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Artigos de saúde

Transtorno Bipolar – tratamento

© Equipe Editorial Bibliomed

Neste Artigo:

- No tratamento do transtorno bipolar, quais são os objetivos que devem ser alcançados?
- No tratamento dessa doença podem ser encontradas dificuldades?
- Quais as bases do tratamento do transtorno bipolar?
-
No que consiste a eletroconvulsoterapia?
- Quais os tratamentos em estudo
- Os antidepressivos podem ser usados no tratamento do transtorno bipolar?

No tratamento do transtorno bipolar, quais são os objetivos que devem ser alcançados?

Uma das características do transtorno bipolar é a sua tendência à recorrência, além da impossibilidade de se prever como a doença vai se comportar. Assim, os principais objetivos do tratamento são:

  • Redução da freqüência das crises;
  • Ajudar o paciente a ter uma vida o mais normal possível, nos períodos entre as crises;
  • Evitar a mudança de uma fase para a outra;
  • Reduzir a gravidade das crises (de depressão e de mania).

É importante, inicialmente, tentar identificar algum fator ou o evento que desencadeou a crise, bem como qualquer doença orgânica ou emocional concomitante, que possa afetar o tratamento proposto.

No tratamento dessa doença podem ser encontradas dificuldades?

Embora o tratamento do transtorno bipolar seja bastante eficaz, existem algumas dificuldades a serem superadas pelos pacientes e seus médicos:

  • Frequentemente, os pacientes não informam com veracidade sobre o estado de sua doença;
  • As variações do humor, nesses indivíduos, são muito imprevisíveis, de forma que muitas vezes fica difícil saber se o paciente está respondendo ao tratamento ou saindo naturalmente de uma crise;
  • Em muitos casos, é necessário o uso de mais de um medicamento, o que faz com que os pacientes tenham dificuldade em obedecer ao tratamento. Além disso, há aumento da ocorrência de efeitos colaterais;
  • Freqüentemente esses pacientes apresentam outras doenças associadas, as quais necessitam ser também medicadas. Os medicamentos podem interferir uns com os outros, reduzindo ou aumentando sua ação, além da maior ocorrência de efeitos colaterais;
  • Familiares não informados adequadamente podem prejudicar o tratamento;
  • O custo do tratamento pode ser alto.

Quais as bases do tratamento do transtorno bipolar?

O tratamento do transtorno bipolar é definido de acordo com a fase em que o paciente se apresenta. Deve-se salientar que, mesmo com tratamento agressivo, os episódios de mania e depressão podem recorrer em até 75% dos casos.

1) Medicamentos

Os principais medicamentos empregados no tratamento do transtorno bipolar são os chamados "estabilizadores do humor", sendo igualmente eficazes no tratamento dos episódios de mania e depressão, podendo ser empregados no tratamento crônico (também chamado de manutenção). Atualmente, os mais empregados são o lítio e o ácido valpróico, que possuem efeito final semelhante. Muitas vezes é necessária a associação de mais de um medicamento; além disso, pode-se lançar mão também do uso de antidepressivos e ansiolíticos (sedativos).

- Lítio: tem sido usado no tratamento dessa doença há vários anos, e continua sendo o mais eficaz no tratamento dos pacientes com mania ou depressão puras. Pode ser usado no tratamento de manutenção, em vários casos.

- Anticonvulsivantes: esses medicamentos costumam ser empregados no tratamento dos distúrbios convulsivos. O principal agente no tratamento do transtorno bipolar é o ácido valpróico, seguido pela carbamazepina. Atualmente, a lamotrigina (um anticonvulsivante mais moderno) tem-se mostrado mais eficaz até que o lítio, no tratamento dos episódios de depressão.

- Antipsicóticos atípicos: são medicamentos normalmente empregados no tratamento de manifestações psicóticas (delírios, ilusões). Alguns antipsicóticos mais modernos apresentam propriedades estabilizadoras do humor. Exemplos: clozapina, risperidona, olanzapina, quetiapina.

