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Artigos de saúde

Obesidade e Pobreza: Uma Realidade Cada Vez Mais Possível

Caso você tenha observado que suas roupas estão se tornando cada vez mais apertadas... cuidado! Você pode estar ingressando no grupo, já não tão pequeno, dos obesos. O alerta é do médico endocrinologista e metabologista, Dr. Dr. Willian Pedrosa.

A obesidade é considerada como doença, de acordo com o médico, desde 1985 e vem merecendo atenção cada vez maior por parte dos médicos e instituições de saúde. Tal fato decorre do número cada vez maior de obesos observado em todo o mundo, inclusive no Brasil. Dados estatísticos revelam que cerca de 10% da população brasileira é considerada obesa, sendo a maioria do sexo feminino. Esse aumento mundial da obesidade vem sendo notado desde a revolução tecnológica que inseriu novos hábitos de vida e de alimentação para o ser humano.

Hoje, contamos com meios de transporte cada vez mais acessíveis, telefones celulares, controles remotos, entre outros, que permitem ao homem desenvolver ações com um gasto energético muito menor comparado ao período anterior a essas inovações. O sedentarismo é uma característica do mundo moderno. O estresse do dia-a-dia nos impõe hábitos alimentares diferentes. As refeições passam a ocupar um lugar cada vez menor na nossa carga horária, com os sanduíches e salgados tendo um lugar de destaque na nossa alimentação. O apelo da mídia ao chamado fast food tem proporcionado a incorporação desse tipo de alimento, rico em gordura, em substituição às nossas principais refeições.

Obesidade e Saúde

Dr. Willian Pedrosa, acrescenta que a obesidade pode ser considerada como o acúmulo ou excesso de gordura corporal numa quantidade que traga prejuízos a nossa saúde, não só pelo aparecimento de doenças associadas como também pela diminuição da expectativa de vida. Uma maneira simples de verificar se você se encontra obeso ou não, é através do cálculo do índice de massa corpórea. Ele é calculado dividindo-se o seu peso (em kg) pela sua altura (em metros) ao quadrado, conforme a fórmula: IMC= Peso/ (Altura)2. Você será considerado obeso se o valor for igual ou maior do que 30 Kg/m2 . Existem outras formas de se calcular a obesidade, podendo ser utilizados instrumentos como o paquímetro, bioimpedância, tomografia computadorizada entre outros. A gordura pode estar depositada debaixo da pele (ou subcutâneo) ou por dentro do organismo (visceral). Essa distribuição é importante, uma vez que a gordura visceral está associada a mais problemas de saúde, explica.

Os problemas de saúde associados à obesidade são inúmeros. Podemos citar, dentre outros: diabetes mellitus, hipertensão arterial, aumento do colesterol e triglicérides, doenças cardíacas, hérnias, distúrbios respiratórios e do sono, além da artrose. Devemos também levar em consideração os transtornos psíquicos que podem acompanhar as pessoas obesas. Não fica muito difícil perceber que a obesidade gera mais custos para a sociedade uma vez que os obesos têm mais doenças e se internam com mais freqüência, além de necessitarem de uma quantidade maior de medicamentos.

Correlação

Pode-se imaginar, num primeiro momento, que a obesidade seria exclusiva das classes econômicas mais abastadas, já que nesse caso, as pessoas teriam acesso irrestrito aos alimentos, permitindo um maior consumo dos mesmos. Além do mais, essas pessoas estariam se dedicando ao trabalho com menor dispêndio calórico. Esse modelo, comenta o endocrinologista, funciona bem para países extremamente pobres, onde encontramos uma população dicotomizada em duas classes econômicas: ricos e pobres. Os pobres, nesses países, têm dificuldades de acesso ao alimento e se dedicam a atividades de maior esforço físico como forma de trabalho.

