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01 de outubro de 2026 (Bibliomed). Estudo realizado na Universidade de Coimbra, em Portugal, buscou entender como o cérebro de pessoas nascidas com surdez se adapta à ausência da audição. Em especial, os autores investigaram o que acontece com o córtex auditivo, a região do cérebro normalmente responsável por processar os sons.
Durante muito tempo, acreditava-se que, sem receber sons, o córtex auditivo ficava praticamente "sem função". No entanto, pesquisas mais recentes mostram que o cérebro é muito adaptável. Quando uma área deixa de receber um tipo de informação, ela pode passar a ajudar no processamento de outros sentidos. Esse fenômeno é chamado de plasticidade cerebral.
Para o estudo, os pesquisadores utilizaram técnicas de imagem cerebral para observar a atividade do cérebro de pessoas com surdez congênita (presente desde o nascimento). Enquanto os participantes realizavam tarefas visuais, os pesquisadores analisaram quais regiões cerebrais eram ativadas.
O estudo mostrou que o córtex auditivo não permanece inativo. Em pessoas com surdez congênita, essa região passa a processar informações visuais de forma organizada. Em outras palavras, uma área do cérebro que normalmente interpreta sons pode ser "reaproveitada" para ajudar a interpretar aquilo que os olhos enxergam.
O estudo sugere que essa reorganização pode contribuir para um processamento visual mais eficiente em algumas tarefas, principalmente aquelas relacionadas à percepção do espaço e do movimento. No entanto, isso não significa que todas as pessoas surdas enxerguem melhor do que as ouvintes. Os benefícios podem variar entre os indivíduos e dependem de diversos fatores, como experiências de vida e aprendizagem.
Os autores explicam que entender como o cérebro se reorganiza ajuda os cientistas a compreender melhor a capacidade de adaptação do sistema nervoso, desenvolver estratégias de reabilitação mais eficazes, aperfeiçoar tecnologias como implantes cocleares e criar métodos de ensino adaptados às necessidades de pessoas com surdez. Também mostra que o cérebro continua sendo capaz de se reorganizar quando um sentido está ausente desde o nascimento.
Fonte: Human Brain Mapping. DOI: 10.1002/hbm.70444.
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