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20 de julho de 2026 (Bibliomed). Muitas pessoas com doença celíaca são aconselhadas a consumir mais fibras para auxiliar a digestão e controlar os sintomas, seja por meio da alimentação ou de suplementos de fibras prescritos. Uma nova pesquisa da Universidade McMaster, no Canadá, mostrou que os benefícios dessas fibras podem depender da presença das bactérias certas no intestino para decompô-las.
O estudo descobriu que pessoas com doença celíaca apresentavam capacidade significativamente reduzida de metabolizar fibras alimentares no intestino delgado. Isso ocorre porque elas não possuíam uma família bacteriana essencial para a degradação de fibras, chamada Prevotellaceae – organismos que auxiliam na cicatrização intestinal e na regulação da inflamação.
Essa descoberta foi observada tanto em pessoas recém-diagnosticadas quanto naquelas que vêm controlando a doença celíaca há anos com uma dieta sem glúten, e sugere que a falta de bactérias do intestino delgado, como a Prevotellaceae, se deve a distúrbios persistentes do microbioma ligados à própria doença, e não apenas à dieta.
A doença celíaca é uma condição na qual a ingestão de glúten provoca inflamação no intestino delgado, e o único tratamento atual é uma dieta rigorosa sem glúten. Isso é particularmente relevante porque as pesquisas sugerem que a simples remoção do glúten não restaura completamente a capacidade funcional da microbiota intestinal. Terapias futuras podem precisar combinar estratégias dietéticas com abordagens direcionadas ao microbioma, como a restauração microbiana ou probióticos específicos.
Utilizando modelos pré-clínicos, os pesquisadores investigaram quais tipos de fibras são realmente benéficos para a recuperação da saúde intestinal. Eles descobriram que a inulina – uma fibra encontrada em alimentos comuns como banana, raiz de chicória, alho e cebola – acelerou a cicatrização de lesões intestinais induzidas pelo glúten, nutrindo a microbiota do intestino delgado. Esse efeito ocorreu apenas com as fibras adequadas na dieta. Outra fonte de fibra, o Hylon VII, um tipo de amido resistente à base de milho comumente usado na indústria alimentícia, não afetou o microbioma nem promoveu a cicatrização da mesma forma que a inulina. Essa comparação sugere que o tipo de fibra, e não apenas a quantidade, pode ser importante para pessoas com doença celíaca.
Para verificar isso em pacientes, os pesquisadores coletaram fluido do intestino delgado de três grupos: pessoas recém-diagnosticadas com doença celíaca, pessoas que seguiam uma dieta sem glúten há mais de dois anos e um grupo de controle saudável. Eles analisaram o microbioma dessas amostras para determinar quais bactérias estavam presentes e se elas possuíam os genes necessários para decompor diferentes tipos de fibra. Também compararam esses resultados com a ingestão estimada de fibras alimentares dos participantes e com medições de DNA vegetal nas fezes, fornecendo um marcador objetivo das fontes de fibra na dieta.
Os resultados mostraram que a maioria dos indivíduos, incluindo tanto os controles saudáveis quanto os pacientes celíacos, consumiu menos fibras do que o recomendado. No entanto, pacientes celíacos, tanto recém-diagnosticados quanto em tratamento com dieta sem glúten, apresentaram uma combinação peculiar de baixa ingestão de fibras e carência de bactérias conhecidas por decompor fibras no intestino delgado. Isso sugere que a promoção da saúde intestinal na doença celíaca pode exigir tanto a ingestão adequada de fibras quanto a presença das bactérias certas no intestino delgado, uma abordagem conhecida como simbiótica.
Os pesquisadores ressaltam que são necessárias pesquisas futuras para melhor compreender e determinar como a restauração de fibras e microrganismos pode melhorar os sintomas, a cicatrização e as respostas ao tratamento, antes de se fazerem recomendações clínicas.
Fonte: Nature Communications. DOI: 10.1038/s41467-026-70644-4.
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