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Sono pode interferir na ansiedade em idosos

08 de julho de 2026 (Bibliomed). Os transtornos de ansiedade são a condição de saúde mental mais prevalente entre adultos com mais de 60 anos, contudo, recebem consideravelmente menos atenção clínica do que condições como demência ou depressão. As consequências são bem documentadas: a ansiedade na terceira idade acelera o declínio cognitivo, aumenta o risco de demência e está associada à perda precoce de independência.

Pesquisadores do Centro de Saúde Cerebral da Universidade do Texas em Dallas, nos Estados Unidos, identificaram uma característica específica do sono que ajuda os idosos a regular a ansiedade durante a noite — e demonstraram que, à medida que o sono se deteriora com a idade, o bem-estar emocional também se deteriora. A característica em questão é a atividade de ondas lentas: as grandes oscilações cerebrais contínuas do sono profundo não REM.

Os pesquisadores descobriram que adultos mais velhos que geravam menos ondas lentas durante a noite acordavam mais ansiosos na manhã seguinte. Aqueles que mantinham um sono com ondas lentas mais intensas não apresentaram o mesmo padrão, independentemente da idade cronológica.

A descoberta reformula a maneira como os cientistas pensam sobre a ansiedade na terceira idade. Durante anos, a suposição predominante era de que a ansiedade em adultos mais velhos era uma consequência do envelhecimento cerebral — um efeito natural, ainda que indesejável, das mudanças estruturais que se acumulam ao longo de décadas. O novo estudo sugere que o quadro é mais específico e, potencialmente, mais tratável.

A equipe de pesquisa estudou 61 idosos cognitivamente saudáveis da Coorte de Envelhecimento da UC Berkeley, com idade média de 74,6 anos. Cada participante passou uma noite no laboratório do sono, onde a atividade cerebral foi registrada por meio de polissonografia. Os participantes relataram seus níveis de ansiedade antes de dormir e novamente na manhã seguinte. Cada participante também foi submetido a uma ressonância magnética de alta resolução. Um subgrupo de 24 participantes retornou aproximadamente quatro anos depois para uma nova avaliação.

Um padrão consistente emergiu: participantes que apresentaram menor atividade de ondas lentas durante o sono profundo acordaram com níveis mais elevados de ansiedade. Essa relação se manteve mesmo após o controle de variáveis como idade, sexo, duração total do sono e níveis basais de ansiedade. Notavelmente, o sono REM — mais comumente associado ao processamento emocional — não apresentou a mesma relação preditiva. O efeito foi específico das oscilações lentas do sono não-REM.

Exames de imagem cerebral apontaram para um mecanismo. Participantes com maior atrofia em regiões-chave da regulação emocional — a amígdala, a ínsula e o córtex cingulado — geraram menos ondas lentas. A análise de mediação mostrou que a atividade prejudicada das ondas lentas explicou completamente a relação entre a atrofia cerebral e a ansiedade no dia seguinte.

Os participantes que retornaram quatro anos depois apresentaram um declínio mensurável na atividade de ondas lentas — aproximadamente 20% menos ondas lentas em média — e a ansiedade autorrelatada aumentou correspondentemente durante o mesmo período. É importante ressaltar que também houve variação individual significativa, sugerindo que a idade cronológica por si só não era um indicador confiável dos resultados emocionais.

Os pesquisadores propõem duas vias complementares pelas quais o sono de ondas lentas auxilia na regulação emocional. Primeiro, o sono profundo está associado a uma mudança na atividade autonômica, da excitação simpática para a recuperação parassimpática — uma restauração do equilíbrio fisiológico que parece reduzir a reatividade ao estresse no dia seguinte. Quando essa mudança é incompleta, os indivíduos acordam em um estado mais ativado. Em segundo lugar, a diminuição da atividade de ondas lentas pode refletir a deterioração do locus coeruleus, a pequena estrutura do tronco encefálico responsável pela produção de noradrenalina. O locus coeruleus começa a se degenerar na quinta década de vida, aproximadamente na mesma época em que o sono de ondas lentas começa a diminuir, e está entre as primeiras regiões afetadas na doença de Alzheimer.

Segundo os autores, esses dois processos podem estar interligados: as mesmas alterações patológicas que reduzem o tônus de noradrenalina também podem prejudicar a geração de ondas lentas. Se for esse o caso, a atividade de ondas lentas poderia servir como um marcador indireto útil da integridade do locus coeruleus.

Fonte: Nature Communications Psychology. DOI: 10.1038/s44271-026-00401-2.

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