Artigos de saúde
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Neste artigo:
- Introdução
- Estimativas
- Detecção precoce
- Prevenção
O corpo humano é formado por trilhões de células que crescem, se dividem e morrem de maneira organizada. O câncer surge quando alterações no material genético fazem com que algumas dessas células passem a se multiplicar de forma descontrolada. Com o tempo, elas podem formar tumores, invadir tecidos próximos e, em alguns casos, espalhar-se para outras partes do organismo. Esse processo é chamado de metástase.
O câncer não é uma única doença, mas um conjunto de doenças que podem ter causas, características e tratamentos diferentes. Seu desenvolvimento geralmente envolve a combinação de fatores genéticos, envelhecimento, exposições ambientais, infecções e hábitos de vida. Algumas alterações genéticas são herdadas dos pais, enquanto outras surgem ao longo da vida.
Embora nem todos os casos possam ser evitados, uma parcela importante dos cânceres está relacionada a fatores que podem ser modificados. Além disso, a vacinação contra determinados vírus, a redução da exposição a substâncias cancerígenas e a realização de exames de rastreamento recomendados para grupos específicos podem ajudar a prevenir a doença ou identificá-la em fases iniciais.
O câncer é um dos principais desafios de saúde pública no mundo. O número de casos está relacionado a fatores como envelhecimento da população, crescimento populacional, exposição a fatores de risco e diferenças no acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento.
Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram estimados aproximadamente 20 milhões de novos casos de câncer e 9,7 milhões de mortes pela doença em 2022, em todo o mundo. As projeções indicam que o número anual de novos casos poderá chegar a cerca de 35 milhões em 2050, caso as tendências atuais se mantenham.
Entre os tipos mais diagnosticados mundialmente estão os cânceres de pulmão, mama feminina, cólon e reto e próstata. A frequência varia de acordo com o sexo, a idade, a região e as características da população.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima aproximadamente 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio de 2026 a 2028. Desse total, cerca de 518 mil casos anuais correspondem aos tumores malignos quando os cânceres de pele não melanoma são excluídos.
Entre os homens, o câncer de próstata é o mais frequente, seguido pelos tumores de cólon e reto e de pulmão. Entre as mulheres, o câncer de mama ocupa a primeira posição, seguido pelos cânceres de cólon e reto e do colo do útero, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.
Essas estimativas ajudam a orientar políticas públicas, organizar os serviços de saúde e planejar ações de prevenção e tratamento. Também reforçam a importância de ampliar o acesso à informação, à vacinação, aos exames recomendados e ao diagnóstico oportuno.
A detecção precoce é uma das estratégias mais importantes para o controle do câncer. Quando a doença é identificada em fases iniciais, as possibilidades de tratamento bem-sucedido geralmente são maiores, embora os resultados dependam do tipo de tumor e de suas características.
Existem duas estratégias principais: o diagnóstico precoce e o rastreamento. O diagnóstico precoce ocorre quando uma pessoa apresenta sinais ou sintomas e procura atendimento para investigar sua causa. Já o rastreamento é realizado em pessoas sem sintomas, por meio de exames indicados para determinadas faixas etárias ou grupos de risco.
A avaliação médica pode incluir exame físico, exames de imagem, análises laboratoriais e, quando necessário, biópsia. A escolha depende da suspeita clínica. Um exame alterado não significa necessariamente câncer, e a confirmação da doença geralmente exige investigação complementar.
Entre os exames utilizados na detecção de tipos específicos de câncer estão:
- Mamografia: utilizada no rastreamento do câncer de mama em faixas etárias definidas pelas recomendações de saúde pública. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda prioritariamente o exame a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos no SUS. Outras situações podem exigir avaliação individualizada.
- Rastreamento do câncer do colo do útero: o teste molecular para detectar o DNA do papilomavírus humano (HPV) oncogênico passou a ser o exame primário previsto nas diretrizes brasileiras de 2025, com implementação progressiva. Onde esse teste ainda não está disponível, o exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, continua sendo utilizado.
- Rastreamento do câncer colorretal: exames como testes de sangue oculto nas fezes e outros métodos podem ser empregados conforme a idade, o histórico familiar, os sintomas e as diretrizes adotadas. A colonoscopia também pode ser indicada em situações específicas.
- Avaliação da próstata: o exame de PSA, realizado por meio de análise de sangue, e o toque retal podem ajudar na investigação de alterações da próstata. Entretanto, a realização desses exames em homens sem sintomas deve considerar os benefícios, os riscos e as preferências individuais, pois o rastreamento pode produzir resultados falso-positivos e levar a investigações ou tratamentos desnecessários.
Outros exames, como tomografia, ultrassonografia, ressonância magnética e endoscopia, são utilizados conforme a suspeita clínica ou em situações específicas de maior risco. Eles não devem ser realizados indiscriminadamente para procurar todos os tipos de câncer em pessoas sem sintomas.
