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Alteradas regras para transplante de fígado

Belo Horizonte, 22 de Março de 2002 (Bibliomed). A partir de agora, entrar na fila de espera para um transplante de fígado não dependerá mais, exclusivamente, da indicação de médicos das equipes de transplante. De acordo com uma resolução do Ministério da Saúde, as regras serão alteradas. Entretanto, a atual lista única, válida para todo o País e preparada de acordo com ordem de inscrição, não será alterada.

O motivo das mudanças é evitar a inscrição precoce de pacientes que não necessitariam de um órgão em caráter de urgência. Há registros de casos de pessoas que tiveram que ceder lugar na fila para outros pacientes porque não precisavam da cirurgia no momento em que foram convocadas para o transplante. Segundo Alberto Beltrami, coordenador do Sistema Nacional de Transplantes, um paciente com hepatite C pode vir a desenvolver cirrose, o que exigiria um transplante. Entretanto, essa é uma doença que não evolui rápido, podendo levar 20 anos para chegar a um estágio que exija o procedimento.

O primeiro passo para dar início às alterações já foi dado. Num prazo de 30 dias, cada estado deverá criar uma Câmara Técnica. É essa Câmara que irá aprovar ou não o paciente, incluindo-o na lista. A Câmara será composta por um coordenador e um representante do conselho de medicina, além de hepatologistas escolhidos pelo gestor estadual do Sistema Único de Saúde (SUS). Também haverá um representante da equipe de transplante. Os nomes do paciente e do médico não serão revelados e os integrantes da Câmara terão que analisar o caso apenas com base no histórico clínico e exames.

A resolução está sendo comemorada por diversas entidades. Carlos Varaldo, presidente do Grupo Otimismo de apoio aos portadores de hepatite C, aplaudiu a mudança. Segundo ele, os médicos estavam inscrevendo os pacientes muito cedo e os que realmente necessitavam de um fígado acabavam ficando no final da lista. Ele disse que, no Rio de Janeiro, um paciente costuma esperar até cinco anos para fazer um transplante. Devido a esse espera, 80% dos pacientes estão morrendo na fila do transplante.

Varaldo acredita que a causa da demora seja a atual desorganização na captação de órgãos e que a nova regra impedirá eventuais casos de suborno para obtenção de uma vaga.

Para realizar um transplante de fígado, atualmente, além da ordem cronológica de inscrição, deve ser considerada a compatibilidade de sangue e de tamanho entre doador e receptor.

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