Artigos de saúde
© Equipe Editorial Bibliomed
A cervicite é uma inflamação do colo do útero, região localizada na parte mais baixa do útero e que se comunica com a vagina. Muitas mulheres nunca ouviram falar nessa condição, mas ela é relativamente comum e pode estar relacionada a infecções sexualmente transmissíveis, como clamídia, gonorreia e tricomoníase. Em alguns casos, também pode ocorrer por irritação local, trauma, uso de produtos químicos, dispositivos intrauterinos ou alterações da flora vaginal.
Um ponto importante é que a cervicite pode ser silenciosa. Muitas mulheres não apresentam sintomas ou têm manifestações leves, que acabam sendo confundidas com outros problemas ginecológicos. Quando aparecem, os sintomas mais comuns são corrimento vaginal aumentado, corrimento amarelado ou com odor, sangramento fora do período menstrual, sangramento após relação sexual, dor pélvica, dor durante a relação, ardência ao urinar, coceira ou irritação genital.
A avaliação médica é essencial porque os sintomas não permitem identificar com segurança a causa da inflamação. Durante a consulta, o ginecologista pode perguntar sobre ciclo menstrual, gestações, exames preventivos anteriores, uso de preservativo, número de parceiros, histórico de infecções sexualmente transmissíveis e presença de dor, corrimento ou sangramentos anormais. Essas perguntas ajudam a orientar a investigação e não devem ser motivo de constrangimento. Elas fazem parte do cuidado adequado à saúde da mulher.
No exame ginecológico, o médico pode observar sinais como vermelhidão, inchaço, secreção saindo do canal cervical e sangramento fácil ao toque. Esses achados sugerem inflamação, mas não mostram qual microrganismo está causando o problema. Por isso, exames complementares podem ser necessários.
Entre os principais exames estão os testes moleculares, como PCR ou NAAT, capazes de detectar clamídia e gonorreia com maior precisão. Também pode ser feita pesquisa para tricomoníase, vaginose bacteriana, herpes genital e, em casos persistentes, Mycoplasma genitalium. Em algumas situações, o médico pode solicitar exame microscópico da secreção, medida do pH vaginal, cultura, teste para sífilis, HIV, hepatites ou outros exames para infecções sexualmente transmissíveis. Quando há lesões suspeitas no colo do útero, sangramento inexplicado ou exame preventivo atrasado, podem ser indicados Papanicolau, teste de HPV, colposcopia ou biópsia.
O tratamento depende da causa. Como clamídia e gonorreia estão entre as causas mais importantes, o médico pode iniciar tratamento antes mesmo do resultado dos exames em pacientes com maior risco, sintomas importantes ou possibilidade de não retorno à consulta. Os antibióticos mais usados incluem doxiciclina, azitromicina, ceftriaxona e metronidazol, conforme o agente suspeito ou confirmado. A escolha do medicamento, dose e duração deve ser feita pelo profissional de saúde, levando em conta gestação, alergias, exames e risco de outras infecções.
Durante o tratamento, é fundamental evitar relações sexuais até completar a medicação e até que os sintomas desapareçam. Essa orientação também vale para o parceiro, quando ele precisar ser tratado. O tratamento apenas da mulher, sem avaliação e tratamento do parceiro sexual, pode levar à reinfecção. Por isso, parceiros recentes devem ser informados, avaliados e tratados quando indicado.
A cervicite não tratada pode trazer complicações. A infecção pode subir para o útero, trompas e pelve, causando doença inflamatória pélvica. Essa condição pode provocar dor pélvica crônica, infertilidade, maior risco de gravidez ectópica e complicações na gestação. Em gestantes, algumas infecções associadas à cervicite podem aumentar o risco de parto prematuro, ruptura precoce da bolsa e problemas para o recém-nascido.
Algumas medidas ajudam na prevenção. O uso de preservativo reduz o risco de infecções sexualmente transmissíveis. Consultas ginecológicas regulares, realização do Papanicolau conforme orientação médica e testagem para ISTs em situações de risco são atitudes importantes. Mulheres jovens, com novos parceiros, múltiplos parceiros ou parceiro com IST devem conversar com o médico sobre a necessidade de rastreamento, mesmo sem sintomas.
Também é importante evitar automedicação. Corrimento, dor ou sangramento podem ter várias causas, e o uso inadequado de antibióticos pode mascarar sintomas, dificultar o diagnóstico e favorecer resistência bacteriana. Duchas vaginais e produtos íntimos irritantes também devem ser evitados, pois podem alterar a flora vaginal e piorar a irritação local.
A cervicite tem tratamento e, na maioria das vezes, evolui bem quando diagnosticada precocemente. Procurar atendimento diante de corrimento anormal, dor pélvica, sangramento após relação sexual ou suspeita de infecção sexualmente transmissível é uma forma de proteger a fertilidade, a saúde sexual e a qualidade de vida.
Copyright © Bibliomed, Inc.
Veja também
todas as notícias