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Artigos de saúde

Existe a Dor Cardíaca? O Que Causa a Dor Torácica?

O estímulo nocivo que causa a dor torácica varia conforme o tipo de tecido orgânico afetado.

Distinguimos três tipos de dor: (1) somática (outra denominação: dor parietal), (2) visceral, e (3) irradiada (também chamada de referida).

Dor Somática Torácica. Caracteriza-se por ser bem localizada, bem definida e próxima ao ponto onde houve o estímulo.

Os impulsos sensitivos que determinam a dor na parede torácica, especialmente na pele e pleura parietal, resultam da lesão dos seus tecidos, como ocorre nos traumatismos, infecções (p. ex.: os abscessos), processos inflamatórios; das cartilagens costais e do esterno, e nas pleurites.

A pele é muito sensível à picada, ao corte, à queimadura, ao congelamento, ao herpes zóster etc., pois nela existem receptores em grande número e muito próximos uns dos outros e, por isso, um pequeno estímulo, como uma alfinetada, pode excitar vários receptores, fazendo com que " uma resposta dolorosa rápida, que, habitualmente, leva o organismo a se defender desse estímulo nocivo.

A dor torácica pode provir também dos músculos, cartilagens costais, periósteo das costelas e esterno das vértebras torácicas e das raízes nervosas torácicas,20 além de, na mulher, das mastopatias dolorosas.

A mialgia torácica, ou seja, a dor da musculatura estriada, é conseqüência de traumatismo, hemorragia com formação de hematoma, infecção, exercício de músculo isquêmico, esgarçamento de sua bainha conjuntiva, necrose muscular, injeção de substância irritante etc.

Quanto à condroalgia e osteoalgia, elas provêm do estímulo da cartilagem costal ou do periósteo das costelas e esterno.

A localização da dor é precisa na pleura parietal, que pode ser estimulada por agentes diversos como o ar (pneumotórax), o sangue (hemotórax), a linfa (quilotórax), por pus (empiema), os quais são determinados por microrganismos diversos, especialmente as bactérias, como ocorre nos casos de ruptura de um abscesso necrótico subpleural pulmonar, de urna pneumonia, ou de unia fistula bronquiopleural.

Outras causas são: perfuração do esôfago, mediastinite, afecções subdiafragmáticas, da coluna vertebral etc. O contato da pleura visceral infectada, a qual é indolor, com a pleura parietal também provoca dor.

Quanto ao diafragma, a dor da sua porção central, recoberta pela pleura parietal diafragmática, é sentida na parte superior do músculo trapézio, que é a área segmentar somática inervada pelos nervos com origens comuns às do nervo frênico. Já os estímulos da sua porção periférica sobre a pleura diafragmática provocam dor aguda, localizada ao longo das bordas costais.

É muito importante distinguirmos a dor do tórax proveniente das raízes dos nervos do tórax (síndromes radiculares) da dor oriunda de outras estruturas ou vísceras torácicas, especialmente do coração,21 sendo muitas vezes difícil a análise da sensação dolorosa.

Por exemplo, as síndromes de dor das raízes nervosas do primeiro ao quinto nervos torácicos (T1 a T5) provocam uma dor que imita, simula ou se confunde com a sensação dolorosa esofágica com a da angina do peito, do infarto do miocárdio etc. Essa dor das raízes nervosas tem como características:

1. Mantém nítida relação com os movimentos do corpo.

2. Surge com a tosse, a defecação, a respiração profunda ou o espirro.

3. Manifesta-se após o paciente manter uma posição do corpo por longo período de tempo, como a fato de se deitar à noite, na cama, sem se mexer.

4. Existem sempre pontos de hiperestesia na distribuição da raiz nervosa afetada.

5. É aliviada por certas posições, por tração, pelo exercício físico ou com a correção da posição viciosa.

6. O caráter da dor é surdo, incomodativo, causando grande desconforto e resultando em geral da compressão da raiz ventral ou então, quando proveniente da raiz dorsal, é aguda, de rápida duração, irradiando-se freqüentemente, como se fosse um choque elétrico. Os dois tipos podem coincidir.

7. A localização no tórax depende do número de raízes acometidas.

Dor Torácica Visceral. É profunda, difusa, dependendo a sua localização, do órgão de onde ela se origina.

