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Desorganização nos prontuários impede uso da hemovigilância no Brasil

26 de Abril de 2002 (Bibliomed). O Brasil não tem condições de implementar a hemovigilância - técnica de controle do sangue utilizado em transfusões, desenvolvida na França nos anos 90, capaz de prevenir o aparecimento de doenças e reações adversas nas pessoas que recebem a transfusão, como a Aids. A conclusão é da médica Maria de Fátima Alves Fernandes, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

O ponto de partida do estudo foi uma estatística surpreendente: embora os riscos de se contrair Aids por transfusão de sangue no Brasil sejam elevados (1 em cada 10.330 casos em 1997), as estatísticas oficiais indicam que o número de brasileiros contaminados em transfusões é menor do que nos Estados Unidos, cujo risco de contaminação é bem menor (1 em cada 450.000 casos em 1996). Além disso, apenas três casos de Aids transfusional foram notificados no Brasil no ano de 2000. “Os números apontavam que havia algo errado”, conta Maria de Fátima.

Analisando os 56 casos de Aids registrados no estado de São Paulo em 1999, em pessoas que tinham sofrido transfusão de sangue, a pesquisadora concluiu que é total a precariedade nos processos de documentação da saúde nacional. Embora os registros oficiais afirmem que três – entre as 56 pessoas – contraíram o vírus HIV através de transfusões de sangue, Maria de Fátima descobriu que não há como comprovar a relação entre transfusão de sangue e Aids em nenhum caso.

De acordo com a médica, houve casos em que pacientes não chegaram sequer a sofrer a transfusão de sangue, embora essa informação constasse em sua ficha no hospital. Em outros, a transfusão teria sido realizada em um hospital inexistente. Alguns prontuários, especialmente os de pacientes mais pobres, não foram arquivados corretamente.

A conclusão da médica não poderia ser outra: com tamanhos problemas no registro de dados relativos à saúde dos pacientes, o Brasil não tem condições de utilizar a hemovigilância. “Para se fazer uso de uma técnica cuja principal base é a análise de dados, é necessário que se tenha um melhor controle das informações do sistema de saúde, coisa que não é realidade no cotidiano nacional”, afirma.

Para minimizar o problema, Maria de Fátima sugere maior capacitação dos técnicos de saúde, para que os dados referentes às doenças sejam melhor apurados, e também maior integração entre Vigilância Sanitária e Vigilância Epidemiológica.

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