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23 de março de 2026 (Bibliomed). Há muito se sabe que o consumo excessivo de álcool causa danos tóxicos ao fígado. De fato, a doença hepática associada ao álcool é uma das principais causas de morte relacionada ao fígado em todo o mundo. Agora, um estudo realizado na Virginia Commonwealth University, nos Estados Unidos, indica que a maconha pode ajudar a proteger o fígado de pessoas que consomem álcool em excesso.
No novo estudo, os pesquisadores acompanharam a saúde do fígado de um grupo de mais de 66.000 pessoas ao longo de três anos. Todos os participantes haviam sido diagnosticados com transtorno por uso de álcool entre 2010 e 2022. Eles foram divididos em três grupos: um em que os participantes também haviam sido diagnosticados com transtorno por uso de cannabis; um segundo em que os participantes usavam cannabis, mas não eram dependentes; e um terceiro que não usava cannabis de forma alguma.
Os resultados mostraram que entre os pacientes diagnosticados com transtorno por uso de cannabis, as taxas de doença hepática alcoólica (DHA) foram 40% menores em comparação com o grupo que não consumia maconha. O grupo com transtorno por uso de cannabis também apresentou um risco 17% menor de complicações hepáticas graves e um risco 14% menor de morte por qualquer causa. O estudo constatou que pessoas que consumiam álcool em excesso e usavam maconha em níveis não dependentes também apresentaram alguma proteção contra doenças hepáticas.
Segundo os autores, ainda não se sabe ao certo como a cannabis pode proteger o fígado. Eles mencionaram estudos anteriores com animais que sugerem que o CBD pode reduzir a inflamação e o estresse oxidativo nesse órgão. O acúmulo de excesso de gordura no fígado é uma das principais causas da doença hepática alcoólica (DHA), e é possível que o CBD possa ajudar as células do fígado a processar a gordura com mais eficiência.
Os pesquisadores ressaltam que estes resultados não incentivam as pessoas a consumirem maconha, pois a droga traz seus próprios riscos à saúde, especialmente entre os usuários mais jovens. Eles agora pretendem se aprofundar no estudo para entender quais partes da maconha poderiam ser usadas para elaboração de um medicamento.
Fonte: Liver International. DOI: 10.1111/liv.70401.
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