Notícias de saúde
19 de junho de 2026 (Bibliomed). Um número crescente de pais está recusando injeções de vitamina K para seus recém-nascidos, colocando os bebês em maior risco de lesões cerebrais evitáveis, de acordo com uma revisão sistemática preliminar apresentada na 78ª Reunião Anual da Academia Americana de Neurologia, que aconteceu entre os dias 18 e 22 de abril em Chicago, nos Estados Unidos.
A injeção de vitamina K é um suplemento que fornece aos bebês uma vitamina essencial que está naturalmente em baixa quantidade nos recém-nascidos. Não é uma vacina. A vitamina K é necessária para ajudar na coagulação do sangue. Receber uma injeção de vitamina K logo após o nascimento pode prevenir uma condição rara, porém grave, chamada hemorragia por deficiência de vitamina K. Essa condição pode causar uma hemorragia intracerebral, um tipo de acidente vascular cerebral (AVC), quando um vaso sanguíneo se rompe no cérebro, e que pode levar à morte ou a problemas cerebrais permanentes.
Para a revisão, pesquisadores da Universidade Internacional da Flórida, nos EUA< analisaram 25 estudos com dados globais de duas décadas. Os estudos examinaram a recusa da vitamina K, a incidência de sangramento por deficiência de vitamina K e seus desfechos, os motivos da recusa por parte dos pais e possíveis ligações com a recusa. Os resultados mostraram que, em Minnesota, as taxas de recusa aumentaram de 0,9% em 2015 para 1,6% em 2019. Na Califórnia, Connecticut e Iowa, a recusa variou de 0,2% a 1,3% em 2018 e 2019, com mais da metade da equipe hospitalar percebendo aumentos.
Internacionalmente, as taxas de recusa variaram de 1% a 3% no Canadá, Nova Zelândia e Escócia, e ultrapassaram os 30% em alguns centros de parto. Pesquisadores descobriram, em relatos de casos de bebês com hemorragia por deficiência de vitamina K, que aproximadamente 14% morreram, cerca de 40% apresentaram deficiências neurológicas de longo prazo, como comprometimento cognitivo, convulsões ou déficits motores, e cerca de 63% sofreram hemorragias cerebrais.
Eles também descobriram que os pais que recusavam a vitamina K para seus bebês tinham maior probabilidade de negligenciar outras medidas de proteção à saúde recomendadas. Nos EUA, os pais que recusavam a vitamina K tinham 90 vezes mais probabilidade de recusar tanto a vacina contra hepatite B quanto o medicamento ocular destinado a proteger os recém-nascidos de infecções potencialmente causadoras de cegueira. No Canadá, aqueles que recusavam a vitamina K tinham 15 vezes mais probabilidade de não vacinar seus filhos até os 15 meses de idade. Na Nova Zelândia, essa probabilidade era 14 vezes maior. As preocupações dos pais incluíam dor, conservantes e crença em informações imprecisas.
De acordo com os autores, os resultados apontam para uma necessidade urgente de que os profissionais de saúde ofereçam aconselhamento pré-natal aos pais para garantir que eles entendam que a vitamina K pode reduzir drasticamente lesões cerebrais evitáveis e seu impacto ao longo da vida.
Fonte: American Academy of Neurology’s 78th Annual Meeting 2026.
Copyright © 2026 Bibliomed, Inc.
Veja também