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Artigos de saúde

Cesarianas Atingem 32% dos Partos no Brasil

850.000 partos cesarianos desnecessários são feitos a cada ano na América Latina. Isto é o que informa um novo estudo, publicado na edição desta semana (27 de Novembro) da revista British Medical Journal.

O estudo, conduzido pelo Dr. José M Belizán, do Uruguai, e da Organização Mundial de Saúde, foi realizado em 19 países latino-americanos, e teve como objetivo calcular as incidências de partos cesarianos nestes países e correlacionar estes dados com variáveis sócioeconômicas, demográficas, e de cuidados de saúde.

Os partos por cesariana aumentam os riscos para a saúde das mães e bebês, como também os custos de cuidados médicos, se comparados com os partos normais. Nos últimos anos, tem ocorrido preocupação quanto às taxas crescentes de partos cesarianos em alguns países de América Latina.

Para a obtenção dos dados para análise, verifica-se uma dificuldade adicional quanto à pouca precisão dos bancos de dados disponíveis na região -- para estimar a incidência do parto cesariano na América Latina, os autores utilizaram fontes diversas de dados. Foram estudados países de língua espanhola, portuguesa, e francesa. Foram formados três grupos de países: aqueles onde os números nacionais estavam disponíveis por vigilância periódica ( Chile, Costa Rica, Cuba, Equador, Guatemala, Uruguai, e Venezuela); aqueles onde os números nacionais estavam disponíveis por pesquisas especiais ( Bolívia, Colômbia, Honduras, Haiti, República Dominicana, e Peru); e aqueles onde os números nacionais não estavam disponíveis e tiveram que ser calculados à partir de taxas institucionais e proporcionalmente às taxas de parto de instituições (Argentina, Brasil, El Salvador, México, Panamá, e Paraguai). Para o Brasil, o número total de partos cesarianos executados em um ano estava disponível. Estes números foram divididos pelo número médio anual de nascimentos para calcular as freqüências de partos cesarianos.

Foram encontradas fortes associações entre a proporção de partos cesarianos e o produto nacional bruto per capita, o número de médicos por 10.000 habitantes, a proporção de população urbana, e a proporção de partos institucionais. Além disso, em todos os países para os quais a informação estava disponível, a proporção de cesarianas em hospitais privados foi mais alta do que em hospitais público ou hospitais de seguro social.

Utilizando o limite de 15% de cesarianas fixado arbitrariamente pela Organização Mundial de Saúde em 1985, mas ainda aceito pela comunidade científica, foi calculado um excesso de mais de 850.000 partos cesários por ano para a América Latina. Este número representa um risco desnecessário aumentado para as mulheres e os seus bebês. No Brasil, os autores estimaram um índice de 32% de cesarianas.

Esta "epidemia" ocorre em parte porque a cesariana é aceita agora culturalmente como um modo normal de dar à luz a um bebê. Para serem eficazes, ações para reduzir estas cirurgias desnecessárias precisariam envolver as autoridades de saúde pública, associações médicas, escolas médicas, médicos, parteiras, enfermeiras, a mídia, e a população geral.

Em um editorial, a revista British Medical Journal comentou o trabalho, qualificando o parto cesário de uma cirurgia "politicamente incorreta".

Fonte: BMJ 1999;319:1397-1402

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