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Ser feliz pode ter um lado ruim?

24 de maio de 2011 (Bibliomed). A busca pela felicidade está se tornando uma obsessão que pode trazer resultados opostos àquele pretendido. Estudo publicado na revista científica Perspectives on Psychological Science, fez um levantamento de vários estudos realizados sobre o tema na última década, e mostrou que a busca desenfreada pela felicidade, que parece ser uma marca registrada da época atual, tem um lado negativo - eventualmente, muito negativo.

Segundo o artigo, o sentir-se bem não pode ser pensado como algo universalmente bom e destaca ainda situações em que a felicidade pode ser ruim. A psicologia sugere algumas técnicas para tentar alcançar a felicidade, tais como dedicar um tempo todos os dias para pensar sobre coisas que lhe deixam feliz ou grato, ou a criação de situações que possam fazer você feliz. Contudo, June Gruber, da Universidade de Yale, diz que “quando você está fazendo isso com a motivação ou a expectativa de que essas coisas deveriam fazê-lo feliz, isso pode levar à decepção e à diminuição da felicidade”.

Os pesquisadores concluíram que as pessoas que se sentem extremamente felizes tendem a assumir mais riscos e não pensam mais de forma criativa. Entre esses comportamentos de risco pode-se citar o abuso de drogas, dirigir em alta velocidade ou gastar todas as suas economias. O estudo chama atenção ainda para a "sensação de felicidade de forma inadequada”, que é quando a pessoa se sente feliz em momentos impróprios, por exemplo, quando vê alguém chorando a perda de uma pessoa querida.

Segundo os cientistas, há ainda outro fator que pode prejudicar a vida das pessoas extremamente felizes: elas podem ignorar os sentimentos negativos, que têm sua função na preservação da saúde. O medo, por exemplo, é um sentimento negativo vital para segurança, e o não sentir medo pode levar a riscos desnecessários. Os pesquisadores descobriram ainda, que para a maioria das pessoas a felicidade não está relacionada ao dinheiro, mas sim às relações sociais. Os autores do artigo sugerem que, para ser feliz, deve-se deixar de se preocupar em ser feliz e nutrir os laços de convívio social.

Fonte: Diário da Saúde, 23 de maio de 2011

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