Dor Cardíaca. Na angina do peito, no infarto do miocárdio, a isquemia do órgão se traduz por dor precordial ou retroesternal, muitas vezes com caráter constritivo, podendo irradiar freqüentemente do lado esquerdo para a mandíbula, pescoço, ombro, face medial do braço ou para a região epigástrica.

Dor do Pericárdio. O pericárdio é insensível, exceto na sua porção adjacente à pleura parietal. Como em alguns casos de pericardite aguda ocorre dor, é possível que haja irritação de estruturas anatômicas contíguas, especialmente da pleura parietal, pois, no espaço mediastínico, a pleura parietal e o pericárdio estão em intima aposição.

Assim, a infecção pericárdica poderia propagar-se para a pleura parietal. A dor é retroesternal ou à esquerda do esterno, podendo ser sentida também no epigástrio.

Dor dos Grandes Vasos. O aneurisma da aorta causa uma sensação vaga e um desconforto, pois as artérias são sensíveis à distensão. A dor é intensa no aneurisma dissecante da aorta torácica. O mesmo ocorre na embolia maciça da artéria pulmonar.

Traquéia a Brônquios Principais. A dor traqueobrônquica, sobretudo nos processos inflamatórios, é sentida dorsalmente à porção superior do esterno. Manifesta-se por sensação de queimadura, exacerbada pela tosse.

Localiza-se, quando provém dos brônquios de maior calibre, lateralmente ao esterno, às vezes com irradiação para o pescoço. 15 Os nervos vagos conduzem as fibras aferentes sensitivas, que transmitem a dor traqueobrônquica.

Pulmões. Como o parênquima pulmonar, os bronquíolos e a pleural visceral não possuem fibras aferentes sensitivas, as afecções pulmonares são indolores, a menos que acometam a pleura visceral e esta irrite a parte da pleura parietal em contato direto com ela, produzindo assim uma dor do tipo somático.

Dor Esofágica. O esôfago é insensível ao corte, à queimadura (p. ex.: cauterização), ao estímulo da corrente farádica, à picada etc. É sensível porém ao espasmo ou distensão e ao aumento de tensão da sua parede, produzido pela reação inflamatória.

A distensão do esôfago torácico, em vários níveis, usando-se balões insuflados após sua colocação na luz deste órgão, provocou dor retroesternal cujo nível foi correspondente à porção estimulada, uma vez que a inervação esofágica é segmentar.

No terço superior a dor se localizava dorsalmente à região do manúbrio esternal; no terço médio, na porção média do esterno; e no terço inferior, na junção do esterno com o seu processo xifóide. Raramente a dor se irradiava para as costas. A esofagite de refluxo é a principal responsável pela dor esofágica no terço inferior do esterno.

Mediastino. Em relação ao mediastino, sabemos que há casos de tumores volumosos sem a sensação dolorosa, os quais se manifestam apenas por dispnéia e tosse. A doença de Hodgkin, a neurofibromatose ou alguns tipos de tumores podem evoluir de forma indolor, desde que as estruturas nervosas não tenham sido acometidas.

Contudo, há blastomas que são dolorosos. O enfisema mediastínico espontâneo, a inflamação mediastínica aguda por ruptura traumática do esôfago ou por perfuração de um carcinoma esofágico causam dor.

Dor Irradiada. A dor irradiada pode ser considerada a dor de um órgão percebida pelo sistema nervoso como se fosse proveniente de outra estrutura anatômica, em virtude de mútuas interconexões nervosas. Participam da dor irradiada o simpático aferente e os nervos espinhais, não havendo entre os pesquisadores da dor um consenso sobre o seu mecanismo.

Uma hipótese é a seguinte: os impulsos viscerais aferentes chegam ao mesmo neurônio localizado no corno posterior da medula espinhal, da mesma forma que os impulsos aferentes somáticos (ou parietais), isto é, múltiplas estruturas de várias localizações, podem todos se projetar no mesmo segmento medular e daí seguir até o córtex cerebral, onde são percebidos e localizados erroneamente.

Fonte: Cirurgia de Urgência - Vol. I - 2ª Ed. - 1994

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