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Especialistas Alertam Para Saúde de Crianças que Vivem na Rua

WASHINGTON (Reuters Health) - Milhões de crianças em todo o mundo vivem nas ruas e recorrem às drogas para enfrentar o estresse da vida diária, afirmaram especialistas na terça-feira. Os Institutos Nacionais de Saúde (NHI) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) estão tentando avaliar as necessidades dessas crianças.

Estima-se que 100 milhões de jovens vivem e/ou trabalham nas ruas em todo o mundo.

"Eles são submetidos a um enorme estresse", disse Andrew Ball, do Departamento de Saúde e Desenvolvimento da criança e do adolescente da OMS, à Reuters Health. Como resultado, muitos usam drogas para enfrentar o estresse.

Inalantes, solventes, tabaco, álcool, heroína, cocaína e meta-anfetaminas estão entre as drogas usadas por meninos de rua, segundo os especialistas.

"Não existem muitas pesquisas nos Estados Unidos (ou no exterior) sobre isso", afirmou Patricia Needle, diretora do programa internacional do Instituto Nacional de Consumo de Drogas, dos NHI, à Reuters Health. "Não sabemos muito sobre os efeitos neurológicos e fisiológicos destas drogas sobre crianças em desenvolvimento", acrescentou Needle.

Cerca de 10 por cento das 100 milhões de crianças de rua de todo o mundo são completamente ignoradas por suas famílias e vivem por conta própria, afirmou Donald Kaminsky, especialista em medicina preventiva e diretor do Fungar, uma fundação com sede em Honduras. São essas crianças as que mais tendem a usar drogas.

"Esses 10 por cento são aquelas com quem estamos realmente preocupados", afirmou Kaminsky. Ele explicou que, originalmente, meninos de rua eram um problema exclusivo das grandes cidades, mas o problema está se disseminando e já aparece em cidades pequenas e médias de países em desenvolvimento.

"A falta de moradia é, por si só, um grande fator de risco em termos de saúde, um fator mais importante até do que a epidemiologia ou a cultura do país", alertou Kaminsky.

Crianças que vivem na rua apresentam maior incidência de problemas dermatológicos, gastrintestinais e dentários, que, além disso, se manifestam com maior intensidade. Elas também correm mais risco de sofrer traumatismos e de contrair doenças sexualmente transmissíveis.

Especialistas destacam que os principais fatores que fazem a criança tentar a sorte nas ruas são a pobreza e os abusos físicos ou sexuais que sofriam em casa.

Guerras, migrações, agitações políticas, o impacto da Aids e desastres naturais também contribuem para o aumento do número de crianças que vivem ou trabalham nas ruas.

Nos países em desenvolvimento, são crianças - algumas com apenas 5 ou 6 anos de idade - que vivem nas ruas, enquanto nas nações desenvolvidas são os adolescentes que enfrentam a condição de sem-teto.

Kaminsky e Needle disseram à Reuters Health que crianças tendem a cheirar cola e solventes, enquanto os mais velhos apelam para as drogas.

Autoridades do Instituto Nacional de Consumo de Drogas e a OMS organizaram um encontro de dois dias em Marina Del Rey, Califórnia, para reunir especialistas internacionais que desenvolvam programas para as questões sociais e de saúde enfrentadas pelas crianças de rua.

Sinopse preparada por Reuters Health

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