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O Uso de Anticoncepcionais Orais se Encontra Ligado à Ocorrência de Trombose Venosa

O aumento nos índices de internação hospitalar causada por tromboembolismo venoso entre mulheres parece correlacionar-se com o aumento do uso de anticoncepcionais orais de terceira geração. Isto é o que afirma um estudo publicado na revista British Medical Jornal, em seu número do dia 25 de Setembro.

O Dr. Lene Mellemkjaer e seus colaboradores, do Institute of Cancer Epidemiology da Sociedade Dinamarquesa do Câncer em Copenhagen demonstraram em seu estudo que a terceira geração de anticoncepcionais orais poderia aumentar o risco da formação de coágulos sangüíneos (trombos) nas veias e nos pulmões das pacientes em uso deste tipo de medicação.

O resultado deste estudo contrastou com um trabalho preliminar, que não mostrava nenhuma relação ou aumento do risco para a saúde com o uso destes medicamentos.

Os pesquisadores fizeram um levantamento de todas as internações hospitalares ocorridas na Dinamarca, entre os anos de 1977 e 1993, em que o diagnóstico envolvia a presença de trombos nos membros inferiores e nos pulmões, em pessoas de 15 a 49 anos de idade.

Foram excluídos os pacientes portadores de câncer antes do tromboembolismo venoso, aqueles submetidos a cirurgia seis meses antes do episódio de tromboembolismo, ou uma gravidez ou diagnóstico obstétrico nos nove meses anteriores ou três meses após do quadro tromboembólico, ou ainda se o tromboembolismo venoso tenha sido registrado como um diagnóstico suplementar.

Os autores encontraram um aumento de 16 porcento nos índices de internação de mulheres com este quadro trombótico, correspondendo ao aumento no uso do anticoncepcional de terceira geração. Não é provável que o aumento desta taxa seja explicado através de mudanças em procedimentos diagnósticos ou no limiar para internação hospitalar, uma vez que nenhum aumento nos índices foi observados nos homens.

Estes dados apóiam a hipótese de que os anticoncepcionais orais de terceira geração aumentam o risco de tromboembolismo venoso em uma maior extensão do que outros anticoncepcionais orais. Os autores chamam a atenção, porém, para o fato de que o resultado deve ser interpretado com precaução: os números são pequenos, e o estudo está baseado em dados que estão sujeito a erros de classificação.

Quatro estudos anteriores haviam observado que os anticoncepcionais de terceira geração apresentaram um risco para a formação de coágulos no sangue duas vezes maior do que a pílula de segunda-geração, mas uma pesquisa mais recente publicada em 1997 não encontrou nenhuma conexão.

"O risco aumentado de trombose venosa com anticoncepcionais de terceira geração é real e mensurável, mas também é pequeno em condições absolutas, embora maior em mulheres que esteja iniciando o uso da pílula", escreveu o Dr. Paul O'Brien do St. Charles Hospital de Londres em um editorial na mesma revista.

Ele disse que as evidências clínicas indicam que os anticoncepcionais de segunda geração deveriam ser a primeira escolha de uso, por sua maior segurança.

Fonte: BMJ 1999;319:795-796 (25 de Setembro)

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