Artigos de saúde
© Equipe Editorial Bibliomed
Neste artigo:
- Introdução
- Antiandrogênios
- Imunossupressores
- Remédios para HIV
- Tratamentos de câncer
- Antipsicóticos
- Drogas antiepilépticas
- Anti-histamínicos
- Cuidados
A função sexual envolve diferentes etapas, como desejo, excitação e orgasmo. Homens e mulheres podem apresentar alterações em qualquer uma delas, incluindo diminuição da libido, dificuldade de ereção, alterações da ejaculação, dificuldade para atingir o orgasmo, dor durante a relação sexual e redução da lubrificação vaginal.
A disfunção sexual pode ter causas físicas, hormonais ou psicológicas, mas também pode surgir como efeito colateral de medicamentos. Além disso, a própria doença que exige o tratamento pode interferir na vida sexual.
Entre os medicamentos associados a essas alterações estão alguns antidepressivos, anti-hipertensivos, antipsicóticos, anticonvulsivantes e tratamentos hormonais. Os efeitos variam de acordo com o medicamento, a dose, o tempo de uso e as características de cada pessoa.
Embora muitos estudos tenham sido realizados com homens, mulheres também podem apresentar alterações importantes da função sexual relacionadas ao uso de medicamentos.
Os antiandrogênios são medicamentos que bloqueiam a ação dos hormônios masculinos, principalmente a testosterona. São utilizados no tratamento de doenças como câncer de próstata, hiperplasia prostática benigna e algumas condições hormonais.
Entre os medicamentos com ação antiandrogênica estão a ciproterona, a espironolactona, a finasterida e a dutasterida, embora esses fármacos atuem por mecanismos diferentes.
Como interferem na ação ou na produção dos hormônios relacionados à função sexual, podem provocar redução do desejo sexual, dificuldade de ereção, alterações da ejaculação e diminuição do volume ejaculado. Em algumas pessoas, também podem ocorrer alterações das mamas e da fertilidade.
A intensidade dos efeitos varia conforme o medicamento e a condição tratada. Nem todos os pacientes apresentam alterações sexuais.
Os imunossupressores são utilizados para reduzir a atividade do sistema imunológico, principalmente em pessoas que passaram por transplantes de órgãos ou apresentam doenças autoimunes e inflamatórias.
O uso prolongado de corticosteroides, como a prednisona, pode interferir na produção hormonal e provocar alterações metabólicas que afetam a função sexual. Em determinadas situações, pode ocorrer redução do desejo sexual e dificuldade de ereção.
Medicamentos como sirolimo e everolimo, utilizados especialmente em pacientes transplantados, também podem interferir na função das gônadas, responsáveis pela produção de hormônios sexuais e células reprodutivas. Os efeitos podem incluir alterações hormonais e comprometimento da fertilidade.
Entretanto, a própria doença crônica, o estado geral de saúde e outros medicamentos utilizados pelo paciente também podem contribuir para essas alterações.
Pessoas que vivem com HIV podem apresentar alterações da função sexual relacionadas a diferentes fatores, como a própria infecção, alterações hormonais, envelhecimento, depressão, ansiedade e doenças associadas.
Alguns medicamentos antirretrovirais podem estar relacionados a efeitos que interferem na vida sexual, mas isso não ocorre com todos os tratamentos. A associação entre terapia antirretroviral e disfunção sexual depende do medicamento utilizado, das condições clínicas do paciente e de outros fatores.
Alterações metabólicas, efeitos sobre a distribuição de gordura corporal e possíveis interações medicamentosas também podem contribuir para o problema.
É importante destacar que a terapia antirretroviral é fundamental para controlar o HIV e preservar a saúde. Qualquer alteração sexual deve ser discutida com o médico responsável, sem interrupção do tratamento por conta própria.
O câncer e seus tratamentos podem provocar alterações na função sexual, tanto durante quanto depois do tratamento. Os efeitos dependem do tipo de tumor, dos medicamentos utilizados, da dose, da duração da terapia e das condições de saúde do paciente.
Alguns tratamentos hormonais reduzem a produção ou bloqueiam a ação dos hormônios sexuais. No câncer de próstata, por exemplo, medicamentos que diminuem a testosterona podem provocar redução do desejo sexual, dificuldade de ereção e alterações do orgasmo.
Nas mulheres em tratamento para determinados tipos de câncer, especialmente os tumores sensíveis aos hormônios, terapias que reduzem os níveis de estrogênio podem causar diminuição da libido, ressecamento vaginal, dor durante a relação sexual e sintomas semelhantes aos da menopausa.
