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Urina de cobra pode levar a melhores tratamentos para cálculos renais e gota

27 de março de 2026 (Bibliomed). Cientistas acreditam que cobras e lagartos podem ajudá-los a encontrar novas maneiras de prevenir cálculos renais dolorosos e gota em humanos. E tudo isso se deve a um truque evolutivo: os répteis não apenas urinam; eles cristalizam seus dejetos para economizar água.

Pesquisadores da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, que examinaram a urina sólida de mais de 20 espécies de répteis, relataram recentemente que todas continham minúsculas esferas compostas de ácido úrico. A descoberta destaca como os répteis desenvolveram uma forma única de armazenar e excretar resíduos em forma cristalina – descobertas que podem um dia levar a novas formas de tratar doenças humanas relacionadas ao acúmulo de ácido úrico.

Enquanto os humanos eliminam o excesso de nitrogênio pela urina na forma de ureia, ácido úrico e amônia, os répteis transformam alguns desses mesmos compostos em sólidos conhecidos como "uratos". Estes são então expelidos através de uma abertura chamada cloaca. Embora essa formação de cristais ajude os répteis a sobreviver, o mesmo processo causa grandes problemas aos seres humanos.

Níveis muito elevados de ácido úrico podem causar a formação de cristais nas articulações (gota) ou no trato urinário (cálculos renais). Os pesquisadores usaram microscópios potentes para aprender como os sistemas dos répteis diferem dos sistemas dos humanos e descobriram que espécies como pítons e jiboias-arborícolas-de-madagascar produzem uratos compostos por esferas texturizadas com tamanho não superior a 0,0004 polegadas. Essas microesferas são formadas por nanocristais ainda menores de água e ácido úrico. E, segundo os pesquisadores, o ácido úrico ajuda a transformar a amônia tóxica em uma forma sólida mais segura.

Os pesquisadores teorizam que o ácido úrico pode ter um papel protetor semelhante em humanos, mas precisam realizar mais estudos para confirmar essa hipótese. Em todo caso, as descobertas sugerem que a química subjacente aos dejetos de répteis poderá um dia levar ao desenvolvimento de melhores maneiras de tratar doenças relacionadas ao ácido úrico.

Fonte: Journal of the American Chemical Society. DOI: 10.1021/jacs.5c10139.

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