Publicidade

Artigos de saúde

O Enígma Masculino Ante o Planejamento Familiar

As diferenças na sexualidade de homens e mulheres vão muito além de suas especificidades anatômicas. A Dra. Teresa Borja, coordenadora de psicologia da Universidade de San Francisco sustenta que os fatores culturais e educativos, especialmente na América Latina, tem imposto conceitos diferentes para a sexualidade.

A educação desde a infância impõe ao homem um papel de força. Sua maior fortaleza corporal e seu papel de provedor da família tem previlegiado no sexo masculino os aspectos físicos e econômicos, enquanto que o sexo feminino relaciona-se com o lado sensível e emocional.

Homem e natalidade

Através dos séculos, a humanidade tem considerado que o controle da natalidade é uma tarefa exclusiva da mulher, em alguns casos isto deve-se ao fato que é a mulher quem exerce a maternidade diretamente. Entretanto, nos últimos tempos esta concepção vem mudando de maneira progressiva, já que na atualidade, o problema da contracepção é uma questão na qual devem estar envolvidos, o homem e a mulher.

Segundo o Dr. Bernardo Moreno Jiménez, professor da Universidade de Madrid, isto deve-se à uma mudança nos conceitos sociais do homem e da mulher. A revolução feminina que concedeu um papel econômico à mulher, modificou – assegura Moreno - a relação de poder entre os gêneros.

Um pouco de história

Apesar do tímido papel histórico do homem na contracepção, foi este quem começou a pensar no tema com a utilização do coito interrompido. Este método era conhecido desde a antigüidade, porém o seu uso não teve sempre a mesma extensão. Por exemplo, no século XIV argumentava-se que era um prática insana; por outro lado, sua utilização no matrimônio era pequena, devido à que era um método associado com as práticas extra-conjugais e com a prostituição.

Apesar das concepções “machistas”, o homem foi assumindo um papel cada vez mais importante na decisão de controlar o tamanho de sua descendência , e por isso, procurando com mais freqüência métodos contraceptivos.

Nos países latino-americanos, mais da metade dos casais utilizam algum método contraceptivo de orientação masculina. Segundo alguns números da Organização Mundial da Saúde, 42 % dos casais que controlam sua fertilidade, recorrem a métodos nos quais participa o homem. A pergunta fundamental é: Qual é o método idôneo para que os homens possam cooperar?

Ao longo da história, muitos têm sido os esforços investidos por uma grande quantidade de investigadores para encontrar o método ideal que regule a fertilidade masculina. Para Enrique García, assessor da Organização Mundial da Saúde, o contraceptivo masculino confiável seria aquele que reúne as seguintes condições:

1. Deve ser aceitável por ambos os membros do casal.

2. Deve ser 100 % eficaz.

3. Não deve ter efeitos secundários.

4. Deve ser efetivo rapidamente.

5. Não deve ter influência sobre a virilidade, a libido e a potência sexual.

6. Não deve ter efeito sobre o feto.

7. Não deve interferir na espontaneidade do sexo.

8. Deve ter 100% de reversibilidade no momento desejado.

Da mesma forma que os contraceptivos femininos, os métodos masculinos podem classificar-se em:

· Coito Interrompido: É o método de planejamento familiar mais antigo que se tem conhecimento, e consiste na interrupção do ato sexual imediatamente antes do orgasmo, com o qual a ejaculação acontece fora da vagina. Este método apresenta um elevado número de falhas (cerca de 30%) sendo pouco recomendada a sua utilização.

· Métodos de Barreira: O método de barreira masculino mais freqüente é o preservativo ou “camisinha”. Dois em cada três preservativos que se comercializam no mundo, são consumidos nos países em desenvolvimento. Desta forma, sua utilização é predominante no Brasil e Argentina, e é muito importante no Paraguai, Uruguai, Nicarágua e México.

Na Colômbia, o uso do preservativo depende em 51% dos casos, do homem, e segundo 33% deles, a decisão é tomada pelo casal e em 15%, o uso é sugerido pela companheira. A taxa de fracasso deste método oscila entre 2% e 10% e diminui quando associado a um espermicida. Segundo a OMS, pode-se dizer que se for utilizado corretamente a eficácia dos preservativos é de 98%. A maioria das falhas deve-se à má utilização e defeito na técnica de aplicação.

· Métodos químicos ou médicos: O objetivo principal dos distintos medicamentos que podem ser utilizados como contraceptivos masculinos é bloquear a produção de espermatozóides.

Este bloqueio pode realizar-se por meio de agentes citotóxicos antiespermatogênicos ou mediante a interferência hormonal do epitélio germinal do testículo, bloqueando a produção de alguns hormônios produzidos na hipófise. Na escala clínica, a contracepção farmacológica mais utilizada tem sido a administração de testosterona.

· Métodos cirúrgicos: Na atualidade existe um único método eficaz, que atua interferindo na passagem dos espermatozóides pela via seminal. Este método é conhecido como vasectomia.

É, sem dúvida, o método de maior crescimento nos últimos anos, segundo estatísticas da OMS. Segundo a mesma entidade, na Colômbia 84% de homens que não desejavam mais filhos realizaram a vasectomia, no Brasil esta cifra chega a 10%.

Este método consiste em impedir a passagem dos espermatozóides desde o lugar de produção, no interior dos testículos, ao líquido seminal, por meio da secção dos condutos deferentes. Como método contraceptivo, a vasectomia não é segura até que se faça uma análise de semem do homem e não se observe nenhum espermatozóide, o qual deve acontecer entre dois a três meses após a cirurgia.

Copyright © 2000 eHealth Latin America



Publicidade

Dicionário Médico

Digite o termo desejado

buscar

Ou clique na primeira letra do termo: