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Clube dos Celíacos esclarece dúvidas sobre a doença da hipersensibilidade ao glúten

São Paulo, 4 de maio de 2001 (eHealthLA). Há seis anos, a Disciplina de Gastroenterologia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) criou o Clube dos Celíacos, organizando reuniões com grupos de mães de pacientes com a doença celíaca, para intercâmbio de informações, especialmente para a troca de receitas de alimentos sem glúten e para esclarecer dúvidas a respeito da doença. “A doença celíaca é uma intolerância permanente ao glúten, caracterizada por atrofia total ou subtotal da mucosa do intestino delgado e conseqüente má-absorção de alimentos, em indivíduos geneticamente susceptíveis”, explica a médica Vera Lucia Sdepanian, da Unifesp.

A doença celíaca é causada devido a uma alteração genética. A pessoa recebe o gene causador da doença, que pode ou não ser ativado. Algumas condições como estresse, cirurgias e infecções virais são responsáveis pela ativação deste gene. Dessa forma, toda vez que a pessoa ingere um alimento com glúten (proteína presente no trigo, centeio, aveia e cevada), há uma reação que provoca lesão no intestino delgado.

A forma mais freqüente da doença se inicia nos primeiros anos de vida, manifestando-se com quadro de diarréia crônica, vômitos, irritabilidade, falta de apetite, déficit de crescimento, distensão abdominal, entre outros sintomas. “Após semanas ou meses da introdução de glúten na dieta as fezes tornam-se fétidas, gordurosas e volumosas, e o abdome distende”, explica a médica. Às vezes a doença é confundida com o quadro clínico de intestino irritável, colo espástico ou doença de Chron. O diagnóstico é feito por testes sangüíneos (anticorpos anti-gliadina e anti-endomíseo) e biópsias do intestino delgado.

Doenças associadas

Pessoas com doença celíaca costumam apresentar outras enfermidades, como por exemplo, a dermatite herpertiforme (erupção na pele) e também doenças autoimunes, como doença de Addison (envolvendo a glândula adrenal), hepatite crônica ativa autoimune (compromete o fígado), doença de Graves (atinge a glândula tireóide), diabetes melito (dependente de insulina), além de outras.

Alimentação sem glúten

O único tratamento é a dieta sem glúten, isto é, sem trigo, centeio, aveia e cevada para o resto da vida. A rápida melhora com a alimentação e a queda dos anticorpos confirma o diagnóstico. Quando ocorre ingestão de glúten, os níveis sangüíneos dos anticorpos voltam a subir e a doença retorna. “O tratamento da doença celíaca é basicamente dietético. Se a pessoa segue à risca a dieta sem glúten, o intestino delgado cicatriza rapidamente e volta a absorver os nutrientes”, diz a médica. Entretanto, a recuperação completa leva de seis meses a dois anos. O glúten pode estar presente nos alimentos, tanto como ingrediente básico quanto adicionado em alimento processado ou preparado.

Por isso, é essencial ler os rótulos dos alimentos antes de serem consumidos. Embora, a princípio seguir dieta estritamente isenta de glúten possa parecer simples, na prática evidencia-se uma série de dificuldades na manutenção desta dieta não somente por parte do paciente, com também de seus familiares, pois consiste em uma mudança radical do hábito alimentar, principalmente no mundo ocidental.

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