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Artigos de saúde

Alergia alimentar – o que é

© Equipe Editorial Bibliomed

Neste Artigo

- A alergia alimentar é comum?
- Quais alimentos estão mais associados a reações alérgicas?
- Quais são os fatores predisponentes à alergia?
- Quais os sinais e sintomas da alergia alimentar?
- Quais reações podem ocorrer logo após a ingestão do alimento?

A alergia alimentar é comum?

É bastante difícil estabelecer se a incidência de alergia aos alimentos, porque ainda não existem métodos simples e objetivos que permitam confirmá-la. Embora diversos sinais e sintomas alérgicos e exames laboratoriais tenham sido sugeridos como úteis nessa avaliação, ainda hoje o diagnóstico das reações alérgicas e da intolerância aos alimentos é feito com base nos achados clínicos. Além desses problemas, sabemos que a percepção da alergia alimentar, pelos pacientes, é muito variável, dependendo de diversos fatores.

Alguns dados, porém, são conhecidos. Sabe-se que, em crianças, existe uma maior freqüência de reações aos alimentos (cerca de 10%) do que em adultos (aproximadamente 3%). Além disso, as crianças mais jovens, especialmente com idade inferior a um ano, apresentam maior probabilidade de desenvolver alergia alimentar do tipo imediata e outras reações adversas aos alimentos de origem imunológica. A maioria dos casos de intolerância alimentar e alergia alimentar, na infância, resolve-se espontaneamente.

Quais alimentos estão mais associados a reações alérgicas?

A grande maioria das reações alérgicas (mais de 90%) é causada por um pequeno grupo de alimentos, sendo eles:

  • Leite;
  • Ovos;
  • Alguns legumes;
  • Trigo;
  • Nozes.

Alguns outros alimentos, menos comumente associados, são: peixes e frutos do mar, frutas cítricas, melão, tomate, aipo, arroz e milho. Em um estudo realizado com crianças, observou-se que cerca de 60% dos casos eram causados por leite, ovos e peixe. Além disso, aproximadamente 75% das reações alérgicas ao leite de vaca ocorreram nos primeiros seis meses de vida.

Sabe-se que qualquer alimento pode causar reação alérgica, porém tanto o potencial alergênico quanto o padrão de consumo podem modificar a ocorrência dessas manifestações, em cada faixa etária específica e em cada tipo de população. Dessa forma, o leite representa o principal causador de reações alérgicas alimentares em crianças, mas é o quinto mais comum em adultos. Nesses últimos, os alimentos que mais comumente causam reação alérgica são: ovos, peixes, mariscos e aipo.

Quais são os fatores predisponentes à alergia?

1. Idade

Grande parte das reações alérgicas alimentares ocorre em crianças com menor idade. A alergia relacionada ao consumo do leite de vaca, por exemplo, afeta principalmente crianças com idade inferior a 3 anos, sendo o pico de incidência entre 6 e 18 meses de vida. Os possíveis mecanismos responsáveis pela maior ocorrência de reações alérgicas alimentares, nessa faixa etária, seriam: (1) imaturidade da mucosa intestinal; (2) deficiência de um tipo específico de anticorpo, o IgA, presente nas mucosas.

2. Hereditariedade

De forma geral, a tendência ao desenvolvimento de alergia é uma característica herdada geneticamente, e a maioria dos pacientes alérgicos apresentam parentes de primeiro grau com os mesmos sintomas. Em estudos realizados com crianças, foi sugerido que a história familiar de alergia seria o fator mais fortemente associado ao desenvolvimento de manifestações alérgicas. Essa hereditariedade parece estar ligada a uma maior predisposição que esses indivíduos têm de produzir um tipo específico de anticorpo, associado às reações alérgicas, o IgE.

3. Contato precoce com os antígenos

Antígenos são substâncias, ou partes delas, capazes de induzir uma resposta imune no nosso organismo, ou seja, a produção de anticorpos. Alguns tipos de alimentos, na presença de uma mucosa intestinal imatura, como nas crianças, apresentam maior potencial de causar alergia, pois seus antígenos são mais absorvidos pela mucosa. Vários estudos mostram que as crianças, que são amamentadas ao seio por mais tempo, têm menor chance de desenvolver alergia alimentar ao leite de vaca.

