Mulheres convertidas ao islã sofrem mais preconceito que os demais mulçumanos

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Comportamento

A população mulçumana no Brasil está estimada entre 800 mil e 1,5 milhão de pessoas, segundo dados da Federação das Associações Mulçumanas no Brasil (Fambras). Essa população tende a enfrentar a islamofobia, que é uma forma de preconceito e discriminação pela religião ou pela origem étnica, e ocorre tanto nas redes sociais quanto no mundo real. As mulheres são mais suscetíveis a sofrerem ataques, especialmente aquelas que não nasceram dentro da religião e escolheram segui-la.

Um estudo realizado por pesquisadores do Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (Gracias), da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP), envolveu 653 adeptos do islã em todo o Brasil, que responderam de forma anônima a um questionário on-line. Os autores estabeleceram quatro categorias de pessoas que responderam o questionário: mulheres de origem árabe nascidas na religião; mulheres que escolhem seguir a religião; homens nascidos na religião; e homens que escolheram seguir o islamismo.

Com base nas respostas, os pesquisadores descobriram que as mulheres que escolheram seguir o islamismo são as mais vulneráveis a ataques islamofóbicos, principalmente no espaço público. Além disso, elas também relataram sofrer preconceito dentro da própria família, que não compreende a escolha delas, especialmente aquelas que optam por usar o hijab (o lenço usado pelas mulheres mulçumanas para cobrir os cabelos). Segundo os autores, há o que chamaram de “hijabfobia”, com relato de mulheres que tiveram que tirar o lenço para trabalhar por ordens das empresas. Entre os homens, a maior reclamação foi a associação frequente a terroristas.

Fonte: Primeiro Relatório sobre Islamofobia do Brasil. Gracias – FFCLRP – USP. 2022.

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