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Artigos de saúde

Aumento do Comportamento de Risco entre Homossexuais

A AIDS

A AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida) pode ser definida como sendo uma manifestação final e mais grave da infecção provocada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), que se caracteriza pela presença de doenças oportunistas, devido a diminuição da resistência às doenças.

O HIV pode ser encontrado em inúmeras secreções do corpo humano, mas ele só é transmitido pelo sangue, pelo esperma, pela secreção vaginal e pelo leite materno, limitando o contágio aos casos de transmissão sexual (contato homo ou heterossexual com pessoa infectada) e aos casos de transmissão sanguínea (transfusões de sangue contendo o vírus e utilização de agulhas e seringas contaminadas).

A transmissão de mãe para filho pode se dar intra-útero, durante o parto ou através da amamentação.

Tendo em vista que a maior parte dos casos de AIDS decorre da transmissão sexual do vírus, a doença tem um comportamento semelhante às demais doenças sexualmente transmissíveis (gonorréia, sífilis, condiloma e tricomoníase, por exemplo).

Em geral, são acometidas as pessoas que trocam de parceiros freqüentemente. Mas em alguns pontos a AIDS tem um comportamento diferente das demais doenças sexualmente transmissíveis.

O vírus parece penetrar mais facilmente pela pele do ânus e do reto do que pela pele genital, por isso o risco de contrair AIDS é maior em homo e bissexuais masculinos do que para homens e mulheres heterosexuais, esse fato pode ser explicado pela maior fragilidade de tecido, que por isso está mais sujeito à traumas que facilita a infecção.

Por outro lado o risco de mulheres homossexuais contraírem a doença é extremamente baixo. A incidência da doença em heterossexuais está relacionado à presença de outras doenças sexualmente transmissíveis, pois essas promovem lesões nos genitais que favorecem a penetração do vírus.

E dentre os heterosexuais, as mulheres são mais susceptíveis do que os homens, pois a concentração do vírus é maior no esperma do que na secreção vaginal e o tempo de contato entre a secreção vaginal e a mucosa genital masculina é menor do que o tempo de contato entre esperma e parede vaginal, por outro lado a chance de mulheres manter relações sexuais com parceiros com comportamento de risco é maior do que os homens, uma vez que há na população mais homens bissexuais ou viciados em drogas infectados do que mulheres na mesma situação.

A incidência de infecção pelo vírus HIV está aumentando em todo o mundo, apesar de todos os esforços para reduzir o comportamento de risco.

Provavelmente esse aumento deve-se ao grande número de tratamentos disponíveis para controlar as manifestações da doença, reduzindo o cuidado das pessoas em relação à infecção, principalmente entre os homossexuais masculinos. Portanto, torna-se necessário um estudo para avaliar como anda o comportamento dos grupos de riscos para a AIDS.

O estudo

Para tentar verificar o comportamento de risco entre os homossexuais, um grupo de pesquisadores ingleses (do Department of Sexually Transmitted Diseases, Royal Free and University College Medical School, London),liderados pela Dr. Julie P. Dodds, conduziram um estudo realizado em Londres, que teve seus resultados publicados na revista British Medical Journal no mês de junho de 2000.

Nesse estudo os autores analisaram os resultados de uma pesquisa feita entre os homens homossexuais de Londres. Esta pesquisa foi conduzida durante os anos de 1996, 1997 e 1998, usando os mesmos métodos em cada ano.

Foram selecionados vários pontos gays (bares, clubes, boites e saunas) e centros de tratamento de doenças genito-urinárias, dentro de Londres. Foram distribuídos questionários para todos os homens que estavam nesses locais. O questionário era composto por 16 perguntas relativas a informações demográficas e ao comportamento de risco.

Cerca de 80% dos questionários foram respondidos, em todos os três anos da pesquisa. A idade dos participantes variava de 15 a 78 anos, sendo que os homens entrevistados em 1998 eram significativamente mais novos do que os entrevistados no ano anterior.

A cada ano, cerca de um terço de todos os homens entrevistados relataram que tinham feito sexo anal sem proteção, durante os anos anteriores. Contudo, em cada ano, esse comportamento de risco estava cada vez mais implicado a pacientes mais jovens.

Da mesma forma, a idade dos pacientes, em acompanhamento nas clínicas de tratamento das doenças genito-urinárias, era cada vez menor. Usando o ano de 1996 como base, houve um aumento significativo do número de homossexuais com relato de prática de sexo anal sem proteção. E a maioria desses homens tiveram parceiros desconhecidos, ou com história incerta de HIV.

Esse foi o primeiro estudo sobre o aumento da prática de sexo inseguro entre os homens gays de Londres. Mas, este aumento já havia sido descrito recentemente nos Estados Unidos.

Os autores acreditam que esse trabalho representa a realidade à respeito do comportamento dos gays masculinos em geral, apesar de somente os homens que freqüentam os ambientes gays e os que fazem tratamento em centros de medicina genito-urinárias terem sido entrevistados.

Eles acreditam que a transmissão do HIV poderia ser reduzida se os homossexuais que tiveram relação sem proteção, tivessem apenas parceiros sabidamente HIV negativos, mas para essa estratégia obter sucesso, o teste anti-HIV deveria ser mais difundido. Apesar do grande número de campanhas recentes, os autores não encontraram nenhum aumento do número de realizações do exame.

Esses resultados, combinados com o aumento da incidência de gonorréia, bem como de outras doenças sexualmente transmissíveis, evidenciam a continuada propagação da doença, e por fim, revela a necessidade de mais iniciativas para uma divulgação efetiva dos riscos da AIDS.

Fonte: BMJ 200; 320: 1510-1511 (3 june)

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