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Menopausa, revisões mais recentes

Neste artigo:

- De onde vem isso?
- Tratamento
- Referências

Os fogachos acometem aproximadamente 75% das mulheres na menopausa. Eles iniciam-se mais frequentemente durante ou após a menopausa, porém podem já estar presentes no período da perimenopausa, quando já existe uma deficiência relativa de estrogênio.

Esses sintomas iniciam-se com uma sensação súbita de calor, que se inicia na face e na região superior do tórax, que rapidamente se generaliza. O processo dura de 2 a 4 minutos e associa-se a sudorese excessiva e, ocasionalmente, a palpitações, sendo seguida pelo aparecimento de calafrios e tremores. Os fogachos podem ocorrer várias vezes ao dia e também durante a noite, levando a distúrbios do sono.

Embora em muitas mulheres esses sintomas não sejam muito perturbadores, em outras os episódios são muito freqüentes e/ou graves. Essas pacientes costumam queixar-se de fadiga, nervosismo, ansiedade, irritabilidade, depressão e perda de memória. Parece que essas queixas estão relacionadas à ocorrência de fogachos durante a noite, com conseqüente alteração do padrão do sono. 

Mais de 80% das mulheres que apresentam fogachos continuarão tendo sintomas por mais de um ano e, se não tratados, há uma cessação espontânea após um período que varia entre 5 e 6 anos. Porém, estima-se que grande parte dessas mulheres continue apresentando sintomas até mesmo após os 70 anos.

De onde vem isso?

A causa dos fogachos ainda não foi estabelecida, porém acredita-se que seja resultado de uma disfunção do centro de controle da temperatura do corpo, que é controlado pelo estrógeno. Com a redução deste, na menopausa, ocorre a disfunção do controle da temperatura. A temperatura corporal encontra-se em valores normais no início dos sintomas, e cai abaixo desses valores, após o término dos mesmos, indicando que ocorre uma dissipação rápida de calor.

Alguns estudos demonstraram que os fogachos ocorrem simultaneamente à liberação de descargas de hormônio luteinizante (LH).

Especula-se que o desencadeamento das crises seja devido a redução de substâncias opióides, normalmente presentes em nosso organismos e que são controlados pelo estrógeno. Com sua redução (do estrógeno) na menopausa, pode haver uma queda ou cessação da atividade desses opióides.

Devido ao mau funcionamento do sistema regulador de temperatura do corpo, ocorre uma vasodilatação, levando a um aumento do fluxo sanguíneo da pele e a uma sudorese excessiva. Isso resulta na rápida perda de calor corporal, reduzindo a temperatura central para níveis abaixo do normal. Os tremores ocorrem em uma tentativa de elevar novamente a temperatura corporal.

Além do LH, outras substâncias encontram-se com níveis elevados, durante o episódio de fogacho, como: adrenalina, corticotropina, cortisol, androstenediona entre outras.

Tratamento

Os resultados de um estudo mundial, realizado em mulheres e publicado em 2002, levaram a uma reavaliação do uso da terapia de reposição hormonal (TRH), para o alívio dos fogachos.

No estudo, 16.608 mulheres saudáveis receberam Terapia de Reposição Hormonal (TRH) ou placebo. O estudo foi interrompido porque os pesquisadores observaram um aumento na incidência de câncer de mama, de doença arterial coronariana, derrame cerebral e embolia pulmonar nas mulheres em uso de TRH, comparadas às pacientes em uso de placebo. Assim, muitas mulheres consideram inaceitáveis os riscos associados a TRH e buscam alternativas terapêuticas para o alívio desses sintomas vasomotores. Além disso, algumas mulheres apresentam contra-indicações ao uso da TRH. Dessa forma, é importante que se avalie outros tratamentos eficazes.

Apresentaremos, aqui, alguns agentes que já foram estudados em mulheres na menopausa.

Fluoxetina e citalopran

Estudos iniciais (Million Women Study) relataram uma redução de 50% a 70% nos sintomas, principalmente nas mulheres com história de câncer de mama. Assim, estudos maiores foram realizados posteriormente, demonstrando a eficácia desses agentes, em comparação ao placebo. A fluoxetina parece ser menos eficaz. Em um estudo com 150 pacientes, nem a fluoxetina e nem o citalopran mostraram superioridade ao placebo no alívio dos sintomas, embora tenha sido observada uma melhora no padrão do sono das pacientes em uso do citalopran.

Os principais efeitos colaterais relatados nos estudos foram insônia, agitação, náuseas, prisão de ventre, falta de apetite e boca seca.