A quimioterapia também pode afetar a produção hormonal e a fertilidade. Em homens, pode reduzir temporária ou permanentemente a produção de espermatozoides. Nas mulheres, pode provocar alterações menstruais, insuficiência ovariana e menopausa precoce.
A radioterapia na região pélvica e algumas cirurgias também podem comprometer estruturas envolvidas na resposta sexual.
Nem todas as alterações são permanentes. Algumas melhoram após o término do tratamento, enquanto outras podem persistir e exigir acompanhamento especializado.
Os antipsicóticos são medicamentos utilizados no tratamento de condições como esquizofrenia, transtorno bipolar e outros transtornos psiquiátricos.
Alguns desses medicamentos podem provocar alterações na função sexual, incluindo redução do desejo, dificuldade de ereção, alterações da ejaculação e dificuldade para atingir o orgasmo. Nas mulheres, podem ocorrer diminuição da libido, alterações menstruais, redução da lubrificação vaginal e dificuldade para chegar ao orgasmo.
Uma das principais causas desses efeitos é o bloqueio dos receptores de dopamina, que pode aumentar os níveis de prolactina, hormônio produzido pela hipófise. O excesso de prolactina pode interferir na produção dos hormônios sexuais e provocar alterações na função reprodutiva.
Medicamentos como risperidona, paliperidona e haloperidol estão entre os que podem elevar a prolactina. Outros antipsicóticos apresentam menor tendência a provocar esse efeito, embora também possam causar alterações sexuais por outros mecanismos.
A sedação, o ganho de peso e as alterações metabólicas associados a alguns desses medicamentos também podem contribuir para a redução do interesse sexual.
Pessoas com epilepsia podem apresentar alterações da função sexual relacionadas tanto à doença quanto aos medicamentos utilizados para controlar as crises.
Alguns anticonvulsivantes, como carbamazepina, fenitoína e valproato, podem interferir no metabolismo dos hormônios sexuais e provocar alterações da libido, da função erétil e da fertilidade.
A carbamazepina e a fenitoína, por exemplo, podem aumentar a atividade de enzimas do fígado que metabolizam hormônios, modificando a disponibilidade da testosterona no organismo. O valproato também pode estar associado a alterações hormonais e reprodutivas, embora os efeitos variem entre os pacientes.
A própria epilepsia pode interferir no funcionamento de regiões cerebrais envolvidas no desejo e na resposta sexual. Por isso, nem sempre é possível atribuir a alteração exclusivamente ao medicamento.
Os anti-histamínicos são utilizados principalmente no tratamento de alergias, rinite, urticária e outras condições.
Alguns medicamentos dessa classe, especialmente os mais antigos, como difenidramina, dimenidrinato e prometazina, podem provocar sonolência, sedação e efeitos anticolinérgicos, que incluem ressecamento de mucosas. Essas reações podem prejudicar o conforto durante a relação sexual e interferir na resposta sexual.
Embora existam relatos de alterações da ereção associadas a alguns anti-histamínicos, as evidências não permitem afirmar que todos os medicamentos dessa classe provoquem disfunção sexual.
Os anti-histamínicos mais recentes costumam apresentar menor efeito sedativo, mas a resposta depende do medicamento e das características individuais.
Diversos medicamentos podem interferir na função sexual, mas isso não significa que todas as pessoas apresentarão esses efeitos. A possibilidade de alteração depende da substância utilizada, da dose, do tempo de tratamento, das condições de saúde e da associação com outros medicamentos.
Além dos grupos mencionados, antidepressivos, especialmente os inibidores seletivos da recaptação da serotonina, alguns anti-hipertensivos e determinados medicamentos utilizados no tratamento de doenças da próstata também podem provocar redução da libido, dificuldade de ereção ou alterações do orgasmo.
É importante que o paciente informe ao médico qualquer mudança na vida sexual que tenha surgido após o início de um tratamento. O profissional poderá avaliar a relação entre o medicamento e os sintomas, investigar outras possíveis causas e considerar alternativas, como ajuste da dose, substituição do medicamento ou tratamentos específicos para a disfunção sexual.
Nunca interrompa ou reduza a dose de um medicamento por conta própria. A suspensão inadequada pode provocar piora da doença, retorno dos sintomas ou outros problemas de saúde.
O diálogo entre paciente e profissional de saúde é fundamental para preservar a eficácia do tratamento e a qualidade de vida, incluindo a saúde sexual.
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