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Embriões Devem Ser Usados e Não Destruídos, Diz Cientista

Por Gideon Long

ROMA (Reuters) - A destruição de embriões humanos que não são utilizados em tratamento de fertilidade é um "desperdício imoral", uma vez que eles poderiam ser utilizados para fornecer células-tronco valiosas, afirmou o cientista que criou a ovelha Dolly.

Rebatendo as críticas de que sua pesquisa não é ética, Ian Willmut, professor do Instituto Roslin, em Edimburgo, disse que a verdadeira imoralidade consiste em jogar fora embriões que poderiam salvar vidas.

"Parece um desperdício, na verdade, um desperdício imoral, jogar fora embriões que poderiam ser usados para desenvolver uma forma potencial de tratamento", afirmou Willmut em uma entrevista coletiva durante um congresso internacional de transplante em Roma.

"No momento, embriões que não são utilizados após tratamento de fertilidade são destruídos. Muitas pessoas poderiam achar melhor usar os embriões para produzir células do que destrui-los", disse Willmut.

Em um discurso durante o congresso na terça-feira, o Papa João Paulo II afirmou que qualquer manipulação do embrião humano é "moralmente inaceitável", mesmo como forma de fim louvável.

"Não estava aqui ontem, de forma que não posso comentar o que o papa disse, mas é claro que existem diversas questões importantes", disse Willmut, acrescentando que cientistas, teólogos e público devem ter uma opinião no debate sobre ética e pesquisa.

Dezenas e possivelmente centenas de milhares de embriões humanos são destruídos em todo o mundo a cada ano, pois não são utilizados em tratamentos de fertilidade. Em alguns países, como Grã-Bretanha, França e Canadá, a lei exige que eles sejam destruídos após um período - normalmente de cinco anos.

Em outros países, como Alemanha e Holanda, embriões congelados podem ser mantidos por tempo indeterminado.

Muitos cientistas gostariam que as leis fossem menos rigorosas e permitissem experimentos com células-tronco embrionárias - células não diferenciadas que, mais tarde, podem se desenvolver em diferentes tecidos do corpo.

Os pesquisadores afirmam que isso poderia ajudá-los a descobrir tratamentos para doença de Alzheimer, lesões na medula espinhal e doenças cardíacas.

"Estas são células no embrião que, após cerca de uma semana, têm a capacidade de formar todos os tecidos de um adulto", explicou Willmut. "Neste estágio, o embrião humano é muito pequeno, tão pequeno que você não consegue vê-lo com seu olho. Ele não tem sistema nervoso. Ele não tem consciência", acrescentou Willmut.

O pesquisador disse que a maioria das pesquisas sobre tratamentos baseados em células envolveria experimentos em embriões de animais.

"Mas para saber se os mecanismos são os mesmos em humanos como em animais teremos que fazer alguns experimentos em embriões humanos", reconheceu Willmut.

A recente decisão britânica que recomenda a expansão da pesquisa de "clonagem terapêutica" suscitou um intenso debate sobre os limites éticos da pesquisa médica.

Os que se opõem às técnicas baseadas em células afirmam que essa decisão dará aos cientistas o sinal verde para criar novos seres humanos, utilizá-los como "partes de transplante" e eliminar o restante.

Eles também avaliam que, inevitavelmente, a política de pesquisa será ditada pelas poderosas empresas farmacêuticas competindo entre si para desenvolver novas drogas potencialmente lucrativas.

"Nossas sociedades decidiram que nossos governos não irão aplicar grandes quantias de dinheiro em pesquisas, de modo que estamos na dependência das empresas", disse Willmut.

"As empresas estão à frente do financiamento, mas isso não significa que elas estão à frente nas escolhas éticas", avaliou Willmut.

Sinopse preparada por Reuters Health

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