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Artigos de saúde

Câncer Testicular: Problema Sério, mas com Tratamento

Neste artigo:

Causas do Câncer Testicular
Tumores de Células Germinativas
Principais Sintomas
Tratamentos e Efeitos Colaterais

"Esta reportagem apresenta a questão do câncer nos testículos e as suas causas, discutindo ainda, a questão da incidência nas células germinativas, em crianças, e as alternativas de tratamento. As opiniões são de médicos da Universidade Federal de São Paulo, do Hospital do Câncer de São Paulo e do presidente do National Cancer Information, de Londres".

Câncer: Algumas Definições

Conforme informa o grupo britânico Cancer Bacup, ligado ao National Cancer Information, os tecidos e órgãos do corpo são feitos de células. O câncer é uma doença nas células. Estas, em diferentes locais do organismo, podem passar a trabalhar de forma anormal, reproduzindo-se desordenadamente e sem controle. Caso, por qualquer razão, a divisão celular saia do controle, as células continuam se dividindo, dando origem aos tumores, que podem ser benignos ou malignos (cânceres).

Através de exames microscópicos, biópsias, os médicos podem detectar o prognóstico dos tumores, ou seja, se são benignos ou malignos. Vale destacar que há mais de duzentos tipos de cânceres, com diferentes causas e tratamentos.

Causas do Câncer Testicular

Segundo o Dr. Vicky Clement-Jones, médico fundador do Cancer Bacup, a causa exata é desconhecida. Durante o primeiro ano de vida, os testículos, que se desenvolviam dentro do abdome das crianças, devem descer para a bolsa escrotal. Ressalta-se que o câncer de testículo é mais comum em homens que apresentaram falhas nesse processo.

Dr. Vicky complementa dizendo que não foram encontradas evidências que liguem as lesões esportivas a esse tipo de câncer. Contudo, lesões nessa região do corpo devem ser tratadas até o completo desaparecimento dos sinais da contusão.

De acordo com o Dr. Maurício Hachul, da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), os tumores testiculares na infância são raros: "existem aproximadamente 0,5 a 2 casos de tumor testicular por 100.000 crianças. Constituem a sétima neoplasia em ordem de freqüência, correspondendo a somente 2% dos tumores sólidos em pediatria".

Ainda, segundo o Dr. Maurício relata, em geral, a maioria dos tumores testiculares da infância incidem em idade inferior a 5 anos. Quanto à manifestação clínica, diz que corresponde basicamente ao crescimento progressivo da massa testicular de consistência endurecida e indolor.

Dr. Hachul alerta, ainda, para a ocorrência de tumores secundários de testículo. "Aproximadamente 4% dos pacientes pediátricos com linfoma podem ter comprometimento testicular. Mais freqüentemente, ocorre o envolvimento secundário do testículo em crianças portadoras de leucemia, cujo diagnóstico é confirmado através de biópsia testicular. O testículo é denominado o ‘santuário’ para as células tumorais, pois acredita-se na existência de uma barreira vascular que dificulta a ação da quimioterapia neste órgão".

Tumores de Células Germinativas

Segundo o Dr. Luiz Fernando Lopes, Médico Pediatra, Titular do Departamento de Pediatria do Hospital do Câncer - AC Camargo – em São Paulo, os tumores de células germinativas têm seu início ainda dentro do útero materno. "Os tumores de células germinativas podem ocorrer em todas as idades da criança: desde recém-nascidos até adultos jovens". Os locais mais freqüentes em que se observam esses tumores são: testículos, ovários, vagina, região sacrococcígea e, em casos bem mais raros, cabeça, pescoço, fígado e cérebro.

Principais Sintomas

Conforme relatam os membros do National Cancer Information, fundado em Londres em 1985, o sinal mais comum é uma falha numa porção do testículo. Em geral, não há dor, mas algumas pessoas podem relatar dores no baixo abdômen e no testículo afetado. Sensações como "peso" do escroto, dores nas costas e no estômago, podem ser descritas.

