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17 de junho de 2026 (Bibliomed). Pobres têm maior risco de morrer por câncer, mesmo com menor incidência de casos nesse grupo. É o que indica estudo realizado na Unicamp, em São Paulo.
De acordo com os pesquisadores, os dados mostraram que a mortalidade por câncer pode ser três vezes maior ente os mais vulneráveis, evidenciando problemas que vão do diagnóstico tardio ao acesso aos tratamentos.
O estudo envolveu a análise de dados de dez anos (2010 a 2019) cruzando três bases oficiais para identificação de casos de câncer e de mortalidade, e o Índice Relativo de Desigualdade (RII), que permite comparar o risco de adoecimento e morte entre diferentes grupos socioeconômicos ao longo do tempo.
Entre os problemas identificados no estudo estão a dependência exclusiva do SUS, maior tempo de espera para exames e consultas, o que leva a diagnósticos tardios, e com a doença em estágio mais avançado, a menos chances de cura.
O tipo de câncer também influenciou no risco de morte: no câncer de próstata, homens pobres têm até 3 vezes mais chances de morte; no câncer de útero, as mulheres de classes socioeconômicas inferiores têm até 3,6 mais chances de morrer; e para cânceres na cavidade oral, o risco de morte é de 3,3% maior.
Os dados mostraram que a população pobre é mais vulnerável ao câncer de estômago, e tem crescido especialmente entre as mulheres. Quando analisado o câncer de mama, as mulheres de maior renda tendem a ter mais casos, mas com melhor prognóstico devido ao diagnóstico precoce. Enquanto isso, mulheres pobres tendem a descobrir a doença em estágios mais avançados, diminuindo as chances de cura.
Os pesquisadores constataram aumento nas mortes de mulheres por câncer de pulmão, enquanto a mortalidade por câncer colorretal foi maior entre os homens, especialmente entre os mais pobres.
Fonte: Cancer Epidemiology. DOI: 10.1016/j.canep.2026.103102.
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