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Pobreza e dívidas aumentam as chances de morte prematura

18 de março de 2026 (Bibliomed).Dois novos estudos apontam que a pobreza e o endividamento aumentam o risco de uma pessoa morrer jovem. Publicados publicados na edição de novembro da revista The Lancet Public Health, os estudos sugerem que pessoas com renda familiar abaixo da linha da pobreza ou com níveis crescentes de endividamento no início da vida adulta têm maior probabilidade de morte prematura. Além disso, os resultados mostraram que quanto mais tempo se passa em situação de pobreza ou com níveis crescentes de dívida, maior o risco de morte prematura.

Realizados na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, ambos os estudos utilizaram dados do National Longitudinal Survey of Youth 1979, um estudo que acompanhou pessoas nascidas nos Estados Unidos entre 1957 e 1964.

O primeiro estudo constatou que, de mais de 5.600 participantes, 8% sempre viveram em situação de pobreza; 33% frequentemente em situação de pobreza; outros 33% às vezes em situação de pobreza; e 26% nunca viveram em situação de pobreza durante um período de acompanhamento de 20 anos. Os resultados mostraram que aqueles que sempre viveram em situação de pobreza apresentaram um risco 2,5 vezes maior de morte prematura, em comparação com um aumento de 53% no risco para aqueles que frequentemente viviam em situação de pobreza e de 10% para aqueles que às vezes viviam em situação de pobreza.

O segundo estudo analisou dados de quase 7.000 participantes referentes às suas dívidas não garantidas — dívidas de cartão de crédito ou empréstimos estudantis não vinculadas a nenhum bem. Os pesquisadores explicam que essa categoria de dívida acarreta taxas de juros mais altas e não contribui para o acúmulo de riqueza, sendo mais estressante e onerosa do que outros tipos de dívida e sinalizar restrições adicionais de recursos. Portanto, é particularmente importante estudá-la como um determinante social da saúde. Os resultados mostraram que as pessoas cujas dívidas não garantidas aumentaram ao longo do tempo apresentaram um risco 89% maior de morte prematura, em comparação com aquelas cujas dívidas permaneceram consistentemente baixas.

Essa relação dose-resposta entre pobreza, endividamento e morte pode, em parte, explicar por que a pobreza parece ser mais prejudicial à saúde nos EUA do que em outras nações com taxas de pobreza semelhantes, explicaram os autores. Eles completaram que nos EUA, os indivíduos nos quintis de riqueza mais baixos têm muito menos probabilidade de ascender a um quartil de renda mais alto do que em outras nações ricas, e o apoio social e médico insuficiente disponível nos EUA para indivíduos de baixa renda agrava os danos da pobreza.

Fonte: The Lancet Public Health. DOI: 10.1016/S2468-2667(25)00227-0.

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