4. Potencial alergênico dos alimentos

O potencial alergênico refere-se à capacidade que o alimento tem de induzir uma reação alérgica. De uma forma geral, os alérgenos vegetais apresentam perda do potencial alergênico após a cocção, ao contrário dos alérgenos de origem animal. Aproximadamente 80% das proteínas do leite são resistentes ao calor, mantendo seu potencial alergênico mesmo após a fervura. No entanto, o potencial alergênico das proteínas do leite pode ser reduzido com processos empregados na produção das fórmulas infantis. Assim, essas fórmulas apresentam menor potencial de induzir alergia, embora ainda mantenha um certo risco.

5. Estado imunológico do indivíduo

As infecções e outras doenças que afetam o sistema imunológico podem aumentar a freqüência de sensibilização, pela perda da integridade da mucosa intestinal ou por alterações na resposta imunológica. Os pacientes que apresentam diarréia crônica possuem um risco maior de desenvolver alergia alimentar.

6. Deficiência de IgA

Esse anticorpo, na forma presente nas mucosas, é o mais importante do trato gastrintestinal, pois tem papel essencial na redução da absorção das substâncias alergênicas. Os indivíduos com deficiência na produção desses anticorpos apresentam risco aumentado de reações alérgicas alimentares.

Quais os sinais e sintomas da alergia alimentar?

Os sintomas podem ser os mais variados possíveis, afetando diversos órgãos e sistemas. Eles podem se iniciar logo após a ingestão do alimento, ou várias horas após esse contato. Além disso, os sintomas podem ser leves, ou até mesmo ameaçadores à vida (especialmente quando afetam o sistema respiratório).

As manifestações mais comuns são:

  • Urticária ou erupção cutânea avermelhada;
  • Coceira na pele;
  • Inchaço nos lábios, face, garganta ou outra parte do corpo;
  • Vômitos;
  • Diarréia;
  • Dor de estômago;
  • Chiera ou dificuldade para respirar;
  • Tosse;
  • Dificuldade para engolir;
  • Olhos vermelhos e/ou com lacrimejamento;
  • Desmaio;
  • Tonteira.

Quando graves, os sintomas costumam iniciar-se entre alguns minutos até duas horas após a ingestão do alimento.

Quais reações podem ocorrer logo após a ingestão do alimento?

1. Síndrome da Alergia Oral

Considerada um tipo de urticária de contato, que acomete exclusivamente a cavidade oral. Os sintomas iniciam-se e terminam rapidamente, estando geralmente associados à ingestão de frutas e vegetais secos.

2. Anafilaxia Gastrintestinal

Os sintomas compõem-se de náuseas, vômitos, cólicas, dor abdominal e diarréia. Iniciam-se nas primeiras duas horas após a ingestão do alimento. Esses pacientes, normalmente crianças, apresentam sintomas logo após a alimentação, associados à dificuldade de crescimento e perda de peso.

3. Urticária e Angioedema

São as manifestações mais comuns de alergia alimentar, iniciando-se alguns segundos após a ingestão do alimento. O angioedema caracteriza-se por inchaço de lábios e da mucosa da boca. Os alimentos mais associados são: leite, ovos, peixes, mariscos, amendoins.

4. Sintomas Respiratórios

Incluem vermelhidão e coceira ao redor dos olhos, lacrimejamento, congestão nasal, coriza e, raramente, chiera torácica. Ocorrem entre alguns minutos até duas horas após a ingestão do alimento.

5. Anafilaxia Generalizada

É a reação mais grave, podendo levar à morte da pessoa. O paciente costuma apresentar queda da pressão arterial, colapso do sistema cardiovascular, arritmias cardíacas e dificuldade para respirar (podendo levar à asfixia). É uma emergência médica, que deve ser tratada imediatamente.

Copyright © 2008 Bibliomed, Inc.                                        31 de janeiro de 2008.



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