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02 de julho de 2026 (Bibliomed). Pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, descobriram as estratégias do parasita da malária para interferir no sistema imunológico. Segundo o estudo, o parasita da malária Plasmodium falciparum, invade os glóbulos vermelhos humanos, envia minúsculas vesículas para se comunicar com outros parasitas dentro de outros glóbulos vermelhos. Essas nanovesículas – pacotes envoltos em forma de saco endereçados a outras células – demonstraram transferir fragmentos de DNA de um parasita para outro. Os pesquisadores descobriram que as vesículas também contêm outras cargas moleculares, incluindo vários tipos de RNA.
Além de invadir glóbulos vermelhos e células imunológicas chamadas monócitos, o RNAs, mais especificamente o RNA mensageiro (mRNA), pareciam estar entrando nos núcleos altamente protegidos das células imunes. Os pesquisadores descobriram que, uma vez dentro do núcleo, o mRNA do parasita se liga a duas proteínas humanas, ACIN1 e PNN, cortando e reorganizando segmentos antes de permitir que sejam traduzidos em proteínas. Dessa forma, o parasita interfere na comunicação interna do sistema imunológico do hospedeiro.
Os cientistas descobriram que os monócitos manipulados emitem sinais de alerta, desencadeando uma onda de ativação imunológica que mobiliza células imunes adicionais. Mas, enquanto essas células se apressam para lidar com a aparente crise dentro dos monócitos, a verdadeira ameaça – parasitas que se multiplicam silenciosamente dentro dos glóbulos vermelhos – passa despercebida, o que os pesquisadores chamaram de "mecanismo de distração". Eles explicam que, ao confundir as células imunológicas e suprimir proteínas de defesa essenciais, o parasita ganha um tempo precioso para crescer e se espalhar.
De acordo com os autores, essas descobertas apontam para um novo alvo potencial para medicamentos antimaláricos: terapias projetadas para impedir que o RNA da malária interfira no mecanismo de splicing do hospedeiro. O estudo também pode abrir novos caminhos para o diagnóstico, não apenas da malária, mas também de outras doenças infecciosas.
Fonte: Cell Reports. DOI: 10.1016/j.celrep.2026.116953.
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