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Substância Cerebral é Relacionada ao Vício e à Obesidade

05 de Fevereiro de 2001 (Bibliomed). Pesquisadores descobriram que uma substância química cerebral relacionada à dependência de drogas também pode contribuir para a obesidade. Eles disseram que a descoberta pode levar a novas formas de suprimir os desejos por comida em pessoas obesas.

Os obesos parecem apresentar menos receptores cerebrais de dopamina, uma substância química que ajuda a produzir as sensações de prazer e satisfação. Esse circuito cerebral anormal também foi encontrado em pessoas dependentes de cocaína, álcool e outras drogas.

A nova descoberta sugere que, sem um número normal de receptores de dopamina, as pessoas obesas podem usar os alimentos para desencadear um efeito similar às drogas nos centros cerebrais de "prazer" da dopamina.

"O sistema da dopamina é nosso sistema de recompensa", explicou Gene-Jack Wang, em entrevista à Reuters Health. "Os obesos podem usar o alimento para compensar um sistema de dopamina disfuncional", acrescentou Wang.

Os pesquisadores do Laboratório Nacional Brookhaven, em Upton, Nova York, compararam imagens cerebrais de dez participantes obesos com as de dez participantes com peso normal.

Wang e sua equipe descobriram que os obesos não só tinham menos receptores de dopamina, mas também que, quanto mais pesada é uma pessoa, menor o número de receptores.

As descobertas estão publicadas na edição de 3 de fevereiro de The Lancet.

A idéia de que os alimentos e as drogas agem nos mesmos centros cerebrais não é nova. Algumas pesquisas anteriores demonstraram que a ingestão alimentar influencia os níveis de dopamina e que drogas que causam dependência são conhecidas por aumentar as concentrações de dopamina, criando sua característica de "ficar viajando".

Alguns cientistas acreditam que, em parte, a alta taxa de uso de drogas e fumo entre pessoas com distúrbios alimentares pode ser explicada por sua maior necessidade de dopamina.

No caso da obesidade, não se sabe se algumas pessoas podem ter um número natural menor de receptores de dopamina que as predispõe a comer em excesso ou se elas perdem os receptores por causa da "superestimulação crônica" de uma vida de consumo de muita comida, disse Wang.

É possível que os padrões alimentares de pessoas obesas possam fazer com que os níveis de dopamina aumentem tanto que seus cérebros compensem diminuindo os receptores.

Wang afirmou que atualmente sua equipe está tentando responder essa questão de "causa e efeito". Se pesquisas futuras confirmarem as descobertas desse estudo, poderá ser possível suprimir o desejo de comer muito com drogas que aumentem a produção de dopamina, de acordo com Wang.

Um tratamento disponível é aquele de sempre -- exercícios, que são conhecidos por elevar os níveis de dopamina, disse Wang. Além disso, as origens da obesidade são complexas, envolvendo uma mistura de fatores genéticos e ambientais. De acordo com Wang, a dopamina é somente um potencial contribuidor.

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