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Novos Estudos Comprovam Que Índices Muito Baixos De LDL Podem Não Proteger Contra Doenças Cardiovasculares

Neste Artigo:

- O que é o Colesterol?
- Quando e Como Tratar a Hipercolesterolemia?
- Estatinas: As Drogas mais Promissoras
- Quanto Deve Ser o Valor do LDL?
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Estudos recentes do "National Cholestrol Education Program" demostraram que uma redução máxima nos níveis de LDL, com o uso das nistatinas, reduzem dramaticamente os riscos de doenças coronarianas. Mas, contraditoriamente, alguns estudos mais atuais revelam que essa afirmativa pode não ser verdadeira.

O que é o Colesterol?

O colesterol é um esteróide fundamental para os processos normais da atividade celular. Ele é transportado no sangue por três classes de substâncias: as lipoproteínas de alta densidade (HDL), as lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e as lipoproteínas de muito baixa intensidade (VLDL).

Apesar de ser assintomática, a hipercolesterolemia, mais especificamente os níveis elevados de LDL, contribuem para o aparecimento de doenças cardiovasculares, como o infarto do miocárdio e os derrames cerebrais. O colesterol é um dos componentes principais das placas de aterosclerose que recobrem as artérias provocando obstrução das mesmas, culminando nas doenças acima citadas.

Existem evidências consolidadas, a partir de estudos bem orientados, de que a diminuição do colesterol total e, principalmente, sua fração LDL reduz a incidência de infarto e outras doenças cardiovasculares.

Quando e Como Tratar a Hipercolesterolemia?

O tratamento da hipercolesterolemia tem por finalidade principal a prevenção de doenças cardiovasculares em pacientes com vários fatores de risco (prevenção primária) e prevenção secundária, naqueles que já tem alguma doença cardiovascular.

Para a prevenção primária da aterosclerose, devem ser atingidos valores de LDL menores que 160mg/dL, na ausência de outros dois ou mais fatores de risco para a doença (como tabagismo, hipertensão arterial, diabetes melito e obesidade), e inferiores a 130mg/dL, na presença dos mesmos.

Atualmente, em pacientes que apresentam alguma doença cardiovascular, há consensos que preconizam valores de LDL menores que 100mg/dl, além do controle rigoroso dos outros fatores de risco. Nesses casos é sensato manter níveis de HDL maiores de 35mg/dl e de triglicérides menores de 200mg/dl.

O tratamento deve ser iniciado com medidas compatíveis com hábitos de vida mais saudáveis, como alimentação pobre em gorduras, emagrecimento, prática de atividade física e combate ao hábito de fumar. Se com esse controle não forem atingidos os objetivos propostos, deve ser considerado o início do uso de drogas.

Estatinas: As Drogas mais Promissoras

Essas drogas são consideradas atualmente, como as mais promissoras. Elas inibem uma enzima responsável pela síntese intracelular do colesterol. Diminuem os níveis de LDL, provocam pequeno aumento do HDL e pequena diminuição nos níveis de triglicérides.

Seu efeito começa a ser verificado após duas semanas de uso, estabilizando-se a partir da quarta semana, com redução de até 30% do colesterol total, 40% do LDL, 20% do VLDL e dos triglicérides, e aumento do HDL em torno de 10%.

São bem tolerados, mas podem provocar efeitos colaterais como alterações gastrintestinais (náuseas, vômitos e diarréia), alterações das enzimas hepáticas, dores musculares e eventuais distúrbios do sono.

Quanto Deve Ser o Valor do LDL?

De acordo com o Dr. Terry A. Jacobson, apesar dos baixos níveis de LDL reduzirem dramaticamente os riscos de infarto e outras doenças cardiovasculares, os valores mínimos dessa substância e a afirmativa de que quanto menores os valores de LDL melhor, não apresentam evidências claras de sua veracidade.

Segundo o Dr. Terry, que fez uma revisão de alguns estudos publicados sobre o tratamento da hipercolesterolemia com o uso das estatinas, os níveis de LDL não devem ser diminuídos drasticamente. Ele cita em seu estudo os dados encontrados em várias pesquisas, dentre elas o estudo "CARE" (Cholestrol and Recurrent Events), no qual os seguintes dados foram revelados a respeito do tratamento das dislipidemias em pacientes com doenças coronarianas pré-existentes: os pacientes que tiveram os níveis de LDL reduzidos de174mg/dl para 125mg/dL, entre 4.159 pessoas com coronariopatia que foram tratados com 40mg por dia de pravastatina apresentaram uma significativa redução na recorrência dos sinais de infarto. Mas, por outro lado, os pacientes que tiveram os níveis de LDL reduzidos de 124mg/dL para 71mg/dl não tiveram nenhum benefício cardioprotetor.

Outro estudo analisado pelo Dr. Terry é o "LIPID" (Long-term Intervention With Pravastatin in Ischaemic Disease), no qual foi constatada uma redução de 30% dos riscos de morte ou de recorrência de infarto nos pacientes que apresentaram os níveis de LDL reduzidos para 174mg/dL, de 26% naqueles que tiveram os níveis de LDL reduzidos para valores de 135 a 172mg/dL e somente de 16% naqueles com os níveis de LDL reduzidos para menos de 135mg/dL.

O Dr. Terry analisou também estudos realizados em pacientes sem doenças cardiovasculares associadas, e nesses casos chegou à mesma conclusão. Uma das pesquisas analisadas foi o "Woscops" (West of Scotland Coronary Prevention Study), no qual todos os pacientes recebiam uma dose fixa de pravastatina (40mg/dia), independente dos níveis sanguíneos de colesterol. Em todos esses pacientes a redução dos riscos foi em torno de 31%, independente dos níveis de LDL alcançados.

O Dr. Terry acredita que esses resultados mostram que altas doses de estatinas e níveis extremamente baixos de LDL não trazem nenhum benefício adicional aos pacientes com hipercolesterolemia. Uma limitação do estudo é que os dados não podem ser usados para pacientes com Diabetes tipo II, onde os níveis de LDL devem ser menores de 120mg/dl (de acordo com a Associação Americana de Diabetes), sendo, portanto necessário à implantação de uma terapia pesada.

Outro argumento usado é o fato dos outros benefícios das estatinas não terem sido avaliados, como o aumento dos níveis de HDL. Estudos mostram que essas drogas podem elevar os níveis de HDL em até 8%, e a cada 1mg/dl reduzido confere uma proteção de 2 a 3% em relação ao risco de doença coronariana. Outros benefícios das estatinas podem auxiliar na diminuição dos riscos e ainda não foram avaliados, como a melhora da função endotelial, estabilização das plaquetas (o que evita a formação de coágulos sobre as placas ateromatosas, prevenindo os episódios de infarto), dentre outros.

Enfim, o autor acredita que mais estudos devam ser realizados, porém, até que os resultados dessas pesquisas sejam obtidos, é necessária uma conduta prudente perante os pacientes com hipercolesterolemia.

Fonte: Ann Intern Med. 2000; 133:549-554.

Copyright © 2000 eHealth Latin America             09 de Novembro de 2000


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