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Artigos de saúde

Quando começa a vida?

© Equipe Editorial Bibliomed

Neste Artigo:

- Introdução
- Defesa do aborto

Introdução

Desde sempre, e sem uma resposta satisfatória, as pessoas se perguntam quando começa a vida humana - o que teria implicações importantes na discussão sobre aborto, métodos contraceptivos e fertilização in vitro. Alguns argumentam que, desde o momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo - processo que dá início à gestação -, já podemos considerar que há início da vida. Outros defendem que é preciso um coração pulsando e um cérebro funcionando, ou seja, a presença de sistema circulatório e nervoso - em torno do segundo mês de gestação -, para que o feto seja considerado um ser vivo. Entretanto, chegar a um conceito sobre vida parece impossível, porque esse debate é influenciado por valores religiosos, políticos e morais.

Aqueles que acreditam que a vida se inicia a partir do momento da união do gameta masculino com o feminino, no processo chamado de fertilização ou concepção, - incluindo Igreja Católica e pessoas contra a utilização de células tronco embrionárias - defendem que interromper a gestação em qualquer etapa é aborto, e isso inclui o uso da pílula do dia seguinte. “Fertilização é uma sequência de eventos que começa com o contato de um espermatozoide com um óvulo em sequência e termina com a fusão de seus núcleos e a união de seus cromossomos formando uma nova célula. Este óvulo fertilizado, conhecido como zigoto, é uma larga célula diploide que é o começo, o primórdio de um ser humano", defende o cientista Keith L. Moore, da Universidade de Toronto. Neste sentido, a fertilização in vitro, seria considerada inaceitável, visto que envolve a união de gametas de forma artificial fora do útero e a morte de alguns embriões.

Outra concepção sobre o início da vida humana difere da primeira “apenas em alguns dias”. De acordo com essa corrente - muito aceita por especialistas, pela população geral e pelos defensores das técnicas de reprodução assistida -, a vida se inicia apenas com a fixação do óvulo fecundado no útero - ambiente que permitirá seu crescimento e desenvolvimento -, o que ocorre por volta do sétimo ao décimo dia de gestação. Aqueles que acreditam nessa teoria aceitam a pílula do dia seguinte, pois esse método contraceptivo impede que o óvulo se fixe no útero, evitando a gravidez antes do início da vida.

Para a teoria embriológica, por sua vez, a vida começa na terceira semana de gestação, quando o embrião adquire individualidade e pode se dividir dando origem a outros indivíduos. Essa visão também permite o uso de contraceptivos como a pílula do dia seguinte. Já a teoria neurológica aplica a definição de morte para marcar o início da vida: "se a morte é o fim das ondas cerebrais, então vida é o início dessa atividade”, o que ocorreria somente após a oitava semana de gravidez.

Defesa do aborto

Apesar das diferenças em relação à quando se inicia a vida, todas essas concepções anteriores defendem que interromper a gravidez é um tipo de assassinato, pois coloca fim à vida de um ser humano. Por isso, acreditam que o aborto deve ser proibido e punido pela lei.

Por outro lado, há aqueles que sustentam que a vida começa quando o feto tem condições viver fora do útero. Para isso, é preciso que os pulmões, assim como diversos outros órgãos, estejam minimamente desenvolvidos, o que ocorre por volta da 25ª semana de gestação. Os adeptos dessa concepção, assim como aqueles que defendem que a vida humana começa quando o indivíduo nasce e se torna independente da mãe, defendem o aborto. “Impedir que a mulher decida se quer ou não ser mãe não é uma atitude sensata", disse o geneticista Walter Pinto, em publicação da Editora Abril.

Essa visão é amplamente criticada, pois, por volta do quinto e sexto mês de gestação, o bebê já está com os órgãos desenvolvidos, já está desenvolvendo os sentidos, sente dor e já reage a estímulos externos. Por isso, os críticos dessa concepção defendem que, nesse período, a vida já está praticamente “pronta” - e não no início -, sendo que o aborto configuraria interrupção da vida e, consequentemente, crime.

Por causa dessa infinidade de opiniões sobre quando começa a vida, influenciadas por valores religiosos, políticos e morais, muitos especialistas acreditam que não caberia, exclusivamente, à ciência, à política ou à religião definir essas questões do ponto de vista ético. Caberia, sim, à sociedade escolher, por exemplo, se é aceitável interromper a gestação de um embrião humano sem cérebro, ou utilizar embriões em pesquisas com células tronco. Nesse sentido, ainda haverá muito debate sobre essas questões controversas.

Referências:

1. http://www.brasilmedicina.com.br/noticias/pgnoticias_det.asp?Codigo=1048&AreaSelect=1

2. http://mundoestranho.abril.com.br/ciencia/pergunta_287734.shtml

3. http://super.abril.com.br/revista/240a/materia_especial_261570.shtml?pagina=1

4. http://www.universocatolico.com.br/index.php?/quando-comeca-a-vida-humana-afinal.html

Copyright © 2010 Bibliomed, Inc. 15 de outubro de 2010



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