Também é importante conhecer os sinais que merecem avaliação médica, como caroços persistentes, sangramentos sem causa aparente, feridas que não cicatrizam, mudanças em pintas, tosse persistente, dificuldade para engolir e alterações prolongadas do funcionamento intestinal ou urinário. Esses sintomas podem ter diversas causas, mas devem ser investigados quando persistem ou são incomuns.
Pessoas com histórico pessoal de câncer, síndromes genéticas hereditárias ou vários familiares com determinados tipos de tumor podem precisar de acompanhamento diferenciado. Nesses casos, a avaliação médica pode definir a necessidade de exames antecipados, intervalos menores ou aconselhamento genético.
É importante lembrar que nem todo câncer possui um exame de rastreamento eficaz. Por isso, a realização de exames deve seguir recomendações específicas, evitando tanto atrasos na investigação de sintomas quanto procedimentos desnecessários.
A prevenção do câncer envolve medidas que reduzem a exposição a fatores de risco e, em alguns casos, impedem o desenvolvimento de doenças ou lesões que poderiam evoluir para tumores. Embora não seja possível evitar todos os tipos de câncer, mudanças no estilo de vida e ações de saúde pública podem diminuir significativamente o risco de diversas formas da doença.
Entre as principais medidas preventivas estão:
- Não fumar: o tabagismo está relacionado a vários tipos de câncer, incluindo os de pulmão, boca, garganta, esôfago, bexiga e pâncreas. Evitar o cigarro e outros produtos derivados do tabaco, além da exposição à fumaça, é uma das medidas mais importantes para reduzir o risco.
- Evitar bebidas alcoólicas: o consumo de álcool está associado ao aumento do risco de câncer de boca, garganta, esôfago, fígado, intestino e mama. Quanto menor o consumo, menor tende a ser o risco relacionado ao álcool.
- Manter um peso saudável: o excesso de gordura corporal está relacionado a diferentes tipos de câncer, incluindo os de intestino, mama após a menopausa e endométrio.
- Praticar atividade física: movimentar o corpo regularmente ajuda a controlar o peso e está associado à redução do risco de alguns cânceres. Caminhadas, ciclismo, dança e outras atividades podem ser incorporadas à rotina conforme as condições de saúde de cada pessoa.
- Adotar uma alimentação equilibrada: priorizar frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais e outros alimentos in natura ou minimamente processados contribui para a saúde. É recomendável limitar o consumo de carnes processadas, como salsicha, presunto, linguiça e bacon, além de evitar o consumo excessivo de carne vermelha e de alimentos ultraprocessados.
- Proteger a pele do sol: a exposição excessiva à radiação ultravioleta aumenta o risco de câncer de pele. Procurar sombra, usar roupas protetoras e aplicar protetor solar são medidas importantes, especialmente nos horários de maior intensidade solar.
- Manter a vacinação em dia: a vacina contra o HPV previne infecções responsáveis por grande parte dos casos de câncer do colo do útero e também contribui para prevenir outros tumores relacionados ao vírus. A vacina contra a hepatite B ajuda a prevenir a infecção crônica que pode levar ao câncer de fígado.
- Prevenir e tratar infecções: alguns agentes infecciosos estão associados ao câncer. A infecção pela bactéria Helicobacter pylori, por exemplo, aumenta o risco de câncer de estômago. Quando indicada, a investigação e a erradicação da bactéria fazem parte dos cuidados médicos.
- Reduzir exposições ocupacionais e ambientais: medidas de proteção no trabalho e o cumprimento das normas de segurança ajudam a diminuir o contato com substâncias cancerígenas, como o amianto e determinados produtos químicos.
A alimentação saudável merece atenção especial. Embora estudos associem o consumo de frutas, verduras e alimentos ricos em fibras a benefícios para a saúde e à redução do risco de alguns tumores, nenhum alimento isolado garante proteção contra o câncer. Também não há evidências suficientes para recomendar suplementos vitamínicos ou antioxidantes como estratégia geral de prevenção em pessoas sem deficiência nutricional.
Existem ainda estratégias preventivas específicas para pessoas com risco elevado. Em determinadas situações, medicamentos podem reduzir a probabilidade de desenvolvimento de alguns tumores, e cirurgias preventivas podem ser consideradas para pessoas com mutações genéticas associadas a riscos muito altos. Essas intervenções exigem avaliação especializada, pois apresentam benefícios, efeitos adversos e limitações.
Por fim, prevenir o câncer não depende apenas das escolhas individuais. O acesso à vacinação, à alimentação adequada, a ambientes livres de fumaça, à proteção ocupacional e aos serviços de saúde também é essencial. A combinação de hábitos saudáveis, medidas de saúde pública, exames indicados para cada grupo e investigação rápida de sintomas suspeitos oferece as melhores oportunidades para reduzir o impacto da doença.
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