2) Eletroconvulsoterapia

É uma terapia bastante eficaz que consiste na aplicação de choques, embora não seja muito bem vista pela sociedade. Está indicada em alguns casos específicos, podendo ser usada no tratamento das crises e até mesmo no de manutenção.

3) Terapias não-médicas

Terapias como a psicoterapia e a terapia do sono são essenciais na abordagem desses pacientes, conseguindo ajudar na redução dos sintomas e na prevenção de novos episódios.

No que consiste a eletroconvulsoterapia?

A eletroconvulsoterapia, também chamada de tratamento de choque, vem recebendo várias críticas desde que foi desenvolvida, no início do século passado. Com o passar do tempo, a técnica foi melhorada significativamente de forma que, atualmente, é uma terapia até mais segura que o lítio.

A eletroconvulsoterapia está indicada principalmente nos seguintes casos:

  • Pacientes que pensam em se suicidar ou que apresentam muitos sentimentos de culpa, durante o episódio depressivo;
  • Pacientes que não toleram os medicamentos;
  • Pacientes grávidas;
  • Pacientes mais jovens;
  • Pacientes que preferem esse tipo de tratamento;
  • Pacientes com crises graves que necessitam de internação imediata, não podendo esperar o tempo para o início de ação dos medicamentos;
  • Pacientes com quadros de mania, especialmente idosos com crises graves;
  • Pacientes com determinados tipos de doenças cardíacas.

Em aproximadamente 80% dos pacientes, a eletroconvulsoterapia consegue melhorar significativamente os sintomas e, em alguns casos, esse é o único tratamento que dá resultado. De forma geral, não é necessária internação hospitalar para realização do procedimento, que consiste na aplicação de medicação relaxante e anestésica. Em seguida, é aplicada pequena quantidade de corrente elétrica ao cérebro, levando ao desenvolvimento de uma convulsão generalizada que dura menos de 1 minuto. Na maioria das vezes, a resposta a esse tratamento é rápida, e o paciente costuma necessitar de menor quantidade de medicação.

Como toda terapia médica, a eletroconvulsoterapia pode levar a alguns efeitos colaterais, como confusão mental temporária, lapsos de memória, dores de cabeça, enjôos e dores musculares. Alguns medicamentos podem ser administrados antes do procedimento, com o objetivo de prevenir esses efeitos colaterais.

Quais os tratamentos em estudo

1) Terapia Magnética

Essa modalidade terapêutica, ainda em estudo, consiste na estimulação cerebral através do crânio, com o emprego de estimulação magnética. Vem sendo estudada para emprego em pacientes com depressão e transtorno bipolar. Ao contrário da eletroconvulsoterapia, a terapia magnética não leva a convulsões, e o único efeito colateral relatado é uma dor de cabeça leve.

2) Acupuntura

Está sendo avaliada em um estudo atualmente. Estudos prévios sugeriram que a acupuntura pode afetar certas regiões do cérebro relacionadas ao estresse, podendo ser útil no tratamento dos pacientes com transtorno bipolar.

Os antidepressivos podem ser usados no tratamento do transtorno bipolar?

Algumas vezes, os antidepressivos são empregados no tratamento do episódio depressivo, em pacientes com transtorno bipolar. Porém, seu uso ainda é controverso, já que eles podem desencadear episódios de mania em até 30% dos casos. Além disso, existem vários trabalhos publicados que não mostram benefício do uso desses medicamentos.

Parece que os antidepressivos seriam mais úteis e seguros nos casos em que o episódio depressivo ocorre após um período em que o paciente não apresentava sintomas. Qualquer paciente que esteja em uso de antidepressivo e que inicia com sintomas de hipomania deve interromper o uso desses medicamentos imediatamente, após orientação médica adequada.

Copyright © 2007 Bibliomed, Inc.                                    14 de novembro de 2007.



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