O especialista relata ainda que nos casos dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, onde o Brasil se enquadra, a renda familiar e o tipo de trabalho deixam de ser os fatores determinantes isolados do risco de se desenvolver a obesidade. Estudos mostram que nesses países o que conta são o nível de educação (a busca informada do alimento) e a atividade física desenvolvida nos momentos de lazer. Tal fato ocorre pelo acesso facilitado aos alimentos básicos mesmo pelas classes menos favorecidas além da população ter um perfil de ocupação semelhante no tocante ao gasto energético. No Brasil, essa tendência é observada tanto no meio rural quanto no meio urbano, onde vivem três quartos da população brasileira. Além disso, o Brasil tem incorporado hábitos alimentares de outros países (onde a prevalência da obesidade é ainda maior) de uma maneira rápida, sem aumento em sua atividade física. Estudos recentes mostram, que nas classes de baixo poder aquisitivo, foram observadas as maiores incidências de obesidade nos últimos anos. Esse aumento tem sido verificado principalmente no sexo feminino.

Hereditariedade

É certo que a hereditariedade, afirma o médico, é um fator que contribui para a obesidade. Para se ter uma idéia da importância da genética, observamos que quando os pais são obesos, seus filhos tem uma chance de 80% de ser obeso. No entanto, o tratamento dessas pessoas obedece às mesmas estratégias utilizadas para o restante da população. O tratamento visa, além da perda de peso de uma maneira saudável, a manutenção dessa perda. As orientações quanto à melhora dos hábitos alimentares, reduzindo o consumo de frituras e gorduras além de priorizar frutas, verduras e legumes durante as refeições continuam sendo importantes.

A reeducação alimentar deve obedecer às características individuais, respeitando as diferenças que existem de pessoa para pessoa. A atividade física deve ser estimulada. Cada paciente deve buscar, junto ao seu médico, a atividade física mais adequada para seu tratamento. Doenças cardíacas e ortopédicas, comuns em pacientes obesos, podem restringir alguns tipos de exercícios.

Com relação aos medicamentos, o endocrinologista explica que eles podem ser utilizados dentro de um programa de tratamento, sempre com a orientação do médico. A perda de peso deve ser gradual, permitindo ao paciente incorporar novos hábitos de vida. Para um grupo especial de pacientes, aqueles com grande excesso de peso e presença de doenças associadas à cirurgia para redução do peso pode ser uma forma de tratamento. Nesse caso, o paciente deve ser avaliado conjuntamente por uma equipe de saúde: endocrinologista, cirurgião e psiquiatra ou psicólogo. "O paciente só deve ser submetido a esse tratamento quando houver um consenso da equipe multidisciplinar".

Prevenção

Uma vez que a obesidade é uma doença que gera inúmeros agravos à saúde do indivíduo e aumenta custos para a saúde do país, fica clara a necessidade de se criar métodos que visem prevenir o seu desenvolvimento. A prevenção deve atingir toda a população, principalmente a classe pobre, que tem acesso limitado à educação. A população deve ser alertada quanto aos riscos da obesidade e como preveni-la. "As informações devem ser veiculadas nos meios tradicionais de informação com uma linguagem acessível e de fácil compreensão. A televisão, rádio e jornal são meios de comunicação de massa que podem ser utilizados. A distribuição de material educativo com realização de palestras em escolas e centros comunitários permitirá uma abordagem mais próxima e direcionada à população".

Com relação a obesidade infantil, ele acrescenta ainda que esta vem aumentando na mesma proporção que na faixa etária mais velha. A veiculação de propagandas que estimulam a ingestão de alimentos com alto teor de gordura e ao sedentarismo devem ser revistos, priorizando comerciais que estimulem um estilo de vida ativa com hábitos alimentares saudáveis. "Medidas gerais de promoção de saúde, distribuição de renda e educação fazem parte dessa prevenção. Somente a conscientização da população dos riscos da obesidade poderá controlar essa verdadeira epidemia", finaliza o endocrinologista.

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