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Cantores famosos morrem quatro anos mais cedo do que cantores desconhecidos

14 de abril de 2026 (Bibliomed). Muitos já ouviram falar do infame "Clube dos 27" - uma lista de ícones da música como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain e Amy Winehouse, todos falecidos muito jovens, aos 27 anos. Agora, novas pesquisas corroboram a ideia de que a própria fama pode ser fatal. O estudo, realizado na Universidade Witten Herdecke, na Alemanha, descobriu que cantores famosos tendem a morrer, em média, quatro anos mais cedo do que seus pares não famosos.

Os pesquisadores afirmaram que já se sabe há muito tempo que, como grupo, cantores famosos tendem a ter vidas um pouco mais curtas do que o público em geral. Mas será que isso se deve especificamente à fama, ou simplesmente ao fato de serem músicos que trabalham em uma indústria difícil?

Para ajudar a responder a essa pergunta, os pesquisadores compararam a longevidade de 648 cantores, metade dos quais havia alcançado a fama e a outra metade não. Cada um dos cantores "estrelas" foi comparado o mais fielmente possível a um colega não famoso em termos de ano de nascimento, sexo, nacionalidade, etnia, gênero musical e se era cantor solo ou vocalista principal de uma banda.

Mais de quatro quintos dos cantores eram homens e 61% eram da América do Norte. A maioria (77%) era branca, enquanto 19% eram negros. O rock dominou (65%), seguido pelo R&B (14%) e pelo pop (9%). Apenas artistas ativos entre 1950 e 1990 foram incluídos, e os óbitos foram registrados até dezembro de 2023.

A principal conclusão: o estudo revelou que cantores famosos geralmente viviam em média até os 75 anos, enquanto cantores não famosos viviam em média até os 79 anos.

O aumento relativo no risco de morte só se tornou evidente depois que um cantor alcançou a fama, e então permaneceu estável ao longo de toda a vida do cantor. Ser um artista solo era mais arriscado: fazer parte de uma banda estava associado a um risco de morte 26% menor em comparação com seguir carreira solo.

Os pesquisadores enfatizaram que o estudo era observacional e só podia apontar associações, não relações de causa e efeito. No entanto, eles observam que uma redução de quatro anos na expectativa de vida coloca a fama em pé de igualdade com outros importantes fatores de risco para a saúde, como o tabagismo. Embora a fama aumente em 33% as chances de morte prematura entre cantores, o tabagismo eleva o risco de morte prematura em 34%, apontaram os pesquisadores.

De que forma a fama pode potencialmente acelerar a morte? Os pesquisadores acreditam que a resposta pode estar no "estresse psicossocial único que acompanha a fama, como o intenso escrutínio público, a pressão por desempenho e a perda de privacidade”. Esses fatores estressantes, segundo os autores, podem alimentar o sofrimento psicológico e comportamentos de enfrentamento prejudiciais, tornando a fama um fardo crônico que amplifica o risco ocupacional existente.

Fonte: Journal of Epidemiology & Community Health. DOI: 10.1136/jech-2025-224589.

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