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Droga Pode Ajudar a Tratar Infecção Fatal em Criança

Por Merritt McKinney

NOVA YORK (Reuters Health) - Uma droga contendo uma proteína natural parece ser um tratamento promissor para crianças com sépsis por meningococo, uma infecção que pode causar a morte, sugere um novo estudo.

Não se sabe ainda se a droga pode ajudar a prevenir mortes, embora ela pareça evitar algumas complicações graves, como a amputação de membros. Os pesquisadores acreditam, no entanto, que fornecer a droga mais cedo pode ser mais benéfico.

No estudo, as crianças não receberam a droga até uma média de seis horas após serem internadas.

A bactéria meningococo é a causa mais comum de meningite, uma infecção do cérebro e da medula espinhal. A bactéria também pode infectar a corrente sanguínea. A infecção pode resultar em choque séptico, uma condição potencialmente fatal que ocorre quando toxinas relacionadas à bactéria, conhecidas como endotoxinas, desencadeiam uma resposta forte do sistema imunológico que provoca dano nos tecidos e um colapso do sistema cardiovascular.

Essa condição relativamente rara é fatal em cerca de 30 por cento dos casos.

De acordo com Brett P. Giroir, do Centro Médico Infantil, em Dallas, Texas, muitos tipos de bactérias produzem endotoxinas, mas aquelas que causam doenças por meningococo as liberam em grandes quantidades.

Giroir e sua equipe, no entanto, vêm experimentando uma droga que combate a doença por meningococo removendo as endotoxinas.

A droga geneticamente modificada é a BPI (proteína bactericida que aumenta a permeabilidade), normalmente encontrada em células sanguíneas brancas, disse Giroir à Reuters Health.

"Ela é um antibiótico natural", disse o pesquisador. "Ela se liga completamente e neutraliza as toxinas que são produzidas pela bactéria".

Em um estudo com 393 crianças com sépsis por meningococo, Giroir e sua equipe descobriram que aquelas que foram tratadas com BPI estavam, de alguma forma, menos propensas a morrer do que crianças que não receberam a droga, de acordo com a pesquisa publicada na edição de 16 de setembro da Lancet.

Os pesquisadores afirmam que 7,4 por cento das crianças que receberam a droga morreram, comparadas a 9,9 por cento daquelas que receberam o tratamento com placebo, que não continha o medicamento.

A diferença entre os dois grupos de estudo não foi estatisticamente significante, no entanto, de acordo com Giroir, provavelmente, os benefícios da droga seriam maiores se as crianças a tivessem recebido antes.

Giroir destacou que, como a droga só poderia ser administrada em grandes centros médicos, muitas crianças que foram atendidas em hospitais menores morreram antes de serem tratadas e muitas morreram antes de receberem a infusão completa de 24 horas da droga.

Entre as crianças que receberam uma infusão completa da droga, a taxa de morte foi de 2,2 por cento.

O pesquisador afirmou que a droga, que é "totalmente segura", forneceu outros benefícios substanciais.

Às vezes, devido à gangrena causada pelo choque séptico, crianças com o problema têm que amputar parcial ou completamente um ou mais membros.

"Conseguimos reduzir o número de amputações graves em cerca de 70 por cento", garantiu Giroir.

De acordo com os pesquisadores, após dois meses de tratamento, cerca de 77 por cento das crianças tratadas com BPI conseguiram retornar a suas vidas normais, comparadas a cerca de 66 por cento das crianças do grupo que usou placebo.

Apesar dos benefícios que algumas crianças receberam da droga, os resultados do estudo são decepcionantes, de acordo com Marcel van Deuren, do Centro Médico Universitário, em Nijmegen, Holanda, e Petter Brandtzaeg, do Hospital Universitário Ulleval, em Oslo, Noruega.

Eles destacam, em um editorial acompanhando o estudo, que a droga poderia ter sido mais eficaz se tivesse sido dada antes.

Giroir concordou, afirmando que espera que a Food and Drug Administration (FDA) - agência norte-americana reguladora de drogas e alimentos - aprove a BPI para que, em breve, crianças possam receber a droga quando iniciarem tratamento antibiótico.

O estudo foi financiado pela XOMA, fabricante da droga experimental.

Sinopse preparada por Reuters Health

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