A decisão quanto a dose e a duração do tratamento, ainda não foram definidas. No entanto, parece que os esquemas que utilizam doses pequenas e médias estão associados a uma melhora semelhante dos sintomas, quando comparados aos esquemas com altas doses.

2) Clonidina

A clonidina mostrou eficácia no alívio dos fogachos em alguns estudos, mas não em todos. Normalmente , a clonidina é aplicada na forma de adesivos cutâneos, que são mantidos em contato com a pele por uma semana, mas também pode ser utilizada por via oral.

O exato mecanismo de ação no alívio dos sintomas também não é conhecido, mas parece estar relacionado à capacidade que a clonidina apresenta em diminuir a vasodilatação.

O medicamento foi associado a uma redução de 20% na freqüência das crises de fogachos e de 27% no total dos sintomas, quando comparado ao placebo. Porém, em outros estudos a clonidina foi menos eficaz.

Os efeitos colaterais mais comuns são boca seca, prisão de ventre, sonolência. Irritação local, foi observada quando usada na forma de adesivo.

3) Progesterona sintética

Normalmente usado no tratamento de pacientes com câncer de mama. Seu uso mostrou redução de 85% na freqüência de crises de fogachos (contra uma redução de 21% com o placebo).

No início da terapia pode ser observado um aumento transitório na ocorrência dos sintomas, em um período de uma a duas semanas. O ganho de peso é o principal efeito colateral da terapia a longo prazo. Outras progesteronas também podem ser eficazes.

4) Esteróide sintético

Tem um efeito benéfico na densidade mineral óssea e, em alguns estudos, foi associada a uma redução na freqüência dos fogachos.

No estudo Million Women Study, foi relatado um aumento do risco de câncer de mama, que ainda não havia sido notado. Houve também um aumento no risco de câncer uterino. Os efeitos a longo prazo com relação à doença cardiovascular ainda não são conhecidos.

7) Isoflavonas da soja

O consumo de soja foi associado a uma redução dos sintomas, em mulheres asiáticas, que fazem uso de dietas ricas em soja.

A soja contém grandes quantidades de fitoestrógenos e é o alimento mais rico em isoflavonas disponível para consumo. As isoflavonas são semelhantes aos estrogênios do organismo. Os efeitos das isoflavonas no alívio dos fogachos são leves, mas os resultados dos estudos ainda são inconclusivos.

Em uma revisão de 11 estudos que avaliaram a suplementação alimentar com isoflavonas ou soja, apenas três dos seis estudos, com pelo menos seis semanas de acompanhamento, demonstraram benefício. No entanto, esse período de acompanhamento é muito pequeno para se avaliar com certeza os efeitos de determinada intervenção no alívio dos sintomas.

Alguns outros estudos mostraram que a isoflavona reduz a gravidade das crises, mas não sua freqüência.

O Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras afirma que esses compostos podem ser úteis a curto prazo, ou seja, dois anos ou menos, no tratamento dos sintomas vasomotores. Porém, devido à possibilidade de combinação com os estrogênios, esses agentes não devem ser considerados sem risco, principalmente em mulheres portadores de tumores.

Como uma grande variedade de compostos e doses esta disponível, é difícil recomendar a dose mais apropriada e o melhor produto a ser usado.

8) Trevo Vermelho

O trevo vermelho também é uma fonte de isoflavonas. Baseando-se em dados de pequenos estudos clínicos, o uso dessa planta não tem efeito na redução dos fogachos, quando comparado ao placebo.

9) Black Cohosh

O Black Cohosh é um fitoterápico que parece ser promissor no tratamento dos fogachos, embora os resultados dos estudos sejam inconsistentes. Seu mecanismo de ação não é conhecido, mas acredita-se que ele tenha um efeito estrogênico.

O Black Cohosh é o fitoterápico mais estudado e talvez o mais popular no tratamento dos fogachos. Normalmente, ele não é utilizado a longo prazo. Os resultados dos estudos são conflitantes, mostrando desde nenhuma ação até uma redução de 84% nos sintomas. O Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras afirma que o uso desse fitoterápico pode ser útil a curto prazo, ou seja, 6 meses, no tratamento dos sintomas.

Essa erva pode exercer um efeito estrogênico na mama, por isso não deve ser considerada uma terapia segura para mulheres com história de câncer de mama ou consideradas de alto risco.

Referências

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Copyright © 2006 Bibliomed, Inc.           13 de março de 2006.



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