Muitas mortes por overdose podem ter sido registradas como parada cardíaca

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Medicina

Estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriu que uma em cada seis mortes cujo atestado de óbito traz “parada cardíaca súbita” pode, na verdade, ter sido ocasionada por overdose de drogas.

Para os pesquisadores responsáveis pelo estudo, a descoberta tem amplas implicações para as estimativas epidemiológicas de mortalidade por overdose [mortes], particularmente mortalidade por opioides.

No novo estudo, os pesquisadores examinaram primeiro os relatórios pós-morte de 525 mortes em São Francisco rotuladas após a autópsia como "mortes cardíacas fora do hospital". Uma equipe de médicos especialistas – um médico legista, um patologista cardíaco, um neurologista e dois cardiologistas/eletrofisiologistas cardíacos – revisou os laudos, que foram registrados entre 2011 e 2014. Outros 242 relatórios post mortem, desta vez de 2014 a 2017, também foram revisados ​​com os mesmos critérios.

Os pesquisadores observaram que, com base em sua análise – incluindo testes de toxicologia post-mortem – 15% dos casos de "morte cardíaca" tabulados em 2011-2014 envolveram uma overdose de drogas, assim como cerca de 22% das mortes no grupo de 2014-2017.

Entre esses casos recém-descobertos de overdose fatal, mais de dois terços da coorte anterior foram encontrados vinculados ao uso de um opioide, assim como cerca de metade na coorte posterior. A equipe também enfatizou que, em muitos casos, vários "tóxicos" estavam presentes nos resultados dos testes de toxicologia – estimulantes, maconha, sedativos e álcool entre eles.

Para os pesquisadores, se os dados de São Francisco forem replicados em outro lugar, pode haver "uma subestimativa substancial do verdadeiro fardo" das mortes relacionadas às drogas em nível nacional, porque essas mortes estão "mascaradas como mortes cardíacas súbitas". Segundo eles, para ajudar a diminuir esses números, é fundamental direcionar esforços na prevenção e tratamento do transtorno do uso de opioides, envolvendo profissionais de saúde mental, conselheiros e professores para detectar os primeiros sinais de alerta de dependência.

Fonte: Annals of Internal Medicine. DOI: 10.7326/M20-0977.

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