O Dr. Luiz Fernando indica que os sintomas estão ligados ao local do tumor. "Por exemplo: meninos com tumor no testículo apresentam, geralmente, dores no testículo, aumento da bolsa escrotal e do testículo e só quando o tumor já enviou metástases (raízes) para o abdômen é que podemos ver queixas de dores abdominais e aumento de volume da barriga". O diagnóstico pode ser feito através de exames de ultrassom, raio x, e em alguns casos, em exames de sangue.

Tratamentos e Efeitos Colaterais

O Dr. Vicky Clement-Jones relata que há algumas formas de tratamento: cirurgia, radioterapia, quimioterapia. Esses métodos podem ser usados de forma isolada, ou combinada, dependendo da característica da situação.

Uma das questões mais comuns sobre os tratamentos diz respeito à vida sexual dos pacientes. Dr. Vicky adverte para a importância do esclarecimento de que a remoção de um dos testículos não vai afetar a performance sexual, se o outro testículo estiver saudável. Isto se deve ao fato de que o testículo saudável passará a produzir mais testosterona e esperma, compensando a produção do outro testículo.

Algumas vezes podem ser necessárias operações para a retirada de glândulas linfáticas do abdome, caso elas aumentem de tamanho, em função da radio ou quimioterapia. Nestes casos, a fertilidade masculina pode ser afetada. Entretanto, não há outras conseqüências físicas, como falta de ereção ou capacidade de se atingir o orgasmo, ou seja, não há impotência sexual.

Ainda de acordo com Dr. Vicky, a quimioterapia geralmente causa infertilidade durante o tratamento e num período subseqüente. Normalmente, este efeito é temporário, retornando-se ao normal em dois ou três anos. Apenas um em cada cinco pacientes pode ficar com infertilidade permanente.

O Dr. Clement-Jones conclui dizendo que qualquer tipo de tratamento pode gerar uma diminuição da libido (desejo sexual). Mas, esse efeito também dura apenas durante o tratamento. Outro medo apontado, bastante comum, é o de que células com câncer possam ser transmitidas para o parceiro durante a relação sexual. Vale ressaltar que o câncer não é infeccioso, logo não há razões para se ter esse tipo de receio.

De acordo com o Cancer Bacup, de Londres, o tratamento de câncer nos testículos tem se aperfeiçoado muito nos últimos anos. Muitos homens podem ficar completamente curados, caso o câncer seja diagnosticado e tratado rapidamente, ou seja, ainda em sua fase inicial. O auto-exame é recomendável e deve ser realizado mensalmente, após um banho quente, quando a pele do escroto está mais relaxada.

Para o Dr. Maurício Hachul, o tratamento de tumores "baseia-se no tipo histológico da lesão e no estádio da doença. O acompanhamento das crianças deve ser bimestral por dois anos, utilizando-se além das medidas séricas de AFP, radiografia de tórax e ultra-sonografia abdominal. Após decorrido este período de tempo, com exames normais, podemos considerar a criança curada".

Dr. Lopes, Titular do Departamento de Pediatria do Hospital do Câncer, relata que a cirurgia é indicada no início do processo. "Fazemos quimioterapia naquelas crianças que chegam ao hospital com tumores muito grandes e não são possíveis de serem retirados no início. Ai então, inicia-se com a quimioterapia e, alguns meses depois, com novos exames, discutimos se o tumor já diminuiu o suficiente para poder ser retirado por cirurgia". Há variações apontadas, nesse procedimento, para o caso do tumor ser benigno: "A quimioterapia não está indicada, pois não fará efeito sobre o tumor. Nestes casos, a cirurgia tem que ser tentada, mesmo que o tumor seja muito grande".

O médico complementa indicando que, caso a quimioterapia não consiga controlar o tumor completamente, pode-se solicitar tratamento com radioterapia, no local do tumor. Por fim, o Dr. Luiz Fernando indica que nesta última década a chance de cura para uma criança com tumor germinativo maligno aumentou consideravelmente, e as chances chegam a patamares em torno de 80%, o que pode ser considerado um sucesso.

Copyright © 2000 eHealth Latin America             06 de Setembro de 2000



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