina ou dor para defecar, quando o grau da endometriose é mais severo acometendo a bexiga e o intestino.

Na endometriose, nem sempre a manifestação clínica está de acordo com o grau de lesões da doença. Podemos ter pacientes totalmente assintomáticas com lesões severas à cirurgia. Por outro lado existem pacientes com uma clínica muito severa e uma endometriose apenas leve e até mesmo mínima, esclarece a especialista.

Alterações

A classificação da endometriose é feita com base na presença e no tamanho das lesões. Atualmente a American Society for Reproductive Medicine lançou uma nova classificação que leva em consideração não apenas a localização e o tamanho do foco, mas ainda o tipo de lesão, uma vez que este fator também parece alterar o prognóstico da fertilidade da paciente.

Dessa forma, lesões brancas, mais claras ou apenas alterações do peritônio predeterminam um prognóstico melhor se comparado àquele inspirado por lesões escuras. Mas este diagnóstico só é feito com certeza através de cirurgia ou vídeolaparoscopia , geralmente com biópsia das lesões suspeitas.

Segundo a médica, o diagnóstico é exclusivamente cirúrgico. Podemos ter suspeitas de endometriose pelos sintomas clínicos, diagnóstico ultrassonográfico ou outros métodos de imagem, mas eles deixam dúvidas em função de não detectarem pequenas lesões com pequenos implantes peritonais ou aderências. Estes métodos seriam usados na detecção de cistos endometrióticos ou endometriomas. Também a dosagem sérica do CA 125 ou TATI que são marcadores tumorais, mas esses exames são poucos específicos porque podem estar alterados em uma série de outras patologias. Alguns autores recomendam estes exames para fazer o controle de cura ou de uma possível recorrência da doença.

A partir daí, o tipo de tratamento vai depender se a paciente quer engravidar ou não. Considerando que sim, no caso de endometriose mínima ou leve já é quase consenso que apenas o tratamento medicamentoso não iria melhorar a fertilidade da paciente. A opção é tentar induzir a ovulação nessas pacientes. Outras alternativas seriam uma inseminação artificial, ou ainda a fertilização In vitro. Isso no caso de uma endometriose moderada ou severa e mesmo nos casos da mínima que não responde a uma indução ou inseminação intra-uterina.

Agora, as pacientes que não querem engravidar vão se beneficiar com os vários tipos de tratamento que vão desde o uso continuado de anticoncepcional oral, até o uso de drogas mais potentes como o Danazil, a gestrinona ou os análogos de GnRH. Esse tratamento deve ser feito durante um período mínimo de seis meses. Algumas vezes é preciso que se faça, após o tratamento, uma segunda vídeolaparoscopia para estudar a evolução da doença.

Não está comprovado que o tratamento, mesmo por um período de 6 a 9 meses iria melhorar as chances de gravidez da paciente, mas existe uma melhora significativa dos sintomas da patologia após o tratamento. Esse tratamento é indicado principalmente para aquelas mulheres que apresentam dismenorréia importante, destaca a médica.

Escolha

A especialista explica ainda que geralmente, o tratamento é hormonal onde utilizamos, no início o citrato de clomifeno - droga anti- estrogênica utilizada como primeira escolha na indução da ovulação. Depois podemos recorrer às drogas mais potentes que são as gonadatrofinas e também o uso de análogo do GnRH, mais para inibir o eixo hipotalâmico e hipofisário para depois entrarmos com a indução da ovulação propriamente dita. No caso da endometriose severa, Cláudia Navarro enfatiza que para o tratamento da infertilidade, os melhores resultados seriam a fertilização in vitro ou bebê de proveta.

Chance

A chance de uma mulher com endometriose se engravidar pela fertilização in vitro é praticamente semelhante às outras que vão procurar o serviço. Isso obviamente vai depender se não existe nenhum fator, como por exemplo, o masculino associado e também da idade da paciente. Acima dos 35 anos existe uma queda muito grande da fertilidade independente da presença ou não endometriose. Parece que está comprovado que a endometriose pode aparecer a partir da puberdade. Mas como ela é uma doença progressiva, a tendência é de se manifestar mais tardiamente em torno de terceira ou quarta década de vida. As lesões brancas e as lesões achocolatadas ou azuis (pelo depósito de hemossiderina) são mais encontradas nas pacientes um pouco mais maduras. Além disso, parece existir alguma relação entre a endometriose e a hereditariedade. Em pacientes com endometriose que possuem de parentes de primeiro grau com a patologia, em maior proporção que as outras pacientes, "não se sabe ainda como seria essa herança genética", frisa a médica.

A médica faz questão de explicar que o conceito de endometriose atingir mais uma determinada camada social, paciente de nível socio-cultural mais elevado é uma coisa que está mudando, pois se acredita que essas mulheres tenham maior acesso ao diagnóstico do problema. A endometriose é encontrada em até 10% dessas pacientes. Esses aumentos em camadas sociais superiores podem estar relacionados a uma maior facilidade de acesso a vídeolaparoscopia e ao diagnóstico da doença.

A especialista Cláudia Navarro relata que a causa da infertilidade do casal ser a endometriose é um ponto que deve ser bem estudado, por muitas vezes ela coexiste com a infertilidade sem contudo ser a causa. Antes de se falar que a causa da infertilidade é a endometriose, é muito importante que se afaste todos os outros fatores possíveis causadores dessa provável dificuldade de engravidar. É preciso lembrar que a infertilidade em 40% das vezes é de origem feminina, 40% masculina e 20% das vezes - uma associação dos dois, finaliza.

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