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Os Pacientes Idosos Recebem Menos Cuidados Cardiológicos do que os Pacientes Mais Jovens

O envelhecimento da população é um dos principais desafios que os serviços de saúde enfrentam. É provável que o número crescente de pessoas mais velhas crie uma demanda cada vez maior nos serviços de saúde para acesso a tecnologias capazes de aumentar a qualidade, e não só a quantidade de vida.

Entretanto, existem evidências de que a idade tem sido usada como um critério para alocar os cuidados de saúde ofertados a populações em geral.

A Dra. Ann Bowling, do Royal Free and University College London Medical School, em Londres, em artigo publicado no British Medical Journal desta semana, faz uma análise dos cuidados de diagnóstico e tratamento dispensados aos pacientes cardiológicos mais idosos, em comparação com pacientes mais jovens.

As doenças cardiovasculares são uma causa comum de morte e de morbidade entre as pessoas mais velhas; por outro lado, o uso de tecnologias de saúde apropriadas para diagnóstico e tratamento é caro, informa a Dra. Bowling em seu estudo. Apesar dos riscos ligeiramente mais altos de mortalidade e morbidade per-operatórias em pessoas mais velhas, é provável que elas tenham um grande benefício com estas intervenções cardiológicas, desde que sejam adequadamente selecionadas.

Ironicamente, embora os cirurgiões cardíacos cada vez mais estejam operando pessoas idosas na Europa e os Estados Unidos, "um exame dos tipos e da freqüência destas intervenções indica que preconceitos de idade existem em cardiologia", escreve a Dra. Bowling.

Freqüências mais altas de intervenção ocorrem entre pessoas mais jovens do que entre pessoas mais velhas, apesar da prevalência de doença cardiovascular ser consideravelmente mais alta no segundo grupo.

Pessoas mais velhas, as mulheres em particular, tem uma menor probabilidade de realizarem uma investigação cardiológica apropriada, desde um exame de ecocardiografia até simples medidas das concentrações de colesterol.

Verifica-se ainda uma tendência aos idosos serem tratados clinicamente ao invés de cirurgicamente; além disso, após um infarto do miocárdio, os idosos recebem terapêutica trombolítica menos freqüentemente do que as pessoas mais jovens, mesmo na ausência de contra-indicações para este tipo de tratamento.

Para chegar a estas conclusões, a autora baseou-se em diversos trabalhos publicados anteriormente, onde análises de tratamentos de cardiologia intervencionista em diversas faixas etárias da população foram realizadas.

Em seus pontos principais de consideração, a Dra. Bowling escreve que o preconceito contra o idoso na oferta de diagnóstico e tratamento reflete o preconceito existente contra os mais velhos na Sociedade em geral, e que deveriam ser melhoradas as diretrizes clínicas, com monitorização mais específica de cuidados de saúde sendo introduzida, no sentido de se evitar este tipo de atitude discriminatória.

"Idosos poderiam ser investidos de poder, à fim de influenciar a escolha e o padrão dos cuidados de saúde ofertados, e poderia ser criada uma legislação para por fim ao preconceito de idade na Sociedade", escreve a médica.

Fonte: BMJ 1999;319:1353-1355 (20 November).

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